No Brasil, terra da SLC vale R$ 13,5 bi, mas hectare freia
Avaliação da Deloitte mostra alta de só 1% no hectare agricultável da SLC em 2026, apesar de valorização anual composta de 12,7% desde o IPO.







A SLC Agrícola divulgou em 15 de junho de 2026 uma nova fotografia de seu portfólio de terras no Brasil: as áreas próprias da companhia e as áreas vinculadas a acordos de associação com Fundos de Investimento em Participações administrados pela BTG Pactual Serviços Financeiros foram avaliadas pela Deloitte Touche Tohmatsu Ltda. em R$ 13.526.780.000.
O dado central para o mercado imobiliário rural está no ritmo: o valor médio do hectare agricultável chegou a R$ 59.534, mas avançou apenas 1,0% na atualização de 2026. A CNN Brasil também registrou o portfólio em R$ 13,5 bilhões, com hectare agricultável a R$ 59,53 mil e alta de 1% no período.
Mercado imobiliário rural no Brasil mostra desaceleração no hectare
A avaliação anual das terras da SLC é um termômetro incomum para imóveis rurais no Brasil por envolver uma grande companhia aberta do agronegócio e por ser divulgada com metodologia formal. Segundo o documento enviado à CVM, a análise considera apenas terra nua, excluindo prédios, instalações, benfeitorias e maquinário.
Essa delimitação importa para investidores porque separa o valor imobiliário da terra dos demais ativos operacionais. O gráfico da companhia mostra o portfólio total de terras em R$ 13,4 bilhões em 2025 e R$ 13,5 bilhões em 2026, com variação de 1,0% calculada sobre o valor absoluto.
O contraste fica mais forte quando a evolução de 2026 é comparada à série histórica. O mesmo material informa CAGR de 12,70% ao ano para “mesmas fazendas” no período de 2007 a 2026, desde o IPO, enquanto o CAGR do CDI no período de 2007 a junho de 2026 foi de 8,2%, descontado 15% de Imposto de Renda.
NAV da SLC sobe 0,6% com nova avaliação de imóveis rurais
A atualização também teve impacto limitado no NAV. A SLC informou que o NAV atualizado pela nova avaliação teve incremento de 0,6% em relação ao NAV divulgado em 31 de março de 2026. A CNN Brasil destacou o mesmo avanço de 0,6% e a taxa composta de 12,7% desde o IPO de 2007.
No quadro de NAV da companhia, os ativos totais somam R$ 22.971 milhões, os passivos totais chegam a R$ 9.147 milhões, o NAV é de R$ 13.824 milhões e o NAV por ação é de R$ 27,7, com base em 498.745.930 ações.
A metodologia declarada pela SLC usa o Método Comparativo Direto de Dados de Mercado, conforme as normas ABNT NBR 14653-1 e NBR 14653-3. O relatório “Portfólio de Terras: Atualização 2026” foi assinado em Porto Alegre por Ivo Marcon Brum, Diretor Financeiro e de Relações com Investidores.
Escala agrícola ajuda a explicar a relevância dos imóveis da SLC
A dimensão operacional da empresa reforça por que a avaliação é acompanhada por investidores do setor. O AgFeed registrou que a SLC divulga anualmente, em junho, a avaliação de seu portfólio de terras e que a companhia opera 26 fazendas em 8 estados.
No ITR do primeiro trimestre de 2026, a SLC informou área total forecast de 830.282 hectares para a safra 2025/26, alta de 12,8% sobre os 735.906 hectares da safra 2024/25. O AgFeed informou que a companhia entrou na safra 2025/26 com área total de 837 mil hectares.
A composição do forecast da safra 2025/26 inclui 424.648 hectares de soja, 191.333 hectares de algodão, 155.707 hectares de milho 2ª safra e 58.594 hectares de outras culturas. Esses números mostram a conexão direta entre terra, produção agrícola e valor imobiliário rural.
Acordos com FIPs e irrigação entram no radar do investimento
Além da avaliação anual, a companhia tem movimentos societários e operacionais que ajudam a contextualizar o portfólio. Em 6 de novembro de 2025, a SLC celebrou acordos com FIPs administrados pelo BTG Pactual para aquisição e arrendamento de terras agrícolas, investimentos em irrigação, infraestrutura e contratos de parceria rural.
A estrutura dos acordos prevê SPEs com 50,01% de participação da SLC Agrícola e 49,99% dos FIPs. Os fundos deveriam aportar aproximadamente R$ 1,033 bilhão, sendo R$ 914 milhões à vista e R$ 119 milhões no segundo semestre de 2026.
As SPEs pagariam R$ 723 milhões por 21.471 hectares agricultáveis da Fazenda Paladino, em duas parcelas de R$ 361,5 milhões, uma no fechamento e outra em março de 2026. O projeto de irrigação ligado aos acordos previa, na Fazenda Piratini, 6.303 hectares adicionais até 2026, totalizando 13.204 hectares, e, na Fazenda Paladino, 14.730 hectares a implementar entre 2028 e 2030, condicionados a licenças e energia elétrica.
Hedges indicam gestão de risco na operação agrícola
A Reuters, em conteúdo republicado pela Forbes, informou que o projeto de irrigação da SLC elevaria a área irrigada para 58.461 hectares ante 19.061 hectares, com implementação prevista para 2026/27 de 6.677 hectares.
A mesma publicação informou hedge de 77,8% da produção de soja 2025/26 a R$ 5,67 por dólar e hedge de 76,3% do volume de soja a US$ 11,22 por bushel. Para a safra 2026/27, apontou hedge de 3,5% da exposição cambial da soja a R$ 5,4762 por dólar e hedge de 19,4% do volume da commodity a US$ 11,82 por bushel.
No algodão, a Reuters informou hedge de produção próximo de 90% para 2025/26 e de 43,5% para 2026/27. No milho, apontou hedge de produção de 17,4% para a safra 2025/26.
O que a avaliação diz ao investidor imobiliário no Brasil
Para o investidor, a leitura principal é a diferença entre estoque de valor e velocidade de valorização. A SLC segue com um portfólio bilionário de terras e uma taxa composta elevada desde 2007, mas a atualização de 2026 mostra avanço de apenas 1,0% no hectare agricultável e ganho de 0,6% no NAV.
Em um mercado imobiliário rural no qual poucos ativos têm avaliação pública recorrente, a divulgação da SLC funciona como referência. O dado não elimina a força histórica da terra no balanço da companhia, mas mostra que, em 2026, o preço do hectare quase parou.
Fontes
- SLC Agrícola/CVM - Portfólio de Terras: Atualização 2026
- CNN Brasil - Portfólio de terras da SLC Agrícola vale R$ 13,5 bilhões
- AgFeed - Terras da SLC Agrícola atingem R$ 13,5 bilhões em 2026
- SLC Agrícola/CVM - ITR 1T26
- SLC Agrícola/CVM - Acordos com FIPs administrados pelo BTG Pactual
- Forbes/Reuters - SLC valora em mais 1% suas terras em 2026



























