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Investimento Mato Grosso

SLC e Bom Futuro disputam imóveis rurais da Radar em Mato Grosso

Empresas dizem ter preferência sobre o mesmo bloco de 41.214 hectares da Radar em Mato Grosso, em operação de R$ 1,85 bilhão.

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Duas grandes produtoras agrícolas, SLC Agrícola e Bom Futuro Agrícola, afirmaram em 26 de junho de 2026 ter exercido direito de preferência sobre os mesmos imóveis rurais do Grupo Radar em Mato Grosso. A transação envolve o chamado Bloco Mato Grosso, avaliado em R$ 1,85 bilhão, com 41.214 hectares de área de matrícula e cerca de 28,8 mil hectares agricultáveis.

A disputa ocorre poucos dias depois de a Cosan informar, em 17 de junho de 2026, que o Grupo Radar havia celebrado compromisso de compra e venda para alienar parte de seu portfólio de propriedades agrícolas no estado. Segundo a companhia, os imóveis representam 12% do portfólio total de propriedades agrícolas da Radar e são destinados ao cultivo de soja, milho e algodão.

Imóveis em Mato Grosso somam 41.214 hectares

O bloco colocado em negociação reúne 41.214 hectares em Mato Grosso. Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários, a SLC informou que a área inclui cerca de 28,8 mil hectares agricultáveis e que esses hectares historicamente oportunizam 100% de plantio de segunda safra.

A SLC também declarou que já opera 17,6 mil hectares dos 28,8 mil hectares agricultáveis do bloco. A empresa informou que a eventual aquisição seria feita “porteira fechada”, em caráter indivisível e em igualdade de condições com a proposta recebida pelas proprietárias dos ativos.

Do lado da Bom Futuro, a empresa informou em nota que, “na condição de arrendatária”, exerceu junto ao Grupo Radar direito de preferência sobre os imóveis do Bloco Mato Grosso, na totalidade e nos termos da oferta de R$ 1,85 bilhão. A companhia afirmou ainda que o investimento tem sinergia com suas demais propriedades e aderência à estratégia de crescimento em Mato Grosso, onde atua há mais de 44 anos.

Mercado imobiliário rural vê impasse por preferência

A Reuters reportou que SLC Agrícola e Bom Futuro Agrícola afirmaram no mesmo dia ter exercido direito de preferência sobre as mesmas terras do Bloco Mato Grosso. Segundo a agência, a SLC declarou já operar parte das terras envolvidas, enquanto a Bom Futuro declarou exercer preferência por ser arrendatária.

O AgFeed informou que a nota da Bom Futuro foi distribuída cerca de quatro horas depois da publicação do fato relevante da SLC. O veículo também informou que a SLC apontou direito de preferência em contratos de arrendamento relativos a 17,6 mil hectares do conjunto de terras, enquanto a Bom Futuro apontou ser arrendatária de outra parte, sem informar o total sob sua gestão.

De acordo com o AgFeed, em 18 de junho de 2026 a SLC comunicou ter sido formalmente notificada pela Radar sobre a negociação dos 41,2 mil hectares com o Grupo Bom Futuro e que avaliaria o exercício do direito de preferência. O episódio tornou a operação um caso relevante para o mercado imobiliário rural, por envolver ativos agrícolas de grande escala e cláusulas de preferência em contratos de arrendamento.

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Preço de R$ 1,85 bilhão e impacto financeiro

A estrutura de pagamento comunicada pela SLC prevê sinal de R$ 700 milhões em conta vinculada em até cinco dias úteis a partir de 26 de junho de 2026. O saldo de R$ 1,15 bilhão seria pago na lavratura das escrituras públicas de compra e venda, prevista até 30 de outubro de 2026.

A SLC informou ainda que o sinal de R$ 700 milhões deve ser corrigido por 100,25% do CDI a partir de cinco dias úteis contados de 28 de maio de 2026. A companhia condicionou a operação à aprovação do CADE, se aplicável, e a demais condições precedentes previstas nos documentos definitivos.

Para a Cosan, cerca de R$ 586 milhões do preço total correspondem à sua participação econômica na operação. A companhia declarou que a venda está alinhada à estratégia de desinvestimentos, redução da alavancagem e simplificação de portfólio.

Avaliações de bancos sobre os imóveis agrícolas

Segundo a Reuters, o BTG Pactual citou custo de cerca de R$ 65 mil por hectare plantável e estimou Ebitda potencial de R$ 4 mil a R$ 5 mil por hectare nessa área. A agência também informou que o BTG projetou aumento de cerca de 0,7 vez na relação dívida líquida/Ebitda da SLC, para perto de 3 vezes, enquanto o UBS estimou avanço da alavancagem para até 2,4 vezes.

O tamanho das empresas envolvidas ajuda a explicar a relevância da disputa. O site oficial da Bom Futuro informa que o grupo tem 35 unidades de produção, mais de 700 mil hectares de cultivo, produção e beneficiamento de 1,9 milhão de toneladas de grãos, 360 mil toneladas de pluma de algodão e 440 mil toneladas de caroço de algodão.

O que observar na disputa em Mato Grosso

Até aqui, as informações públicas mostram duas manifestações de preferência sobre o mesmo conjunto de imóveis rurais em Mato Grosso, ambas associadas a posições de arrendamento. O desfecho dependerá das condições previstas nos documentos definitivos, da análise regulatória quando aplicável e da forma como os direitos de preferência serão reconhecidos no processo de venda.

Para investidores e agentes do mercado imobiliário, o caso concentra temas centrais do setor: escala produtiva, valor por hectare plantável, alavancagem financeira e segurança contratual em propriedades agrícolas. Em Mato Grosso, onde o bloco é destinado a soja, milho e algodão, a definição sobre quem ficará com os ativos poderá reorganizar uma fatia relevante de terras agrícolas já em operação.

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