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Santana, São Paulo: boom de imóveis mira bairro de 600 mil m²

Distrito teve 954 lançamentos residenciais em 2025, alta de 41%, enquanto a zona norte ganha novos vetores urbanos no Campo de Marte e Center Norte.

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Santana, na zona norte de São Paulo, registrou 954 lançamentos residenciais em 2025, volume 41% superior ao de 2024, segundo dados do Secovi-SP citados pela Folha de S.Paulo e republicados pela Abecip. O avanço dos imóveis ocorre em um momento em que a capital paulista também bateu recorde de lançamentos residenciais, com 139,7 mil unidades em 2025, alta de 34% sobre 2024.

O movimento reforça a leitura de que o mercado imobiliário de Santana, São Paulo, deixou de ser apenas uma alternativa consolidada na zona norte e passou a integrar uma nova fronteira de crescimento da cidade. A expansão não se limita ao miolo tradicional do distrito: a reportagem citada pela Abecip descreve lançamentos em todos os quadrantes, com avanço ao sul, em direção à marginal Tietê e ao Campo de Marte, e também em áreas próximas à Cantareira, onde há empreendimentos de alto padrão.

Mercado imobiliário em Santana, São Paulo, avança para novos eixos

A força recente de Santana combina localização, infraestrutura urbana e novos projetos de escala metropolitana. A estação Santana da Linha 1-Azul do Metrô, inaugurada em 26 de setembro de 1975, tem capacidade de 30 mil passageiros por hora/pico, área construída de 8.565 m² e integração com terminal de ônibus urbano, segundo o Metrô de São Paulo.

Mais ao sul, a estação Portuguesa-Tietê, também na Linha 1-Azul, fica na avenida Cruzeiro do Sul, 1777, funciona todos os dias das 4h40 à 0h e atende o eixo do Terminal Rodoviário do Tietê. Essa malha de transporte ajuda a explicar por que a expansão imobiliária se aproxima de áreas antes menos óbvias para lançamentos residenciais.

O Campo de Marte é uma peça importante nessa mudança. A área foi objeto de disputa judicial entre União e Município de São Paulo desde 1958. Em 17 de março de 2022, um acordo encerrou o litígio e previu a troca da indenização pelo uso da área pela dívida municipal com a União, estimada pela AGU em cerca de R$ 24 bilhões.

Campo de Marte e imóveis: parque amplia a escala urbana da zona norte

Antes do acordo que pôs fim à disputa, Prefeitura e Governo Federal já haviam assinado, em 19 de fevereiro de 2018, um termo definitivo de cessão de uso de 400 mil m² do Campo de Marte ao Município, com prazo de 20 anos prorrogável, para parque público e Museu Aeroespacial.

Em 26 de abril de 2024, o Decreto Municipal nº 63.374 criou o Parque Municipal Campo de Marte na avenida Olavo Fontoura, nº 1900, na Subprefeitura de Santana/Tucuruvi, com área de 385.883,66 m². Em 22 de janeiro de 2025, a Prefeitura assinou o contrato de concessão do parque, com parceria de 35 anos, concessionária Campo de Marte SPE S/A, outorga inicial de R$ 308 mil e investimento estimado de R$ 202 milhões.

Segundo a Prefeitura, o contrato prevê implantação, gestão, operação e manutenção de área de cerca de 400 mil m² na zona norte para atividades recreativas, esportivas, educacionais e socioculturais. Para o mercado imobiliário, a formalização de um parque dessa dimensão reorganiza expectativas sobre o entorno, especialmente em uma região já conectada por metrô, terminal rodoviário e eixos viários relevantes.

Cidade Center Norte leva bairro planejado de 600 mil m² ao radar de Santana

Outro vetor associado à transformação da zona norte é o entorno do Center Norte. A área aparece na pauta de crescimento conectada a Santana, embora esteja formalmente nos limites da Vila Guilherme. O Shopping Center Norte informa endereço na Travessa Casalbuono, 120, Vila Guilherme, enquanto o Lar Center fica na avenida Otto Baumgart, 500, também na Vila Guilherme.

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É nesse entorno que está previsto o Cidade Center Norte, projeto de 600 mil m² com torres residenciais e corporativas, lojas, restaurantes, hotel, centro de convenções e arena de eventos. O Valor Econômico informou que o empreendimento tem projeção de Valor Geral de Vendas de R$ 7,7 bilhões em até 15 anos e que a etapa inicial deve alcançar R$ 2 bilhões em investimentos até o fim de 2030.

A primeira etapa prevê três torres residenciais, uma torre comercial e fachada ativa. O primeiro residencial, chamado Bioma Cidade Center Norte, é anunciado pela incorporadora com apartamentos de 97 m², 123 m² e 165 m², 3 e 4 dormitórios e 2 vagas.

Residenciais, fachadas ativas e escritórios no mercado imobiliário da zona norte

A escala do Cidade Center Norte ajuda a dimensionar a mudança. O projeto prevê cerca de 6 mil imóveis residenciais, 94 mil m² de fachadas ativas e de 110 mil m² a 111 mil m² de imóveis corporativos, conforme materiais jornalísticos publicados pela Abecip e pelo Meio & Mensagem. Também está prevista uma arena multiuso com capacidade para 20 mil pessoas, além de centros educativos e de saúde.

Ainda que o empreendimento esteja na Vila Guilherme, sua influência tende a irradiar sobre Santana e outros bairros da zona norte, pela proximidade física e pela combinação de moradia, trabalho, comércio e serviços. O dado central, porém, permanece localizado: Santana teve 954 lançamentos residenciais em 2025 e cresceu 41% em relação a 2024.

São Paulo vive ciclo forte de lançamentos residenciais

O avanço de Santana ocorre dentro de um ciclo mais amplo. Na cidade de São Paulo, 2025 teve 139,7 mil unidades residenciais lançadas, alta de 34% sobre 2024, no maior volume já registrado pela Pesquisa do Mercado Imobiliário do Secovi-SP, segundo a Folha. O Minha Casa, Minha Vida respondeu por 61% dos lançamentos de 2025 na capital, equivalentes a 85,4 mil unidades, e por 64% das vendas, equivalentes a 72 mil unidades.

O ritmo seguiu forte no início de 2026. Em março, a capital paulista registrou 14.699 unidades residenciais novas lançadas e 10.857 unidades vendidas, segundo a Pesquisa Secovi-SP do Mercado Imobiliário divulgada pelo Jornal Imóvelp. No acumulado de 12 meses até março de 2026, São Paulo somou 138,2 mil unidades residenciais lançadas, 114,6 mil unidades vendidas e oferta de 84,0 mil unidades disponíveis para venda.

Para Santana, o ponto de atenção é a convergência entre lançamentos, transporte, novos equipamentos públicos e projetos privados de grande porte. A região que já tinha centralidade na zona norte passa a disputar capital imobiliário com argumentos urbanos mais amplos: conexão, adensamento, serviços e áreas públicas requalificadas. O resultado é um mercado mais visível, mais competitivo e cada vez menos periférico no mapa dos imóveis de São Paulo.

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