Mercado Imobiliário em Minas Gerais: Venda de Lotes Sobe 41%
Vendas de loteamentos em Minas Gerais sobem no 1º trimestre de 2026, com força em lotes abertos, enquanto os lançamentos recuam com a burocracia estatal.







O mercado imobiliário em Minas Gerais vivenciou um cenário de contrastes expressivos no primeiro trimestre de 2026. Enquanto o volume de vendas de loteamentos subiu 40,9%, atingindo a marca de 2.958 unidades comercializadas, o Valor Geral de Lançamentos (VGL) registrou forte retração. Os dados oficiais fazem parte do Estudo de Mercado de Loteamento de Minas Gerais, levantamento realizado pela consultoria Brain Inteligência Estratégica, e revelam uma clara mudança no perfil dos imóveis absorvidos pelo consumidor do estado.
O relatório, que foi encomendado de forma conjunta pela Aelo-MG, pelo Sinduscon-MG e pelo Secovi-MG, mapeou dados em municípios estratégicos. Juntas, essas cidades representam cerca de 41% da população e concentram 57% de todo o potencial de consumo de Minas Gerais. O salto nas vendas ante os 2.100 lotes negociados no mesmo período de 2025 foi diretamente impulsionado pela maior procura por loteamentos abertos.
Alta nos loteamentos abertos e mudança de perfil em imóveis
A performance do mercado imobiliário foi puxada pelos lotes convencionais, cuja demanda disparou. As vendas no segmento de loteamentos abertos saltaram de apenas 596 unidades no primeiro trimestre de 2025 para expressivas 1.538 unidades no início de 2026. Trata-se de uma alta de 170,3%, conforme os números consolidados pela pesquisa.
Paralelamente, os loteamentos fechados registraram um leve recuo de 7,3%, caindo de 1.531 para 1.420 unidades comercializadas. Essa migração para produtos abertos impactou diretamente os indicadores financeiros e o faturamento do setor. O Valor Geral de Vendas (VGV) acumulado retraiu de R$ 1,02 bilhão no primeiro trimestre de 2025 para R$ 664 milhões nos três primeiros meses de 2026.
A pesquisa traça também um recorte claro de preços e metragens. Nos loteamentos abertos, a maior parte da oferta (40,5%) concentra-se na faixa entre R$ 150 mil e R$ 200 mil. Outros 28% possuem valores acima de R$ 200 mil, enquanto as opções até R$ 80 mil representam apenas 7,4%. Em área, as medidas de 201 m² a 300 m² abarcam 50,9% dos lotes oferecidos.
Já entre os loteamentos fechados, o custo médio é superior: 51,8% dos lotes estão na faixa de R$ 150 mil a R$ 300 mil; 28,5% são precificados de R$ 300 mil a R$ 500 mil; e 17,6% custam acima dos R$ 500 mil. Em tamanho, a preferência é por áreas mais extensas, com 62,3% dos produtos variando entre 251 m² e 500 m².
Burocracia trava lançamentos do mercado imobiliário
Apesar de as vendas estarem aquecidas, a oferta de novos produtos desacelerou de maneira acentuada. O volume total de lançamentos apresentou uma queda de 15,2% no primeiro trimestre de 2026, contabilizando 2.168 novas unidades. A maior retração ocorreu justamente nos loteamentos fechados, que despencaram 63% na entrada de novos produtos (passando de 2.141 para 792 unidades). Por outro lado, acompanhando o bom fluxo de vendas, os projetos abertos lançados cresceram 230,8%, indo de 416 para 1.376 unidades.
Com o declínio de projetos fechados, o Valor Geral de Lançamentos (VGL) despencou 63,6% — encolhendo de R$ 1,253 bilhão para R$ 457 milhões. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, o VGL encolheu 53%. O VGL específico de loteamentos fechados afundou 80,4%, enquanto o valor atrelado a loteamentos abertos registrou um vigoroso avanço de 234,4%.
Gustavo Amorim, presidente da Aelo-MG e diretor de loteamentos do Sinduscon-MG, esclarece que a redução do volume no mercado primário de lançamentos está intrinsecamente ligada à lentidão nas aprovações de novos projetos por parte do poder público. A morosidade inibe a reposição do que foi vendido e reduz o estoque disponível, que hoje é estimado em somente 10 meses na região de Belo Horizonte e nos municípios do entorno.
Para evitar o estrangulamento do setor de imóveis, os empresários trabalham para reduzir substancialmente a burocracia. O plano é encurtar de quatro para dois anos, em média, o prazo de tramitação e liberação de projetos em órgãos-chave, como a Copasa, a Secretaria de Meio Ambiente e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. O sucesso dessa articulação é fundamental para sustentar e destravar os principais polos regionais dos vetores de crescimento: Grande BH, Triângulo Mineiro, Sul de Minas e Montes Claros.
Investimento pressionado pela economia e inflação
O cenário para novos lotes e imóveis não ocorre de maneira isolada; ele acompanha um contexto macroeconômico desafiador e em plena transição. Em abril de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central oficializou a redução da taxa básica de juros, a Selic, para 14,50% ao ano.
Entretanto, o alívio nos juros concorre com pressões nos preços. O próprio Banco Central alertou no comunicado da reunião que a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram de forma recente, distanciando-se adicionalmente da meta. As expectativas da pesquisa Focus apontaram índices de 4,9% para a inflação de 2026 e de 4,0% para a de 2027.
Paralelamente, a dinâmica do mercado de trabalho sugere moderação na capacidade de investimento. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que a taxa de desocupação do Brasil ficou em 6,1% no primeiro trimestre de 2026. Embora represente uma queda de 0,9 ponto percentual frente ao mesmo período de 2025, o índice demonstra uma alta de 1,0 ponto sobre o trimestre anterior. Em Minas Gerais, especificamente, o desemprego subiu 1,2 ponto percentual frente ao quarto trimestre, um fator de atenção para o crescimento contínuo do setor no longo prazo.



























