Justiça bloqueia R$ 300 mi em pirâmide com imóveis no Rio
Operação Fortuito 4 apura esquema global de pirâmide financeira e lavagem de dinheiro com bens registrados em nome de terceiros.







A Justiça determinou o bloqueio de R$ 300 milhões em bens de um grupo investigado por suspeita de operar uma pirâmide financeira em escala global, com atuação identificada ao menos no Brasil, na Ucrânia e no Japão. A medida foi cumprida em 21 de maio de 2026, quando a Polícia Federal informou a deflagração da Operação Fortuito 4, no Rio de Janeiro, para apurar crimes financeiros e lavagem de dinheiro.
Segundo a Polícia Federal, diversos imóveis e outros bens foram sequestrados no âmbito das cautelares, incluindo embarcações. A PF afirmou ainda que as apurações apontaram bens móveis e imóveis registrados em nome de terceiros, fato citado pela corporação como evidência de lavagem de dinheiro.
Operação Fortuito 4 mira imóveis e bens no Rio de Janeiro
A ação cumpriu 4 mandados de busca e apreensão e 8 medidas cautelares diversas da prisão. As ordens foram executadas nas cidades do Rio de Janeiro, Macaé, São Paulo e São José dos Campos, de acordo com a Polícia Federal.
No município do Rio de Janeiro, as diligências ocorreram na Barra da Tijuca, em Jacarepaguá e em Campo Grande, segundo informou O Dia. O jornal também informou a realização de diligências em Macaé, no Norte Fluminense.
A Operação Fortuito 4 foi deflagrada pela FICCO/RJ, força-tarefa que, segundo a Polícia Federal, atua no enfrentamento de organizações criminosas por meio de atuação conjunta e coordenada de instituições de segurança pública, sob coordenação da própria PF. O N3 News informou que a operação contou com participação das polícias Civil e Militar, além da Polícia Federal.
Mercado imobiliário e risco de lavagem com bens de terceiros
O ponto central para o mercado imobiliário é a suspeita de uso de imóveis e outros ativos patrimoniais na estrutura investigada. A PF afirmou que bens móveis e imóveis estavam registrados em nome de terceiros e vinculou esse achado à apuração de lavagem de dinheiro.
Em investigações desse tipo, o registro formal de um imóvel em nome de outra pessoa pode se tornar um elemento relevante para a autoridade policial quando há suspeita de ocultação patrimonial. No caso da Operação Fortuito 4, a informação disponível é a de que a PF citou esse tipo de registro como evidência dentro da apuração de lavagem de dinheiro.
Os investigados poderão responder por crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa e lavagem de dinheiro, conforme a Polícia Federal. A corporação informou que a operação apura uma organização criminosa voltada a crimes financeiros e lavagem de dinheiro.
Origem da investigação e fase anterior da Fortuito
A Polícia Federal informou que a Operação Fortuito 4 é desdobramento de uma prisão em flagrante por posse ilegal de arma de fogo ocorrida em maio de 2024. Na investigação decorrente dessa prisão, a PF afirmou ter comprovado crimes de falsidade ideológica e porte ilegal de arma.
A mesma linha investigativa já havia resultado na Operação Fortuito 2, deflagrada em 29 de janeiro de 2025 para combater uma organização criminosa estruturada voltada a crimes financeiros e lavagem de dinheiro. Naquela fase, a Justiça também determinou bloqueio de R$ 300 milhões em bens.
Na Fortuito 2, a PF informou o sequestro de diversos imóveis, incluindo uma mansão avaliada em mais de R$ 100 milhões. Na mesma operação, foram cumpridos 8 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em Armação dos Búzios, em Uberaba e em São José dos Campos.
Criptomoedas, pirâmides e patrimônio investigado
O Metrópoles publicou que a Operação Fortuito 2 investigava o empresário Carlos Fuziyama, conhecido como Kaze, associado a uma estrutura de mineração de Ethereum na Ucrânia. A reportagem informou que a empresa Mining Express ficava em Kirovogrado, a cerca de 300 km de Kiev, e que Fuziyama afirmou ter investido recursos originados de US$ 50 milhões em lucros com Dogecoin.
O Metrópoles também publicou que investigadores apuravam se Kaze recebeu cerca de US$ 50 milhões de pirâmides financeiras estruturadas no exterior e citou One Thor e D9 como casos mencionados pela PF. O Portal do Bitcoin publicou que Kaze Fuziyama foi divulgador da D9 Club e dono da Mining Express, e afirmou que a Fortuito 2 mirou a rede de bens e dinheiro de Fuziyama.
O que o caso mostra sobre imóveis e transparência patrimonial
A Operação Fortuito 4 coloca novamente os imóveis no centro de uma investigação sobre crimes financeiros. O dado confirmado pela Polícia Federal é que bens móveis e imóveis registrados em nome de terceiros foram apontados nas apurações como evidência de lavagem de dinheiro.
Para o setor imobiliário no Rio de Janeiro, o caso reforça a importância da rastreabilidade patrimonial em operações que envolvem bens de alto valor. A informação pública disponível até agora indica bloqueio judicial de R$ 300 milhões, sequestro de imóveis e outros bens, além de cautelares cumpridas em quatro cidades.
A investigação segue vinculada à suspeita de pirâmide financeira global e à apuração de crimes financeiros, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Até o momento, os fatos confirmados pelas fontes disponíveis são os atos da operação, os valores bloqueados, os locais das diligências e a existência de bens, inclusive imóveis, alcançados pelas medidas judiciais.
Fontes
- Polícia Federal - Operação Fortuito 4, 21/05/2026
- O Dia - PF realiza ação contra esquema de pirâmide internacional no estado, 21/05/2026
- N3 News - Operação Fortuito 4 bloqueia R$ 300 mi, 21/05/2026
- Polícia Federal - Operação Fortuito 2, 29/01/2025
- Metrópoles - PF investiga brasileiro que abriu fábrica de criptomoedas na Ucrânia, 05/02/2025
- Portal do Bitcoin - Divulgador da D9 Club tem mansão de R$ 100 milhões apreendida pela PF, 05/02/2025



























