Opendoor fecha operação na Índia e corta 250 empregos
Proptech americana encerra base indiana e leva funções aos EUA na estratégia Opendoor 2.0, com mais IA no mercado imobiliário.







A Opendoor Technologies Inc., proptech americana de compra e venda digital de imóveis listada na Nasdaq sob o ticker OPEN, iniciou o fechamento de sua operação na Índia e deve demitir todos os cerca de 250 funcionários no país. A informação foi publicada pela Reuters em 11 de junho de 2026 e marca uma mudança concreta na forma como a companhia organiza seu backoffice imobiliário.
A decisão foi apresentada como parte da estratégia “Opendoor 2.0”, com relocação de funções operacionais para os Estados Unidos, simplificação das operações e maior uso de fluxos de trabalho baseados em inteligência artificial, segundo a Moneycontrol. Para o mercado imobiliário global, o caso chama atenção porque envolve uma empresa criada para automatizar transações residenciais, agora reduzindo uma estrutura internacional e aproximando operações dos clientes americanos.
Fechamento da Opendoor na Índia atinge imóveis e backoffice
A operação indiana da Opendoor havia começado em 2022 e mantinha escritórios em Chennai, Hyderabad e Bengaluru, conforme a PTI/ETCIO. O encerramento, portanto, desmonta uma base que havia sido incorporada à engrenagem operacional da companhia nos últimos anos.
O CEO Kaz Nejatian publicou em 10 de junho de 2026 que a companhia começava a se despedir dos colegas na Índia enquanto encerrava a operação local. Segundo relato do Deccan Herald, ele afirmou que os clientes da Opendoor estão nos Estados Unidos e que o trabalho operacional deveria ficar próximo deles.
De acordo com a Moneycontrol, os funcionários afetados receberiam verbas rescisórias, serviços de recolocação e apoio de transição. Um pequeno grupo permaneceria temporariamente para concluir a migração de fluxos de trabalho essenciais. A empresa também afirmou, em memorando interno citado pela imprensa, que a decisão não refletia a qualidade do trabalho dos empregados indianos.
Opendoor 2.0 e o uso de IA no mercado imobiliário
A reorganização ocorre sob a gestão de Kaz Nejatian, anunciado como CEO e membro do conselho da Opendoor em 10 de setembro de 2025, depois de atuar como COO e vice-presidente de produto da Shopify. No mesmo anúncio, a companhia informou o retorno dos cofundadores Keith Rabois e Eric Wu ao conselho, com Rabois como chairman, além de um investimento PIPE de US$ 40 milhões por Khosla Ventures e Wu, segundo comunicado da Opendoor.
A Opendoor descreve seu modelo de negócios como compra direta de casas de vendedores e revenda para compradores. No Form 10-K de 2025 arquivado na SEC, a companhia afirma atuar como principal nas transações, e não como uma corretora tradicional que apenas intermedeia negócios. A empresa também diz que seus sistemas proprietários integram modelos de IA, dados e software ao longo do ciclo de transação residencial.
Esse desenho ajuda a explicar por que mudanças operacionais na empresa são acompanhadas de perto por quem observa tendências globais de imóveis. A Opendoor depende de processos de avaliação, compra, venda e gestão de casas em escala. Ao mover funções para perto dos clientes nos Estados Unidos e ampliar fluxos com IA, a companhia sinaliza uma busca por equipes menores, processos mais integrados e maior controle operacional.
Números da proptech antes do corte na Índia
Em 31 de dezembro de 2025, a Opendoor empregava 1.042 pessoas, das quais 858 estavam nos Estados Unidos, conforme o Form 10-K de 2025. No mesmo documento, a empresa informou ter vendido mais de 11.700 casas e gerado US$ 4,4 bilhões em receita em 2025.
O histórico recente também mostra sucessivas reduções de quadro. A companhia informou no Form 10-K que havia feito cortes de aproximadamente 680 empregados em 2023, cerca de 300 empregados em 2024 e aproximadamente 125 empregados em 2025. O fechamento na Índia se soma, portanto, a uma trajetória de enxugamento já registrada nos documentos corporativos da empresa.
No primeiro trimestre de 2026, encerrado em 31 de março, a Opendoor registrou receita de US$ 720 milhões, prejuízo líquido de US$ 173 milhões, 1.921 casas vendidas e 2.474 casas compradas, segundo relatório divulgado pela companhia em 7 de maio de 2026. No mesmo período, as despesas operacionais fixas foram de US$ 33 milhões, abaixo de US$ 35 milhões no quarto trimestre de 2025 e de US$ 39 milhões no primeiro trimestre de 2025.
O que a Índia revela sobre imóveis, tecnologia e escala
A empresa também informou que os contratos de aquisição no primeiro trimestre de 2026 superaram 5.000, dobraram em relação ao quarto trimestre de 2025 e atingiram o maior nível desde 2022. Esses dados mostram que a reestruturação não ocorre em um vácuo: ela aparece ao lado de indicadores de atividade operacional e de uma tentativa de reposicionamento sob a estratégia Opendoor 2.0.
Para o setor de imóveis, o fechamento da operação na Índia evidencia uma tensão central das proptechs: a promessa de automação e escala precisa conviver com custos, proximidade do cliente e execução operacional. No caso da Opendoor, a virada passa por trazer funções aos Estados Unidos, simplificar processos e intensificar o uso de IA, enquanto encerra uma base relevante de trabalho fora do país.
O episódio também reforça que a transformação digital no mercado imobiliário não se limita a novas ferramentas de compra e venda. Ela redefine onde o trabalho é feito, quais equipes permanecem e como empresas de imóveis organizam operações em ciclos de pressão por eficiência. Na Índia, a consequência imediata é o fim de uma operação iniciada em 2022 e a saída prevista de cerca de 250 funcionários.



























