Selic a 13,75% adia alívio no crédito imobiliário no Brasil
Focus elevou projeção da Selic terminal de 2026 e inflação esperada segue acima do teto da meta, mantendo pressão sobre imóveis e financiamento.







O mercado financeiro elevou em 15 de junho de 2026, pela segunda semana seguida, a mediana da Selic esperada para o fim de 2026, de 13,50% para 13,75% ao ano. A revisão, divulgada no Boletim Focus às vésperas da reunião do Copom de 16 e 17 de junho, reforça um cenário de crédito imobiliário ainda caro no Brasil, sobretudo nas linhas de mercado usadas para financiar imóveis fora das faixas mais subsidiadas.
Na mesma edição do Focus, a projeção para o IPCA de 2026 subiu de 5,11% para 5,30%, na 14ª alta semanal consecutiva. O número está acima do teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional, de 3,00%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima, intervalo que vai de 1,50% a 4,50%.
Selic no Brasil mantém mercado imobiliário sob pressão
O Copom chegou à reunião de junho com a Selic em 14,50% ao ano, patamar registrado também pela série oficial da meta Selic do Banco Central em 17 de junho de 2026. Na reunião anterior, em abril, o comitê havia reduzido a taxa em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano, por unanimidade.
A mudança nas expectativas mostra que o mercado passou a prever uma Selic mais alta por mais tempo. Além da taxa de 13,75% ao ano para o fim de 2026, o Focus indicou alta nas projeções de 2027, para 12,00% ao ano, e de 2028, para 10,25% ao ano. Para 2029, a estimativa ficou em 10,00% ao ano.
Esse quadro afeta diretamente o mercado imobiliário porque a Selic é referência central para o custo do dinheiro na economia. Quando a taxa básica permanece elevada, o financiamento habitacional tende a ficar mais pesado para famílias que dependem de crédito de mercado para comprar imóveis.
Inflação e Habitação reforçam cautela no crédito imobiliário
O IPCA de maio de 2026 foi de 0,58%, acumulou 3,20% no ano e chegou a 4,72% em 12 meses, segundo o IBGE. A composição do índice também ajuda a explicar a cautela: Alimentação e bebidas subiu 1,33% no mês e respondeu por impacto de 0,29 ponto percentual, enquanto Habitação avançou 1,22%, com impacto de 0,18 ponto percentual.
Com a inflação projetada acima do limite superior da meta, diminui o espaço para uma queda mais rápida dos juros. Para quem busca imóveis no Brasil, o efeito prático aparece na parcela do financiamento, na renda exigida pelos bancos e na comparação entre comprar agora ou adiar a decisão.
Taxas para imóveis seguem perto ou acima de 12% ao ano
Os dados do Banco Central para maio de 2026 mostram linhas de mercado de financiamento imobiliário pós-fixado referenciado em TR com custo próximo ou acima de 12% ao ano. Na modalidade, a Caixa Econômica Federal aparecia com 12,00% ao ano; Itaú Unibanco, com 12,04%; Bradesco, com 12,27%; Santander, com 12,54%; e Banco do Brasil, com 14,76%.
Nas linhas prefixadas de mercado, o custo era ainda mais elevado nos registros do Banco Central para maio. O Santander aparecia com 15,33% ao ano, a Poupex com 19,11% ao ano e o Banco Ribeirão Preto com 20,76% ao ano.
Já as taxas reguladas pós-fixadas em TR continuavam em patamar mais baixo. Em maio de 2026, a Caixa aparecia com 8,03% ao ano, a Poupex com 8,66% ao ano e o Banco Inter com 9,39% ao ano. A diferença evidencia por que programas e linhas reguladas seguem relevantes para parte dos compradores.
Minha Casa, Minha Vida amplia faixas e valores de imóveis
O Minha Casa, Minha Vida passou a operar novas condições pela Caixa a partir de 22 de abril de 2026, depois de aprovação pelo Conselho Curador do FGTS e regulamentação pelo Ministério das Cidades. A faixa 1 passou a atender famílias com renda mensal de até R$ 3.200; a faixa 2 subiu para R$ 5.000; a faixa 3 passou a R$ 9.600; e a faixa 4 subiu para R$ 13.000.
O programa também ampliou os limites de valor dos imóveis em faixas mais altas. O valor máximo da faixa 3 subiu de R$ 350 mil para R$ 400 mil, enquanto o da faixa 4 passou de R$ 500 mil para R$ 600 mil. Em um ambiente de Selic elevada, essas condições ajudam a separar o custo do crédito subsidiado do financiamento concedido em condições de mercado.
SBPE cresce no ano, mas poupança acumula saída líquida
No crédito imobiliário com recursos da poupança SBPE, os financiamentos somaram R$ 16,98 bilhões em abril de 2026, queda de 8,1% contra março e alta de 35,2% frente a abril de 2025, segundo a Abecip. No primeiro quadrimestre, o volume chegou a R$ 59,4 bilhões, avanço de 17,7% sobre o mesmo período de 2025.
Também em abril, foram financiados 55,5 mil imóveis pelo SBPE, alta de 54,4% em relação a abril de 2025. Ao mesmo tempo, a poupança SBPE registrou captação líquida positiva de R$ 499 milhões no mês, mas ainda acumulava saída líquida de R$ 31,5 bilhões nos quatro primeiros meses de 2026.
O conjunto dos dados mostra um mercado imobiliário ainda ativo, mas condicionado por juros altos, inflação acima do teto da meta e custos de financiamento elevados. Sem uma trajetória mais clara de queda da Selic, o alívio no crédito imobiliário no Brasil tende a ficar adiado para compradores que dependem das linhas de mercado.
Fontes
- Agência Brasil - Mercado financeiro eleva previsão da Selic para 13,75% ao ano
- Agência Brasil - Copom avalia indicadores econômicos e decide sobre Selic
- Banco Central - SGS série 432, meta Selic
- Banco Central - Nota do Copom de 29/04/2026
- IBGE - Em maio, IPCA fica em 0,58%
- Banco Central - Taxas de juros mensal por mês
- Ministério das Cidades - Novas condições do Minha Casa, Minha Vida
- Abecip - Data Abecip abril de 2026



























