SBPE volta ao azul no Brasil e alivia crédito imobiliário
Poupança do SBPE tem entrada líquida de R$ 2,3 bilhões em maio, mas saldo acumulado em 2026 ainda é negativo em R$ 29,2 bilhões.







A poupança do SBPE voltou a mostrar entrada líquida no Brasil em maio de 2026 e deu um sinal de alívio para o crédito imobiliário. A captação líquida foi positiva em R$ 2,3 bilhões no mês, segundo mês consecutivo no azul após entrada de R$ 499 milhões em abril, de acordo com dados citados pelo Portas. Antes da reação, o sistema havia registrado saídas de cerca de R$ 32 bilhões entre janeiro e março.
A melhora, porém, ainda não elimina a fragilidade do funding usado no financiamento de imóveis. No acumulado de janeiro a maio de 2026, o SBPE permanecia com retirada líquida de cerca de R$ 29,2 bilhões. No mesmo intervalo de 2025, a retirada líquida havia sido de R$ 39,1 bilhões, segundo o Portas.
Crédito imobiliário no Brasil ganha fôlego com o SBPE
O SBPE tem a finalidade de promover o financiamento imobiliário por meio da captação e do direcionamento de recursos de depósitos de poupança, conforme a Resolução nº 4.676/2018 do Banco Central. Por isso, a entrada líquida em maio importa para o mercado imobiliário: ela melhora a base de recursos que abastece uma parte relevante dos financiamentos habitacionais fora do FGTS.
O estoque do SBPE também avançou. O saldo passou de R$ 748,6 bilhões em março de 2026 para R$ 753,8 bilhões em abril e R$ 760,7 bilhões em maio, segundo o Portas. A Abecip informou que, em abril, o saldo das cadernetas SBPE chegou a R$ 753,8 bilhões, com alta de 0,70% ante março e de 0,18% ante abril de 2025.
Virada veio após saques fortes no início de 2026
A recuperação de abril e maio veio depois de um começo de ano negativo. Entre janeiro e março de 2026, a captação líquida do SBPE foi negativa em cerca de R$ 32 bilhões: saídas de R$ 18,8 bilhões em janeiro, R$ 4,1 bilhões em fevereiro e R$ 9,1 bilhões em março, conforme levantamento publicado pelo Portas.
Em abril, a Abecip registrou a primeira captação líquida positiva do ano no SBPE, de R$ 499 milhões. No mesmo mês de 2025, a captação havia sido negativa em R$ 4,3 bilhões. O dado de maio, com entrada de R$ 2,3 bilhões, confirmou o segundo mês seguido de recuperação.
Selic ainda pesa sobre a poupança e os imóveis
O ambiente de juros segue sendo um fator central para a poupança e, por consequência, para o crédito imobiliário. A Agência Brasil atribuiu parte dos saques da poupança à Selic elevada, que estimula aplicações com melhor desempenho. Na data de divulgação do dado de maio da poupança, a Selic estava em 14,50% ao ano após decisão do Copom de abril.
Em 17 de junho de 2026, o Copom reduziu a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano, segundo a Agência Brasil. Ainda assim, os dados disponíveis mostram que a recomposição da poupança ocorre depois de meses de retirada líquida expressiva.
Poupança total também teve entrada em maio
A melhora não ficou restrita ao SBPE. A caderneta de poupança total, somando modalidades, teve entrada líquida de R$ 2,6 bilhões em maio de 2026, de acordo com a Agência Brasil. No mês, os depósitos somaram R$ 368,4 bilhões, os saques chegaram a R$ 365,8 bilhões, os rendimentos creditados foram de R$ 6,2 bilhões e o saldo total ficou pouco acima de R$ 1 trilhão.
Apesar da entrada em maio, a poupança total ainda acumulava retirada líquida de R$ 39,1 bilhões nos primeiros cinco meses de 2026, segundo a Agência Brasil. O quadro reforça a leitura de melhora pontual, mas ainda insuficiente para apagar as perdas acumuladas no ano.
Financiamentos imobiliários seguem relevantes no mercado
Mesmo com a pressão sobre a poupança, os financiamentos imobiliários com recursos das cadernetas do SBPE somaram R$ 16,98 bilhões em abril de 2026, segundo o Boletim Data Abecip. O volume representou queda de 8,1% ante março e alta de 35,2% ante abril de 2025. A Abecip informou ainda que esse foi o melhor resultado para um mês de abril em sua série histórica.
Em abril, foram financiadas 55,5 mil aquisições e construções de imóveis com recursos do SBPE, alta de 1,5% ante março e de 54,4% ante abril de 2025. No primeiro quadrimestre de 2026, os financiamentos com recursos da poupança somaram R$ 59,4 bilhões, alta de 17,7% frente ao mesmo período de 2025.
Projeções da Abecip para o mercado imobiliário
A Abecip projetou crescimento de 16% do financiamento imobiliário em 2026. A estimativa inclui concessões via poupança SBPE de R$ 180 bilhões, alta de 15%, e financiamentos via FGTS de R$ 145 bilhões, alta de 5%, conforme informação publicada pela entidade com base em reportagem do Valor Econômico.
O ponto de partida é um mercado que cresceu de forma desigual em 2025. Segundo a Abecip, o financiamento imobiliário total somou R$ 324 bilhões naquele ano, com crescimento de 3%. O financiamento com recursos da poupança caiu 13%, enquanto as operações com recursos livres avançaram 246%, para R$ 31 bilhões.
O que muda para o comprador de imóveis no Brasil
A entrada líquida do SBPE em maio ajuda a aliviar a pressão sobre a oferta de crédito imobiliário, mas não muda sozinha o quadro acumulado de 2026. A poupança ligada ao sistema ainda registrava saída líquida de R$ 29,2 bilhões de janeiro a maio, e a Selic permanecia em patamar elevado mesmo após a redução de junho.
Para o mercado imobiliário no Brasil, o dado relevante é a combinação entre recomposição do saldo, melhora mensal da captação e manutenção de volumes expressivos de financiamento. O avanço do saldo para R$ 760,7 bilhões em maio sinaliza recuperação, mas a trajetória dos próximos meses dependerá da capacidade da poupança de sustentar entradas líquidas em um ambiente de competição com aplicações mais rentáveis.
Fontes
- Portas - Poupança para financiamento imobiliário fica no azul pelo segundo mês
- Abecip - Boletim Data Abecip Abril/2026
- Agência Brasil - Poupança tem entrada líquida de R$ 2,6 bilhões em maio
- Agência Brasil - Copom reduz taxa Selic para 14,25% ao ano
- Banco Central - Resolução nº 4.676/2018
- Abecip/Valor Econômico - Financiamento imobiliário deve crescer 16% em 2026



























