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Selic cai no Brasil, mas juro longo trava crédito imobiliário

Após corte para 14,25% ao ano, curva futura subiu e acendeu alerta para financiamento de imóveis no Brasil.

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O Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual em 17 de junho de 2026, de 14,50% para 14,25% ao ano, mas o movimento não trouxe alívio automático ao crédito habitacional no Brasil. No dia seguinte à decisão, os juros futuros de médio e longo prazo subiram em alguns vencimentos, justamente a referência usada para precificar financiamentos imobiliários, segundo a Folha.

O paradoxo é central para compradores, incorporadoras e bancos: a taxa básica caiu pela terceira vez consecutiva, conforme a Agência Brasil, mas a parte longa da curva, que afeta contratos de maior prazo, ficou mais cara. Para o mercado imobiliário, isso pode significar financiamento mais restrito, prestações pressionadas e exigência de entradas maiores.

Juro longo sobe no Brasil após corte da Selic

A decisão do Copom foi unânime. O Banco Central, porém, não indicou uma trajetória fechada para os próximos cortes e afirmou que a “magnitude total do ciclo” dependerá de novas informações, segundo o UOL.

O comunicado também deslocou o horizonte relevante de convergência da inflação para o primeiro trimestre de 2028, ponto citado por analistas como origem do ruído de comunicação depois da decisão, de acordo com a Folha. Na prática, enquanto os vencimentos de 2026 recuaram, os juros futuros de médio e longo prazo subiram mais de 0,20 ponto percentual em alguns prazos.

O DI janeiro/2029 avançou para 14,77%, alta de 0,24 ponto percentual ante o ajuste pré-Copom. O DI janeiro/2035 subiu para 14,52%, alta de 0,25 ponto percentual ante a véspera, segundo a mesma reportagem.

Por que isso pesa nos imóveis e no crédito habitacional

O efeito sobre imóveis não depende apenas da Selic corrente. Marcelo Mello, CEO da SulAmérica Investimentos, afirmou à Folha que financiamentos para grandes empresas, crédito imobiliário e linhas de investimento estruturadas são precificados pela curva de juros futuros.

Esse ponto explica por que a queda da taxa básica pode conviver com aperto no financiamento. Se o custo de longo prazo sobe, bancos e investidores tendem a exigir remuneração maior para emprestar por períodos extensos, como ocorre nos contratos habitacionais.

No setor imobiliário, o portal Portas informou que a Selic em 14,25% mantém aplicações de renda fixa atrativas, pode desviar recursos da poupança usada como funding do crédito imobiliário de classe média e alta, eleva o custo do financiamento e pode exigir entradas maiores dos compradores.

Inflação ainda desafia o mercado imobiliário no Brasil

A inflação ajuda a entender a cautela. O IPCA de maio de 2026 foi de 0,58%, e o acumulado em 12 meses chegou a 4,72%, segundo o IBGE. O centro da meta de inflação é 3%, com intervalo de tolerância de 1,50 ponto percentual para baixo e para cima, isto é, de 1,50% a 4,50%, conforme a Agência Brasil.

O Boletim Focus divulgado em 15 de junho de 2026 projetou IPCA de 5,30% em 2026 e 4,10% em 2027, além de Selic de 13,75% no fim de 2026 e 12,00% no fim de 2027, segundo o Banco Central. Esses números indicam expectativa de queda adiante, mas ainda com juros elevados por período relevante.

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Entidades veem crédito caro e investimento adiado

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção, por meio da economista-chefe Ieda Vasconcelos, afirmou que a Selic ainda está em patamar restritivo, encarece crédito, adia decisões de investimento e dificulta crescimento econômico mais consistente, segundo o Portas.

A Associação Brasileira de Incorporadoras, por meio do presidente Luiz França, afirmou que juros elevados reduzem a capacidade de consumo das famílias, aumentam dificuldades orçamentárias e elevam obstáculos para empresas investirem, crescerem e gerarem empregos, também conforme o Portas.

Funding da poupança é ponto sensível para imóveis

Os dados de crédito mostram um setor ainda ativo, mas dependente de condições financeiras. Em abril de 2026, os financiamentos imobiliários com recursos do SBPE somaram R$ 16,98 bilhões, queda de 8,1% ante março e alta de 35,2% ante abril de 2025, segundo a Abecip.

Nos quatro primeiros meses de 2026, os financiamentos imobiliários com recursos da poupança somaram R$ 59,4 bilhões, alta de 17,7% sobre igual período de 2025. Em 12 meses encerrados em abril de 2026, o volume financiado pelo SBPE somou R$ 165,2 bilhões, queda de 9,7% ante os 12 meses anteriores, de acordo com a Abecip.

A poupança SBPE teve captação líquida positiva de R$ 499 milhões em abril de 2026, mas acumulava saída líquida de R$ 31,5 bilhões nos quatro primeiros meses do ano. Já a caderneta de poupança total teve entrada líquida de R$ 2,6 bilhões em maio, com depósitos de R$ 368,4 bilhões, saques de R$ 365,8 bilhões e rendimentos creditados de R$ 6,2 bilhões, segundo a Agência Brasil.

Apesar da entrada em maio, a caderneta total acumulou R$ 39,1 bilhões em retiradas líquidas nos cinco primeiros meses de 2026. No recorte setorial citado pelo Portas, a poupança ligada ao crédito imobiliário registrou em maio o segundo mês consecutivo de captação positiva, mas o saldo acumulado de 2026 ainda era negativo em R$ 29,2 bilhões, cerca de 25% menor que em igual período de 2025.

Perspectiva para financiamento imobiliário no Brasil

A Abecip projetou em janeiro de 2026 crescimento de 16% no financiamento imobiliário total no ano, com SBPE avançando 15% para R$ 180 bilhões, FGTS crescendo 5% para R$ 145 bilhões e recursos livres crescendo 66% após somarem R$ 31 bilhões em 2025, conforme notícia da Abecip/Valor Econômico.

Na mesma publicação, a presidente da Abecip, Priscilla Ciolli, afirmou que a continuidade da redução das taxas imobiliárias dependeria de fatores como cortes da Selic em 2026 e que, quando os recursos liberados pelo compulsório se esgotassem, seria necessário outro cenário de Selic para manter taxas menores.

O sinal para o comprador de imóveis no Brasil é de cautela. O corte da Selic melhora a direção da política monetária, mas a alta dos juros longos mostra que o custo efetivo do financiamento habitacional depende da confiança na trajetória de inflação, da comunicação do Banco Central e da capacidade da poupança de sustentar o crédito imobiliário.

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