São Paulo vê imóveis comerciais saltarem 131% no pós-pandemia
Investimentos anunciados em imóveis comerciais e de uso misto no Estado somaram R$ 9,457 bilhões entre 2023 e 2025, aponta Seade.







Os investimentos anunciados em atividades imobiliárias comerciais e de uso misto no Estado de São Paulo somaram R$ 9,457 bilhões no triênio 2023-2025, alta de 131% ante os R$ 4,088 bilhões registrados em 2017-2019, antes da pandemia. O levantamento foi informado em junho de 2026 pela Fundação Seade, com base na Pesquisa de Investimentos Anunciados no Estado de São Paulo, a Piesp.
O avanço recoloca imóveis comerciais, complexos multiuso, galpões logísticos e shoppings no centro do mercado imobiliário paulista. Segundo a Seade, a virada está associada a fatores como a retomada do trabalho presencial e o crescimento do e-commerce. A metodologia da Piesp exclui investimentos em imóveis exclusivamente residenciais.
Mercado imobiliário em São Paulo: R$ 9,457 bilhões no triênio
O salto de 131% compara o triênio 2023-2025 com 2017-2019. No período intermediário, de 2020 a 2022, os investimentos anunciados somaram R$ 8,263 bilhões, também segundo a Fundação Seade. O dado mostra que a recuperação do segmento comercial e de uso misto ganhou escala no pós-pandemia.
A composição dos investimentos ajuda a explicar o movimento. Complexos multiuso responderam por 59% do total anunciado entre 2023 e 2025, equivalentes a R$ 5,6 bilhões. Condomínios logísticos receberam 21% dos recursos, ou R$ 2 bilhões; shopping centers ficaram com 16%, ou R$ 1,5 bilhão; e edifícios corporativos somaram R$ 350 milhões.
Imóveis multiuso concentram a maior fatia dos investimentos
Os dois maiores investimentos multiuso citados pela Seade são o Urman, da Porte Engenharia, na Mooca, com R$ 3 bilhões, e o Parque Global, do grupo Bueno Netto, no Morumbi, com R$ 2 bilhões. Os dois projetos ilustram a aposta em empreendimentos que combinam diferentes usos em áreas urbanas consolidadas da capital paulista.
O Urman São Paulo informa ter mais de 10 usos em terreno de mais de 20.000 m², 17 pavimentos de lajes corporativas, 27.600 m² de lajes, unidades corporativas de 829 m² a 2.485 m², mall com 78 lojas, praça ao ar livre de 3.000 m², 11 salas de cinema, teatro para 1.560 pessoas, centro de convenções de 8.600 m² e hotel Tru by Hilton.
Já o Parque Global informa reunir residências, complexo de inovação, saúde e educação, Global Medical Center, hotel v3rso tailored by Emiliano, Shopping Parque Global e parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein.
Região Metropolitana de São Paulo lidera a retomada
A concentração regional é outro ponto central do levantamento. A Região Metropolitana de São Paulo recebeu 84% dos investimentos anunciados no triênio 2023-2025, somando R$ 7,9 bilhões. Na sequência aparecem as regiões administrativas de Sorocaba, Campinas, Ribeirão Preto e Araçatuba, com R$ 520 milhões, R$ 480 milhões, R$ 400 milhões e R$ 150 milhões, respectivamente.
Entre os condomínios logísticos destacados pela Seade estão Prologis, em São Bernardo do Campo; Aero I e Aero II, da Brookfield, em Guarulhos; e Goodman, em Santo André. Entre os shoppings citados no levantamento aparecem Santa Maria Outlet, da Pereira Alvim, em Cravinhos, e Americana Shopping, da Restum, em Americana.
Escritórios em São Paulo reforçam o cenário de ocupação
Dados da JLL ajudam a contextualizar a retomada dos escritórios de alto padrão na capital. Em 29 de janeiro de 2026, a consultoria informou que o mercado de São Paulo encerrou 2025 com recorde histórico de absorções bruta e líquida e vacância de 14,7% no quarto trimestre, o menor nível em 14 anos.
