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Dinheiro Duque De Caxias

Terreno em Duque de Caxias teve lucro de 983% em 7 meses

Operação citada pela Folha envolve imóvel comprado por R$ 120 mil e revendido por R$ 1,3 milhão pela WR Participações.

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A 2ª fase da Operação Anáfora, deflagrada pela Polícia Federal em 30 de junho de 2026, voltou a colocar o mercado imobiliário de Duque de Caxias no centro de uma investigação sobre lavagem de dinheiro ligada a desvio de recursos públicos, especialmente da saúde, no Rio de Janeiro. Entre os pontos citados na apuração está uma transação envolvendo um terreno comprado por R$ 120 mil em setembro de 2013 e revendido sete meses depois por R$ 1,3 milhão pela WR Participações, empresa da família Reis, segundo a Folha.

A revenda representou lucro de 983% em sete meses, conforme informou a Folha. O mesmo terreno havia sido avaliado pelo governo do estado em R$ 994 mil em 2011, em um processo de desapropriação que depois foi arquivado. A transação foi classificada pela Folha como uma operação com características suspeitas de lavagem de dinheiro segundo critérios do Coaf.

Operação Anáfora mira imóveis em Duque de Caxias e no Rio

Segundo a Polícia Federal, a nova fase da Operação Anáfora apura lavagem de dinheiro relacionada a desvios de recursos públicos. Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro, Niterói e Duque de Caxias. Desse total, 10 mandados foram expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e 4 pelo TRF-2, de acordo com o Poder360.

A PF informou que a nova etapa identificou indícios de bens mantidos em nome de terceiros, despesas incompatíveis com renda declarada e negociações vinculadas a imóveis. Os investigados podem responder, conforme a participação de cada um, por organização criminosa, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.

Como foi a transação do terreno no mercado imobiliário

O caso do terreno em Duque de Caxias chama atenção pela diferença entre o valor de compra, o valor de revenda e a avaliação anterior feita pelo poder público. De acordo com a Folha, a WR Participações adquiriu o imóvel em setembro de 2013 por R$ 120 mil. Sete meses depois, vendeu o terreno por R$ 1,3 milhão.

A comparação ganha peso porque o mesmo imóvel havia sido avaliado pelo governo estadual em R$ 994 mil em 2011, antes de um processo de desapropriação posteriormente arquivado. A Folha informou que a operação apresentava características suspeitas de lavagem de dinheiro segundo critérios do Coaf.

Washington Reis disse à Folha que é possível obter lucro em transações imobiliárias. Ele afirmou conhecer a região, os preços dos imóveis e oportunidades de mercado. Também declarou que a WR Participações tem mais de 18 anos de existência, nunca praticou ilegalidade e nunca fez transação em dinheiro vivo.

WR Participações e família Reis

A PF investiga a atuação de Jane Reis na WR Participações, empresa da família Reis que concentra centenas de imóveis no estado do Rio de Janeiro, segundo a Agenda do Poder. Jane Reis não foi alvo de mandado de busca e apreensão na ação de 30 de junho de 2026, conforme informou a Folha.

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Washington Reis é Washington Reis de Oliveira, do MDB-RJ, nascido em 5 de abril de 1967 em Duque de Caxias, de acordo com a Câmara dos Deputados. Em 6 de setembro de 2022, o TRE-RJ indeferiu por unanimidade seu registro de candidatura a vice-governador, com base em condenação colegiada por crimes ambientais e contra a administração pública, segundo documento do TRE-RJ/TSE.

Dinheiro em espécie e negativas de Washington Reis

Na operação de 30 de junho, a PF apreendeu R$ 450 mil em espécie embaixo de um sofá na sede da Laticínio Vale Carioca, apontada na investigação como empresa usada para lavagem de dinheiro do ex-deputado, segundo a Folha.

Washington Reis negou ter vínculo com a Laticínio Vale Carioca e disse que não foi alvo da segunda etapa da Operação Anáfora. Ele também negou ilegalidades envolvendo a WR Participações, conforme as informações publicadas pela Folha.

Contexto da investigação em Duque de Caxias

A primeira fase da Operação Anáfora foi deflagrada em setembro de 2022 e teve entre os alvos Washington Reis e o empresário Mário Peixoto, segundo o Poder360. Naquela etapa, PF e CGU apuraram suspeita de favorecimento na contratação de uma cooperativa pela Secretaria de Saúde de Duque de Caxias.

O contrato e seus aditivos somaram mais de R$ 563,5 milhões em pouco mais de dois anos, de acordo com o Poder360. A CGU informou em 2022 que a execução do contrato analisado alcançou quase R$ 414 milhões entre março de 2020 e março de 2022, com R$ 142,8 milhões de recursos federais do SUS destinados ao Fundo Municipal de Saúde de Duque de Caxias.

O que o caso indica para imóveis e transparência pública

A apuração da Operação Anáfora reúne elementos de interesse público porque cruza contratos de saúde, movimentações financeiras e negociações de imóveis em Duque de Caxias e no Rio de Janeiro. No centro do recorte imobiliário está uma transação específica: a compra de um terreno por R$ 120 mil, a revenda por R$ 1,3 milhão e a avaliação anterior de R$ 994 mil feita pelo governo estadual.

Até aqui, as informações disponíveis indicam que a Polícia Federal apura possíveis crimes, enquanto Washington Reis e a WR Participações negam ilegalidades. O avanço da investigação deverá definir o peso jurídico das transações e das suspeitas apontadas pelos órgãos de controle e pela PF.

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