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Perus lidera alta de imóveis grandes em São Paulo

Levantamento da Loft mostra alta de 113% em Perus para imóveis acima de 125 m²; média desse recorte avançou 17,4% na capital.

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Perus, na zona noroeste de São Paulo, liderou a valorização dos imóveis residenciais com mais de 125 m² na capital: alta de 113% nos preços anunciados entre janeiro e maio de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. O tíquete médio no bairro chegou a R$ 2,03 milhões, segundo levantamento da Loft divulgado pela Forbes Brasil em 17 de junho de 2026.

O estudo analisou 735 mil anúncios publicados nas principais plataformas digitais da cidade. No conjunto dos imóveis acima de 125 m², a alta foi de 17,4%, acima da valorização média geral de São Paulo no mesmo recorte, de 11,3%. O tíquete médio desse segmento chegou a R$ 1,82 milhão.

Imóveis grandes em São Paulo sobem acima da média

O movimento chama atenção porque a valorização mais forte não apareceu apenas em endereços tradicionalmente associados ao alto padrão. Depois de Perus, os maiores avanços entre os imóveis acima de 125 m² foram registrados em Jardim Helena, com 103%; Pari, com 82,5%; Sé, com 80,8%; e Cidade Tiradentes, com 77%.

Outros bairros também tiveram altas relevantes no mesmo recorte: Iguatemi, com 57,6%; Jardim Ângela, com 57,1%; Parelheiros, com 54,7%; Cidade Universitária, com 49,6%; e Parque do Carmo, com 28,7%.

Perus fica na zona noroeste da cidade de São Paulo e, segundo a Prefeitura, tem ligação viária com as rodovias Bandeirantes, Anhanguera e Rodoanel Mário Covas. Essa localização ajuda a contextualizar por que o bairro aparece no centro de uma mudança de preços que extrapola os bairros nobres.

Mercado imobiliário vê demanda por mais espaço

A Loft atribuiu a pressão de preços dos imóveis maiores ao perfil de compradores de maior poder aquisitivo, com menor dependência de financiamento imobiliário. Esse ponto é central para entender a dinâmica: mesmo em um ambiente de juros elevados, parte da demanda por imóveis grandes pode reagir menos ao custo do crédito.

Na decisão mais recente encontrada no site do Banco Central, o Copom manteve a taxa Selic em 14,25% ao ano. O Banco Central também mantém a série oficial da meta Selic definida pelo Copom, em percentual ao ano.

O dado não significa, por si só, uma alta homogênea em todo o mercado imobiliário de São Paulo. Ele mostra que determinados recortes de metragem e localização podem se comportar de forma diferente da média, sobretudo quando a base de compradores tem maior capacidade de compra direta ou menor necessidade de financiamento.

Compactos também valorizam, mas em outro patamar

O levantamento da Loft também registrou movimento relevante nos imóveis compactos. As unidades de até 30 m² tiveram alta de 16,7% e preço médio de R$ 367 mil no mesmo comparativo de janeiro a maio de 2026 contra igual período de 2025.

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Entre os compactos, os bairros com maiores altas foram Mandaqui, com 68,2%; Grajaú, com 44,9%; Aricanduva, com 37,1%; Cidade Líder, com 36,9%; e Campo Limpo, com 34,9%.

Esse contraste reforça que a valorização não está restrita a um único padrão de imóvel. Ainda assim, o desempenho dos imóveis acima de 125 m² se destacou por superar a média geral da capital e por colocar bairros fora do eixo mais tradicional de alto padrão entre os maiores avanços.

FipeZAP ajuda a medir o contexto de preços em São Paulo

Outro indicador baseado em anúncios, o Índice FipeZAP de Venda Residencial, registrou alta média de 0,42% nos preços de venda de imóveis residenciais em maio de 2026, considerando 56 cidades brasileiras.

Em São Paulo, o FipeZAP apontou alta mensal de 0,22% em maio de 2026, avanço acumulado de 1,25% no ano, alta de 4,23% em 12 meses e preço médio de R$ 12.045 por metro quadrado.

A comparação exige cautela porque os recortes são diferentes. Ainda assim, tanto o FipeZAP quanto o levantamento da Loft acompanham preços de imóveis residenciais anunciados na internet, o que aproxima a natureza das bases usadas para observar o mercado.

Paradoxo: valorização e estoque no alto padrão

O avanço dos preços anunciados convive com um contraponto importante. Em análise do BTG Pactual com dados do Secovi-SP, citada pelo DataZAP Report #117, apartamentos com quatro ou mais dormitórios em São Paulo atingiram 26 meses de estoque em abril de 2026.

Na mesma análise, imóveis com mais de 180 m² chegaram a 23 meses de estoque, acima da média de 12 meses do segmento de médio padrão. O DataZAP também reportou que imóveis acima de 180 m² representavam cerca de 3% das unidades disponíveis na capital paulista, mas concentravam aproximadamente R$ 19,1 bilhões em estoque.

O quadro, portanto, é de leitura dupla. De um lado, os preços anunciados dos imóveis grandes subiram acima da média da cidade, com Perus na liderança. De outro, parte do alto padrão ainda carrega estoque elevado. Para compradores, vendedores e investidores, a fotografia sugere um mercado imobiliário em São Paulo mais segmentado do que a média geral deixa transparecer.

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