Em Palmas, Coaf viu imóvel do Master saltar a R$ 591 mil
Caso do Igeprev-TO envolve 60 imóveis recebidos do Banco Master em 2022 para cobrir perda de R$ 13 milhões no fundo Viaja Brasil.







Um relatório do Coaf apontou que um imóvel entregue pelo Banco Master ao Igeprev-TO entrou em acordo por R$ 591 mil, embora estivesse registrado anteriormente pelo banco por R$ 76 mil, segundo a Folha de S.Paulo. A diferença, de R$ 515 mil, colocou sob escrutínio a operação imobiliária feita para tentar recompor uma perda de R$ 13 milhões ligada ao fundo Viaja Brasil.
O caso tem impacto direto em Palmas porque envolve o Igeprev-TO, instituto de previdência dos servidores do Tocantins, e também é alvo de apuração na 9ª Promotoria de Justiça da Capital, área de defesa do patrimônio público em Palmas, conforme informou o Times Brasil/CNBC.
Mercado imobiliário e imóveis do Master no caso Igeprev em Palmas
A Escritura Pública de Dação em Pagamento foi assinada digitalmente em 24 de maio de 2022. Pelo documento, o Igeprev-TO recebeu 60 imóveis do Banco Máxima S.A., atualmente denominado Banco Master S/A, para indenizar prejuízo causado por fundo de investimento que se tornou ilíquido, segundo nota do próprio Igeprev-TO/Governo do Tocantins.
Os bens foram avaliados em mais de R$ 13 milhões e estavam situados nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Goiás, de acordo com o instituto. À época, o então presidente do Igeprev, Sharlles Fernando Bezerra Lima, afirmou que a recomposição patrimonial era de R$ 13 milhões e decorria de aplicação de valor aproximado no Fundo de Investimentos em Participações Viaja Brasil Private Equity.
A Folha informou que o Igeprev fez um investimento malsucedido no fundo Viaja Brasil, do então Banco Máxima, e tomou prejuízo de R$ 13 milhões após a liquidação do veículo de investimento em 2014. Em 2022, já sob o comando de Daniel Vorcaro e com o nome Banco Master, o banco transferiu os 60 imóveis ao instituto para cobrir o prejuízo, segundo o jornal.
Alerta do Coaf sobre valorização de imóvel
O ponto central revelado pela Folha é o alerta do Coaf. Em relatório de 2022, o órgão apontou que o Master deu em pagamento ao Igeprev um imóvel por R$ 591 mil que, até então, estava registrado pelo banco por R$ 76 mil. O valor usado no acordo corresponde a cerca de 7,8 vezes o registro anterior do banco, cálculo feito a partir dos números publicados pelo jornal.
O Coaf é a Unidade de Inteligência Financeira do Brasil. De acordo com sua página institucional no Gov.br, o órgão é responsável pelo recebimento, análise e disseminação de informações de inteligência financeira. Ele é vinculado administrativamente ao Banco Central do Brasil, com autonomia técnica e operacional.
A Folha registrou que perguntou ao governo do Tocantins sobre o alerta do Coaf, mas o estado não quis se manifestar sobre o assunto. A ausência de manifestação oficial deixa sem explicação pública, até a reportagem de 28 de junho de 2026, a discrepância entre o valor registrado pelo banco e o valor usado no acordo.
Revenda dos imóveis recuperou 21% da perda
A estratégia de transformar os imóveis em recomposição financeira também avançou lentamente. Até a reportagem da Folha de 28 de junho de 2026, o Igeprev havia vendido 17 dos 60 apartamentos, salas comerciais e lotes recebidos. A recuperação foi de R$ 2,8 milhões, o equivalente a 21% do prejuízo informado.
O desempenho mostra o desafio de converter patrimônio imobiliário em caixa para reparar a perda previdenciária. Embora os 60 imóveis tenham sido avaliados em mais de R$ 13 milhões no acordo de 2022, a venda efetiva de parte deles recuperou apenas uma fração do valor atribuído ao prejuízo do fundo Viaja Brasil.
MPTO apura aplicações do Igeprev ligadas ao Banco Master
O caso dos imóveis se soma a outra frente de apuração. Em 12 de fevereiro de 2026, o Ministério Público do Tocantins instaurou inquérito civil para apurar suposta aplicação irregular de recursos do Igeprev em fundos de investimento de risco, incluindo investimentos ligados ao Banco Master, segundo o Conexão Tocantins.
O levantamento preliminar citado pelo MPTO apontou que o Igeprev mantinha mais de R$ 200 milhões aplicados em fundos não geridos por bancos de grande porte e com baixo volume de recursos. A apuração ficou sob responsabilidade da 9ª Promotoria de Justiça da Capital, área de defesa do patrimônio público em Palmas, conforme o Times Brasil/CNBC.
Em nota divulgada pelo site Cleber Toledo, o Igeprev declarou que os investimentos citados foram feitos entre 2011 e 2014. O instituto também afirmou que atualmente aplica recursos em bancos oficiais e papéis do Tesouro Nacional, e que não mantém nem manteve aplicação financeira no Banco Master.
Transparência sobre imóveis e patrimônio público
Para o mercado imobiliário e para a gestão previdenciária em Palmas, o caso evidencia a importância de transparência na avaliação, registro e venda de imóveis usados para recompor perdas públicas. O alerta do Coaf não encerra a discussão, mas aponta uma pergunta central: por que um bem registrado por R$ 76 mil entrou no acordo por R$ 591 mil?
Até as informações disponíveis nas fontes consultadas, a recomposição integral do prejuízo ainda não havia sido alcançada pela revenda dos imóveis. O caso permanece relevante porque envolve patrimônio previdenciário, avaliação imobiliária e a capacidade do poder público de explicar como ativos privados foram usados para cobrir perdas de um fundo que se tornou ilíquido.



























