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Investimento Nova Crixas

Negócio de R$ 1 bi em megafazenda de Nova Crixás é desfeito

JBJ Agropecuária e Fazenda Conforto encerraram tratativas após Cade negar rito sumário e levar análise ao rito ordinário.

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A JBJ Agropecuária, ligada a José Batista Júnior, o Júnior Friboi, e a Fazenda Conforto, em Nova Crixás (GO), desistiram da operação de venda do megaconfinamento avaliada pelo mercado em mais de R$ 1 bilhão. A desistência foi comunicada ao Cade em 15 de junho de 2026, depois que o órgão rejeitou o pedido de análise em rito sumário e encaminhou o caso ao rito ordinário, segundo informações publicadas por CNN Brasil, AgFeed e InvestNews.

Não há confirmação pública de reprovação final de mérito pelo Cade. O fato confirmado é que as empresas encerraram definitivamente as tratativas relativas ao ato de concentração após a mudança no rito de análise. Para Nova Crixás (GO), a interrupção do negócio mantém em aberto o destino de um dos ativos rurais mais relevantes do mercado imobiliário ligado ao agronegócio no Centro-Oeste.

Megafazenda em Nova Crixás (GO) e o impacto no mercado imobiliário rural

A Fazenda Conforto tem cerca de 12 mil hectares em Nova Crixás e capacidade estática de 76 mil animais em três módulos de confinamento, de acordo com o AgFeed. A propriedade reúne biofertilizantes, fábrica de ração, silos, parque fotovoltaico, represa, pivôs de irrigação e área de reserva próxima de 30% da fazenda.

Essas características ajudam a explicar por que a transação chamou atenção no mercado imobiliário rural. Embora seja uma operação empresarial do setor pecuário, o ativo envolvido inclui terra, infraestrutura produtiva, irrigação, energia e áreas ambientais, componentes que influenciam a avaliação de imóveis rurais de grande porte.

Segundo a apuração do AgFeed reproduzida pelo InvestNews, o negócio era avaliado pelo mercado em mais de R$ 1 bilhão. A Fazenda Conforto também teve faturamento superior a R$ 1,1 bilhão em 2024, conforme reportagem do AgFeed.

Cade negou rito sumário e análise foi ao rito ordinário

A operação avançou ao Cade depois que a família Negrão, controladora da Fazenda Conforto, aceitou a proposta em 14 de abril de 2026, segundo documento citado pelo Canal Rural. O pedido de análise foi protocolado em 20 de abril de 2026 com solicitação de rito sumário, procedimento mais célere para atos de concentração, informou o InvestNews.

Em 5 de maio de 2026, o superintendente-geral do Cade, Alexandre Barreto de Souza, rejeitou o pedido de rito sumário, segundo AgFeed e CNN Brasil. Após essa decisão, o caso foi encaminhado ao rito ordinário, que poderia prolongar o exame por meses, de acordo com o InvestNews.

Sérgio Pellizzer, CEO da Conforto, confirmou ao AgFeed que as partes aguardaram 40 dias após a decisão do Cade e desistiram porque o processo não avançou. A comunicação enviada ao órgão em 15 de junho de 2026 informou o encerramento definitivo das tratativas, conforme a CNN Brasil.

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Imóveis, investimento e pecuária de escala em Goiás

A relevância da Fazenda Conforto vai além do tamanho da área. Em 2023, a propriedade atingiu a marca acumulada de 1,5 milhão de animais entregues para abate, segundo o Portal DBO. Em julho de 2024, a fazenda anunciou investimento de US$ 5 milhões do AGRI3 para recuperação de áreas degradadas e reforma de pastagens.

A Conforto foi fundada em 1996 por Alexandre Funari Negrão, o Xandy Negrão, e passou aos herdeiros da família Negrão após sua morte em 2023, conforme a CNN Brasil. O histórico do ativo reforça a importância da propriedade para Nova Crixás (GO) e para investidores que acompanham imóveis rurais com infraestrutura produtiva intensiva.

Do lado comprador, a JBJ declarava possuir capacidade anual de 540 mil cabeças em confinamento, com cerca de 180 mil animais estáticos distribuídos em suas unidades, informou o Canal Rural. Se aprovada, a combinação entre JBJ e Conforto poderia superar 700 mil animais confinados por ano e formar o maior projeto pecuário da América Latina, segundo o mesmo veículo.

IPTU, área rural e transparência sobre ativos

Por se tratar de uma fazenda, a pauta se insere principalmente no universo dos imóveis rurais e dos grandes ativos produtivos, não no mercado típico de IPTU urbano. Ainda assim, o caso interessa a quem acompanha transparência patrimonial, uso do solo, infraestrutura e grandes investimentos imobiliários em municípios como Nova Crixás (GO).

O histórico concorrencial também ajuda a contextualizar a cautela regulatória. O Cade já havia reprovado, em 18 de outubro de 2017, a compra da Mataboi pela JBJ Agropecuária, no Ato de Concentração nº 08700.007553/2016-83, por riscos concorrenciais em mercados ligados à cadeia bovina, segundo o próprio Cade.

Fechamento: negócio bilionário fica suspenso em Nova Crixás

Com a desistência, a venda da Fazenda Conforto para a JBJ Agropecuária deixou de avançar no Cade, e não houve decisão pública final de mérito sobre a operação. O caso, porém, permanece como referência para o mercado imobiliário rural em Goiás: uma propriedade de grande escala, avaliada pelo mercado em mais de R$ 1 bilhão, teve sua transferência interrompida por um processo regulatório que saiu do rito sumário e passou ao rito ordinário.

Para Nova Crixás (GO), o episódio evidencia como grandes imóveis produtivos podem ter impacto econômico e concorrencial que ultrapassa a negociação privada. No mercado imobiliário ligado ao agronegócio, terra, infraestrutura, capacidade operacional e regulação caminham juntos na definição do valor e do destino de ativos estratégicos.

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