Nordeste vira vice-líder em imóveis apesar da Selic alta
Levantamento CBIC/Brain mostra 22.202 unidades vendidas e 19.789 lançadas no 1º trimestre de 2026 na região.







O mercado imobiliário do Nordeste fechou o 1º trimestre de 2026 como o segundo maior polo regional do país em vendas e lançamentos residenciais, atrás apenas do Sudeste. Entre janeiro e março, foram 22.202 imóveis vendidos e 19.789 unidades lançadas na região, segundo o levantamento Indicadores Imobiliários Nacionais 1T 2026, da CBIC com a Brain Inteligência Estratégica.
O desempenho ocorreu em um ambiente de juros ainda altos. A Selic estava em 14,75% ao ano no fim do 1º trimestre de 2026, conforme o histórico oficial do Banco Central após a decisão do Copom de 18 de março. Em 29 de abril, já depois do fechamento do trimestre, a meta foi reduzida para 14,50% ao ano.
Mercado imobiliário no Nordeste avança nas vendas
As vendas residenciais no Nordeste cresceram 3,0% em relação ao 1º trimestre de 2025 e 6,5% ante o 4º trimestre de 2025. O volume regional ficou abaixo apenas do Sudeste, que vendeu 55.996 unidades no mesmo período.
No Brasil, foram vendidas 110.722 unidades residenciais no 1º trimestre de 2026. O total nacional representou alta de 4,1% contra o 1º trimestre de 2025, mas queda de 2,6% na comparação com o 4º trimestre de 2025.
Lançamentos de imóveis caem, mas região mantém força
Nos lançamentos, o Nordeste registrou 19.789 unidades residenciais no trimestre. O número também colocou a região na segunda posição nacional, atrás do Sudeste, que lançou 50.005 unidades entre janeiro e março.
A leitura, porém, mostra perda de ritmo na oferta nova. Os lançamentos residenciais do Nordeste caíram 4,2% frente ao 1º trimestre de 2025 e 19,2% na comparação com o 4º trimestre de 2025. No país, foram lançadas 97.802 unidades residenciais, queda de 4,9% em um ano e de 32,1% frente ao trimestre imediatamente anterior.
Oferta final de imóveis recua no Nordeste
A oferta final no Nordeste encerrou o 1º trimestre de 2026 em 61.531 unidades. O estoque disponível caiu 5,7% em relação ao 1º trimestre de 2025 e 3,8% frente ao 4º trimestre de 2025.
O movimento regional contrastou com o dado anual do Brasil. A oferta final nacional foi de 350.891 unidades no trimestre, alta de 8,2% contra o 1º trimestre de 2025, embora também tenha recuado 3,5% ante o 4º trimestre de 2025.
Minha Casa Minha Vida sustenta parte da demanda
O Minha Casa Minha Vida teve peso relevante no resultado do mercado imobiliário do Nordeste. No 1º trimestre de 2026, o programa respondeu por 12.704 lançamentos na região, equivalentes a 64% dos lançamentos residenciais regionais.
Nas vendas, o Minha Casa Minha Vida somou 11.540 unidades no Nordeste, ou 52% das vendas residenciais regionais no período. No Brasil, o programa respondeu por 48.648 lançamentos, 50% do total nacional, e por 54.510 vendas, 49% das vendas residenciais do país.
Além dos dados do trimestre, o Ministério das Cidades informou que o MCMV Classe Média oferece crédito habitacional para famílias com renda até R$ 13 mil, imóveis de até R$ 600 mil, taxa nominal de 10,00% ao ano e prazo máximo de 420 meses. A pasta também anunciou, em 15 de abril de 2026, R$ 20 bilhões adicionais do Fundo Social para o programa, elevando o orçamento anual dessa fonte para R$ 45 bilhões em 2026.
Preços anunciados em capitais do Nordeste
O Índice FipeZAP de venda residencial de abril de 2026 mostra alta anual nos preços anunciados em capitais nordestinas. Fortaleza avançou 13,49%, Salvador 12,75%, São Luís 9,73%, Natal 9,63%, Maceió 8,71%, João Pessoa 8,33% e Recife 5,71%.
Nos preços médios anunciados de venda residencial, Maceió apareceu com R$ 9.908 por metro quadrado, Fortaleza com R$ 9.350/m², São Luís com R$ 8.627/m², Recife com R$ 8.615/m², Salvador com R$ 8.385/m², João Pessoa com R$ 8.081/m², Natal com R$ 6.334/m², Teresina com R$ 5.857/m² e Aracaju com R$ 5.529/m².
O que os dados indicam para o mercado imobiliário
A fotografia do 1º trimestre mostra um mercado imobiliário nordestino com vendas em expansão, lançamentos em retração e estoque menor. A combinação ajuda a explicar a posição de destaque da região mesmo sob juros elevados, mas também indica que o ritmo de novos projetos não acompanhou, no trimestre, a velocidade das vendas.
No acumulado de 12 meses até março de 2026, a apresentação da CBIC/Brain registrou 80.168 unidades lançadas no Nordeste e 83.916 unidades vendidas. No total nacional, as vendas em 12 meses chegaram a 438.012 unidades.
Fontes
- JC/UOL - Mercado imobiliário resiste a juros altos e Nordeste se consolida
- CBIC - Divulgação dos Indicadores Imobiliários Nacionais do 1º trimestre de 2026
- CBIC/Brain - Indicadores Imobiliários Nacionais 1T 2026
- Banco Central do Brasil - Histórico de taxas de juros
- Ministério das Cidades - Minha Casa Minha Vida Classe Média
- Ministério das Cidades - R$ 20 bilhões adicionais para o Minha Casa Minha Vida
- FipeZAP - Índice de venda residencial abril de 2026



























