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IA não esvazia escritórios: REITs sobem nos EUA

Ações de REITs de escritórios avançaram no trimestre de junho, enquanto locações em Manhattan e San Francisco desafiam temor sobre IA.

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As ações de proprietários de escritórios nos EUA voltaram a subir no trimestre de junho de 2026, em uma recuperação que contrasta com o temor recente de que a inteligência artificial reduza empregos administrativos e, por consequência, a demanda por imóveis corporativos. Segundo a Barron’s, os papéis de proprietários de escritórios avançaram 35% no trimestre, depois de caírem 17% no 1º trimestre de 2026 e cerca de 14% em 2025.

O movimento não elimina os riscos para o mercado imobiliário de escritórios nos EUA, mas mostra que a leitura dos investidores mudou. A mesma análise atribuiu a melhora de percepção a resultados de locação de REITs focados em Nova York, como SL Green Realty e Vornado Realty Trust, com base em avaliação do analista Steve Sakwa, da Evercore ISI.

Mercado imobiliário nos EUA: REITs de escritórios superam índice amplo

Os dados da Nareit/FTSE/FactSet ajudam a dimensionar a virada. A série diária mostrava retorno total de 31,06% no subsetor Office no trimestre corrente até 25 de junho de 2026, em um grupo de 14 REITs. O dividend yield era de 4,27%, com retorno total de 9,39% no acumulado de 2026 e de 4,83% em 12 meses.

Na comparação, o índice FTSE Nareit All Equity REITs registrava retorno total de 16,05% no acumulado de 2026 e de 11,84% no 2º trimestre até 25 de junho de 2026. Ou seja, o segmento de escritórios teve desempenho trimestral superior ao índice amplo de REITs de ações nesse recorte.

Outro levantamento da Nareit apontava que os REITs de ações somavam retorno total de 14,4% no acumulado de 2026 até 22 de junho, enquanto os mREITs tinham perda de 0,2% no mesmo período.

Imóveis de escritório em Manhattan puxam melhora de percepção

A melhora nos papéis veio acompanhada de números mais fortes de locação em Manhattan. A SL Green Realty informou que, em 31 de março de 2026, detinha participações em 55 edifícios, com 30,8 milhões de pés quadrados. No 1º trimestre, a companhia assinou 51 leases de escritórios em Manhattan, somando 929.264 pés quadrados, com aluguel médio inicial de US$ 105,12 por pé quadrado alugável e prazo médio de 9,8 anos.

A ocupação same-store de escritórios da SL Green em Manhattan subiu para 94,4% em 31 de março de 2026, incluindo leases assinados ainda não iniciados, ante 93,0% no fim do trimestre anterior. Entre os contratos relevantes do período, a empresa citou Clay Labs na 11 Madison Avenue, Harvey AI na One Madison Avenue, TD Securities na 125 Park Avenue e Robinson & Cole na 100 Park Avenue.

A Vornado Realty Trust também apresentou atividade relevante em Nova York. A companhia assinou 311 mil pés quadrados de leases de escritórios na cidade no 1º trimestre de 2026, com aluguel inicial de US$ 102,50 por pé quadrado e prazo médio ponderado de 8,7 anos. O aluguel cash-basis em espaços de segunda geração em escritórios de Nova York subiu 9,7%, de US$ 93,04 para US$ 102,06 por pé quadrado.

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IA, tecnologia e imóveis: San Francisco muda a narrativa

O receio inicial do mercado era direto: se a IA cortasse empregos de colarinho branco em áreas como direito e finanças, a demanda por lajes corporativas poderia cair. O dado trabalhista reforça por que esse risco continua no radar. A Challenger, Gray & Christmas informou que empregadores dos EUA anunciaram 97.006 cortes de empregos em maio de 2026, alta de 16% sobre abril. A IA foi citada em 38.579 cortes anunciados no mês, equivalentes a 40% do total.

Mas, no mercado de escritórios, a própria expansão de empresas de IA também aparece como força de ocupação. Em San Francisco, a Savills informou que o leasing de escritórios atingiu 3,8 milhões de pés quadrados no 1º trimestre de 2026, o maior volume trimestral desde 2014, impulsionado por empresas de IA e tecnologia avançada.

A Savills citou OpenAI, Databricks e Anthropic como empresas responsáveis por parcela relevante da atividade de leasing em San Francisco no período. Segundo o relatório, a OpenAI ocupava mais de 1,0 milhão de pés quadrados na cidade, a Anthropic se aproximava de 1,0 milhão de pés quadrados após assumir mais dois edifícios no submercado Financial District South, e a Databricks ampliou sua presença na 1 Sansome para cerca de 240 mil pés quadrados.

Vacância e leasing indicam recuperação seletiva nos EUA

O quadro nacional também mostra sinais de estabilização, embora de forma desigual. A CBRE informou que a vacância total de escritórios nos EUA caiu 10 pontos-base para 18,6% no 1º trimestre de 2026, enquanto a vacância de imóveis prime caiu 80 pontos-base para 12,7%. A absorção líquida foi de 6,9 milhões de pés quadrados, o maior total de 1º trimestre desde 2020 e o oitavo trimestre consecutivo de demanda positiva.

Em Manhattan, a CBRE registrou 7,01 milhões de pés quadrados de leasing no 1º trimestre de 2026, 14% acima da média trimestral de cinco anos. A disponibilidade caiu 40 pontos-base no trimestre, para 15,1%, e ficou 290 pontos-base abaixo do nível de um ano antes.

Na região da Baía de San Francisco, a CBRE informou que empresas de tecnologia e IA alugaram mais de 14 milhões de pés quadrados em San Francisco e Silicon Valley em 2025, equivalentes a 55% da atividade total de leasing nesses dois mercados. Desde 2019, empresas de IA alugaram cerca de 21 milhões de pés quadrados nesses mercados.

Fechamento: recuperação dos REITs não encerra o debate

A alta dos REITs de escritórios nos EUA no trimestre de junho revela uma mudança de humor, não uma conclusão definitiva. Os mesmos dados que mostram cortes de empregos associados à IA convivem com leases volumosos de empresas de tecnologia, melhora de ocupação em Manhattan e demanda positiva no mercado nacional. Para investidores e ocupantes de imóveis corporativos, o ponto central é que a IA não está esvaziando os escritórios de forma linear: em alguns mercados, ela também está ajudando a preenchê-los.

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