nr1.lat Blog
Crise habitacional Mundo

ONU põe 3,4 bi sem moradia adequada no centro da crise global

Relatório da UN-Habitat lançado em Baku mostra crise habitacional sistêmica, com favelas, aluguel caro, deslocamento e risco climático.

Ouça esta matéria Leitura automática · voz natural
Velocidade
Ver comentários dos leitores

A crise global de moradia entrou no centro da agenda urbana mundial com uma escala rara: até 3,4 bilhões de pessoas vivem sem acesso a moradia segura, adequada e acessível, segundo o World Cities Report 2026: The Global Housing Crisis - Pathways to Action, da UN-Habitat.

O relatório foi lançado em 19 de maio de 2026, durante o 13º World Urban Forum, em Baku, Azerbaijão. O documento também aponta que mais de 1,1 bilhão de pessoas vivem em assentamentos informais e favelas, sob insegurança de posse, superlotação, exposição a riscos ambientais e acesso limitado a serviços básicos.

Crise de moradia no Mundo vai além da falta de imóveis

A principal mensagem da UN-Habitat é que a crise habitacional não pode ser reduzida à simples falta de unidades. O relatório organiza o problema em cinco dimensões interligadas: acessibilidade econômica, deslocamento, informalidade, sustentabilidade e resiliência, além de habitabilidade.

Essa leitura desloca o debate sobre imóveis e mercado imobiliário para um campo mais amplo. Moradia passa a envolver renda, terra, infraestrutura, transporte, serviços, segurança jurídica e capacidade das cidades de enfrentar choques climáticos e sociais.

Os números mostram a ampliação do desafio. O déficit habitacional global passou de 251 milhões de unidades em 2010 para 288 milhões em 2023, segundo a UN-Habitat. No mesmo período mais amplo, aproximadamente 64 milhões de pessoas foram removidas ou despejadas globalmente entre 2003 e 2023.

Aluguel pressiona famílias e mercado imobiliário global

A acessibilidade aparece como uma das faces mais visíveis da crise. O relatório informa que 44% dos domicílios no mundo gastam mais de 30% da renda com aluguel, patamar usado no documento como indicador de pressão sobre o orçamento familiar.

Na África Subsaariana, essa proporção chega a 55% dos domicílios. O dado ajuda a explicar por que a discussão sobre moradia adequada envolve não apenas construção, mas também regulação de mercados de aluguel, oferta social e alternativas fora da lógica estritamente comercial.

O setor, porém, tem peso econômico expressivo. De acordo com os achados-chave do relatório, a construção representa cerca de 13% do PIB global e emprega mais de 280 milhões de pessoas. Em regiões em desenvolvimento, a habitação informal pode responder por até 80% da construção residencial.

Favelas, deslocamento e risco climático ampliam a emergência

A UN-Habitat conecta a crise de moradia ao avanço do deslocamento forçado. O relatório registra 133 milhões de pessoas deslocadas globalmente em 2024 por conflito, perseguição, violência, violações de direitos humanos e desastres naturais.

O ACNUR estimou 123,2 milhões de pessoas deslocadas à força no fim de 2024 por perseguição, conflito, violência, violações de direitos humanos ou eventos que perturbam gravemente a ordem pública. Embora as bases e recortes sejam distintos, os dois indicadores apontam a moradia como uma questão ligada a crises humanitárias.

nr1.lat — encontre o proprietário e os débitos de qualquer imóvel cadastrado

O risco climático adiciona outra camada. A UN-Habitat estima que riscos climáticos podem destruir 167 milhões de moradias até 2040. Em 2023, catástrofes naturais geraram US$ 280 bilhões em perdas econômicas globais, em grande parte sem seguro, segundo o relatório.

Edifícios, emissões e habitação sustentável

A introdução assinada pela diretora-executiva da UN-Habitat, Anacláudia Rossbach, afirma que edifícios respondem por cerca de 37% das emissões globais de gases de efeito estufa, enquanto a habitação responde por 17% a 21%. O dado coloca a política habitacional também no centro da agenda climática.

A pressão tende a crescer. O relatório projeta que áreas urbanas absorverão mais 2 bilhões de residentes até 2050, ampliando a demanda sobre sistemas habitacionais já restritos.

Baku Call to Action propõe moradia como sistema

O WUF13 foi aberto em 17 de maio de 2026 e encerrado em 22 de maio de 2026, em Baku. Segundo a ONU, o fórum reuniu mais de 57 mil participantes de 176 países, incluindo mais de 3 mil participantes online.

A capital do Azerbaijão recebeu 11 chefes de Estado, 88 ministros, 130 prefeitos, 579 eventos, uma Urban Expo com mais de 74 mil visitas e 865 jornalistas credenciados. O evento específico de lançamento do relatório ocorreu em 19 de maio, das 15h às 16h, na UN-Habitat Arena, em formato híbrido, com idiomas inglês, francês, espanhol e azerbaijano.

A Baku Call to Action propõe reformular moradia como sistema ligado a terra, infraestrutura, transporte, serviços e oportunidade econômica, e não como mera produção isolada de unidades habitacionais. A UN-Habitat também afirma que políticas de moradia devem tratar habitação como direito humano, não apenas como ativo de mercado.

Soluções para imóveis e moradia adequada

Entre os caminhos apontados, o relatório recomenda combinar urbanização de assentamentos informais in situ, regularização de posse, infraestrutura básica, aluguel social, cooperativas, moradia sem fins lucrativos e regulação de mercados de aluguel.

O fechamento político do fórum deixa a crise de moradia como tema permanente da agenda urbana global. A próxima sessão do World Urban Forum, o WUF14, está prevista para ocorrer no México em 2028.

#Mundo#crise de moradia#moradia adequada#mercado imobiliário#imóveis#UN-Habitat#favelas#aluguel

Fontes

Compartilhar Facebook X Telegram

Comentários

Carregando comentários…

Entre para participar

Cadastre-se para comentar, responder e curtir.