São Paulo tem 317 mil apartamentos em construção
Recordes de lançamentos entre 2023 e 2025 explicam a capital paulista em ritmo de canteiro, segundo dados do Secovi-SP.







São Paulo chegou a uma estimativa de 317 mil apartamentos em fase de construção, volume calculado a partir dos lançamentos residenciais dos últimos três anos e do ciclo tradicional de 36 meses entre o lançamento e a entrega das chaves. A conta reúne 73 mil unidades lançadas em 2023, 104,4 mil em 2024 e 139,7 mil em 2025, segundo dados do Secovi-SP citados pelo Estadão e republicados pela ABECIP.
O número resume a dimensão atual do mercado imobiliário na capital paulista: em 2025, a cidade lançou 139,7 mil unidades residenciais, alta de 34% em relação a 2024, vendeu 113,0 mil unidades, avanço de 9%, e registrou Valor Geral Lançado de R$ 81,7 bilhões, crescimento de 40%, conforme a Pesquisa do Mercado Imobiliário do Secovi-SP.
Mercado imobiliário de São Paulo bate recordes em lançamentos
O relatório completo de dezembro de 2025 do Secovi-SP detalha a escala do ciclo recente: foram 139.654 lançamentos no ano, VGL de R$ 81.656,7 milhões, vendas acumuladas em 12 meses de 113,0 mil unidades e VGV de R$ 58.795,4 milhões.
O ritmo não perdeu força no início de 2026. Em abril, a cidade de São Paulo teve 11.620 novas unidades residenciais lançadas. De janeiro a abril, os lançamentos somaram 39.509 unidades, segundo o relatório PMI de abril de 2026 do Secovi-SP.
No acumulado de 12 meses, de maio de 2025 a abril de 2026, os lançamentos chegaram a 141.842 unidades, ou 141,8 mil imóveis. Com base nesse total, o Estadão calculou uma média jornalística de 388 apartamentos lançados por dia na capital paulista.
Minha Casa, Minha Vida lidera unidades, mas imóveis de maior padrão concentram valor
O paradoxo do ciclo imobiliário aparece na composição dos lançamentos. Em 2025, o Minha Casa, Minha Vida respondeu por 85,4 mil unidades em São Paulo, equivalentes a 61% do total. Os chamados outros mercados somaram 54,3 mil unidades, ou 39%.
Em valor, a distribuição se inverte. Os lançamentos de 2025 somaram R$ 81,7 bilhões, dos quais R$ 58,2 bilhões vieram de outros mercados, equivalentes a 71% do total. O MCMV respondeu por R$ 23,4 bilhões, ou 29%, segundo Anuário do Secovi citado pelo Estadão.
Em abril de 2026, o Minha Casa, Minha Vida representou 75% das unidades lançadas na capital paulista, com 8.665 imóveis. Outros mercados registraram 2.955 unidades no mês. Nas vendas de abril, foram 9.588 unidades, sendo 6.572 no MCMV e 3.016 nos demais segmentos.
Oferta de imóveis em São Paulo inclui planta, obras e unidades prontas
A oferta final registrada em abril de 2026 era de 85.933 unidades, composta por imóveis na planta, em construção e prontos lançados nos últimos 36 meses, conforme o Secovi-SP. Esse estoque ajuda a dimensionar o volume de empreendimentos ainda em comercialização na cidade.
Entre os distritos citados pelo Estadão, a concentração de imóveis de médio e alto padrão é significativa. Vila Mariana reuniu 6,7 mil unidades lançadas em 2025, Itaim Bibi somou 5 mil, Pinheiros teve 3,5 mil e Moema registrou 3,4 mil.
Juntos, esses quatro distritos somaram 18,6 mil imóveis de médio e alto padrão em fase de obras pós-lançamento. O volume equivale a cerca de 35% das 54 mil unidades de médio e alto padrão lançadas em São Paulo em 2025.
São Paulo concentra fatia relevante do mercado imobiliário nacional
No contexto brasileiro, a dimensão da capital paulista também se destaca. A pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais da CBIC acompanha 221 municípios, em todos os estados, incluindo capitais e 21 regiões metropolitanas.
Em 2025, o Brasil registrou 453.005 unidades residenciais lançadas e VGL de R$ 292,3 bilhões. Com 139,7 mil lançamentos, São Paulo respondeu por 31% das unidades residenciais lançadas no país. Com R$ 81,7 bilhões em lançamentos, a capital representou 28% do VGL nacional.
Nas vendas, a CBIC registrou 426,2 mil unidades comercializadas no Brasil em 2025 e VGV de R$ 264,2 bilhões. No mesmo recorte, São Paulo teve 113 mil apartamentos vendidos e R$ 58,8 bilhões em VGV, equivalentes a 26% das unidades vendidas e 22% do VGV nacional.
O que o ciclo de obras indica para São Paulo
Os dados mostram uma capital em forte expansão de lançamentos residenciais, com participação elevada do Minha Casa, Minha Vida em número de unidades e peso expressivo dos imóveis de médio, alto e altíssimo padrão no valor financeiro do mercado imobiliário.
Para quem acompanha transparência urbana, construção civil e dinâmica dos imóveis em São Paulo, o dado de 317 mil apartamentos em construção é menos um ponto isolado e mais o retrato de três anos consecutivos de lançamentos em alta, com reflexos no estoque, nas obras em andamento e na distribuição territorial dos empreendimentos.



