A JLL também informou que o preço médio de escritórios de alto padrão na capital paulista chegou a R$ 117/m² em 2025, alta de 12% em relação ao ano anterior, e que foram entregues 84 mil m² em novos empreendimentos na cidade. No mesmo ano, a consultoria registrou 10 locações de grandes lajes acima de 10 mil m², maior volume desde 2016, associando o movimento à terceira onda de retomada do trabalho presencial.
No primeiro trimestre de 2026, a vacância de escritórios de alto padrão em São Paulo caiu para 13,4%, menor patamar em 14 anos, enquanto o preço médio pedido acumulou alta de 8% em 12 meses e de 24,3% em 24 meses. A JLL registrou ainda 12 locações acima de 3 mil m² e seis operações superiores a 5 mil m² no período.
Galpões logísticos avançam com o e-commerce
A força dos condomínios logísticos aparece em paralelo ao crescimento das vendas online. A Abiacom informou que o e-commerce brasileiro faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, alta de aproximadamente 15,3% sobre 2024, com 438,9 milhões de pedidos, ticket médio de R$ 536,60 e 94,2 milhões de compradores online. O Sudeste respondeu por mais de 55% das compras online em 2025, e o Estado de São Paulo liderou o volume de vendas digitais, com 32% do total nacional.
No mercado logístico nacional, a JLL informou que a absorção líquida foi de 1,1 milhão de m² no primeiro trimestre de 2026, maior volume da série histórica para início de ano, enquanto a vacância nacional caiu para 6,5%, menor valor registrado. A consultoria também apontou alta de 8,2% em 12 meses no preço médio pedido de galpões logísticos no Brasil; no Estado de São Paulo, a alta foi de 12%.
A Cushman & Wakefield informou que o mercado paulista de galpões logísticos de alto padrão encerrou 2025 com absorção líquida anual de 1.014.235 m² e entregas anuais de 1.008.425 m². Guarulhos liderou as novas entregas logísticas em São Paulo em 2025, com 443.724 m², seguida por Cajamar, com 180.424 m², e Grande ABC, com 110.582 m².
Shoppings completam a recuperação dos imóveis comerciais
O segmento de shopping centers também aparece na composição do investimento. A Abrasce informa que o setor brasileiro soma 658 shoppings, faturamento de R$ 200,9 bilhões, 124.791 lojas, 18,3 milhões de m² de área bruta locável, 471 milhões de visitantes por mês e 11 inaugurações previstas para 2026.
Entre os empreendimentos citados pela Seade, o Santa Maria Outlet, em Cravinhos, foi inaugurado em 20 de novembro de 2024, recebeu investimento de R$ 400 milhões do Grupo Pereira Alvim e tem 20 mil m² de área locável. O Americana Shopping foi inaugurado em 30 de outubro de 2025 com investimento superior a R$ 250 milhões, mais de 2 mil empregos diretos e indiretos e 28 mil m² de ABL.
O quadro consolidado mostra que a recuperação dos imóveis comerciais em São Paulo não se limita a um único produto imobiliário. A retomada combina lajes corporativas, complexos multiuso, centros de compras e galpões logísticos, com forte concentração na Região Metropolitana de São Paulo e conexão direta com mudanças de ocupação, consumo e distribuição no pós-pandemia.
Fontes
- Fundação Seade/Piesp, junho de 2026
- Urman São Paulo/Porte Engenharia
- Parque Global
- JLL, 29 de janeiro de 2026
- JLL, 4 de maio de 2026
- JLL, mercado de galpões logísticos em 2026
- Cushman & Wakefield, MarketBeat Industrial T4 2025
- Mercado & Consumo/Abiacom, 16 de fevereiro de 2026
- Abrasce, Números do Setor
- Abrasce, Santa Maria Outlet
- InvestSP, Americana Shopping



























