Corretor em São Paulo ganha R$ 6,3 mil, mas topo vai a R$ 270 mil
Indeed aponta média acima da nacional para corretor de imóveis em São Paulo; renda varia com comissão, negociação e ritmo do mercado.







O salário-base médio de corretor de imóveis em São Paulo é de R$ 6.294 por mês, segundo dados do Indeed atualizados em 10 de junho de 2026. O valor, baseado em 424 salários informados, fica 23% acima da média nacional da profissão. Na mesma página, porém, os maiores salários anunciados por empresas na capital chegam a R$ 270.000 por ano.
O contraste ajuda a explicar uma característica central da carreira no mercado imobiliário: a renda pode variar muito conforme a carteira de clientes, o tipo de imóvel, o modelo de contratação e as comissões. No Brasil, o Indeed informa média de R$ 5.137 por mês para corretor de imóveis, com 1,9 mil salários informados e atualização em 14 de junho de 2026.
Salário de corretor de imóveis em São Paulo: média e topo anunciado
Na seção de empresas com maiores salários em São Paulo, o Indeed informa que o salário médio anual se baseia em anúncios de vagas publicados na plataforma nos últimos 36 meses. Entre os maiores valores listados estão Fernandez Mera, com R$ 270.000 por ano; Tibério Construtora, com R$ 216.000 por ano; Local Imóveis, com R$ 210.000 por ano; Tibério Construções e Incorporadora, com R$ 180.000 por ano; Direcional Engenharia, com R$ 180.000 por ano; e Even, com R$ 162.000 por ano.
O maior valor da lista, de R$ 270.000 por ano, equivale a R$ 22.500 por mês quando dividido por 12 meses. Esse número não substitui a média salarial, mas mostra o teto anunciado em parte das vagas e reforça a distância entre remuneração média e oportunidades de maior performance.
Comissão pesa mais que salário fixo no mercado imobiliário
A explicação está no funcionamento da profissão. A Lei nº 6.530/1978 define que compete ao corretor de imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo opinar sobre comercialização imobiliária. O Código Civil trata do contrato de corretagem nos artigos 722 a 729.
Na prática, guias recentes do setor indicam que a renda não depende apenas de um salário mensal. A Imobisoft afirma que a maioria dos corretores não tem salário fixo e vive de comissão sobre negócios fechados. O mesmo guia estima renda mensal de R$ 2.000 a R$ 3.500 para corretor iniciante, de R$ 4.000 a R$ 8.000 para intermediário e de R$ 10.000 a R$ 15.000 ou mais para profissional experiente ou de alta performance.
Comissão em imóveis urbanos costuma ficar entre 6% e 8%
O CRECISP publica tabela referencial de honorários com 6% a 8% para venda de imóveis urbanos, 8% a 10% para imóveis rurais, 6% a 8% para imóveis industriais e 5% para venda judicial. Na locação, a referência é de honorários equivalentes a um aluguel; para administração de bens imóveis, de 8% a 10% sobre aluguel e encargos recebidos, com valor mínimo de R$ 50,00.
Guia da Imobisoft publicado em 20 de junho de 2026 apresenta faixas semelhantes: comissão usual de 6% a 8% em venda de imóvel urbano, 8% a 10% em imóvel rural, 4% a 6% em lançamentos e, na locação, padrão equivalente a um mês de aluguel.
O ponto jurídico relevante é que essas faixas são referência, não imposição. O Cade informou que, em 2018, o Cofeci e 22 conselhos regionais assinaram Termos de Cessação de Conduta pelos quais se comprometeram a não elaborar, divulgar ou aplicar tabelas de honorários em todo o território nacional e a extinguir processos disciplinares por descumprimento de tabela de honorários. O mesmo acordo determinou contribuição pecuniária de R$ 75 mil pelo Cofeci. Em 25 de outubro, o Tribunal do Cade informou o arquivamento do processo em relação aos signatários dos TCCs por cumprimento integral, com exceção do Creci-MS.
Imóveis em São Paulo sustentam mercado de alta movimentação
A renda potencial dos corretores também se conecta ao volume de negócios. No mercado de São Paulo, o Secovi-SP apurou 9.588 unidades residenciais novas vendidas na capital em abril de 2026, com Valor Geral de Vendas de R$ 4,9 bilhões, segundo reportagem da Exame com dados da entidade.
Em 12 meses até abril de 2026, as vendas de imóveis novos na cidade somaram 114,8 mil unidades e R$ 59,1 bilhões em VGV. No mesmo mês, o Minha Casa, Minha Vida respondeu por 69% das unidades vendidas e 75% dos lançamentos na capital paulista, com 6.572 unidades vendidas e 8.665 lançadas dentro do programa.
Preço do m² em São Paulo e impacto na corretagem
O Índice FipeZAP de Venda Residencial registrou alta média de 0,42% nos preços de venda de imóveis residenciais em maio de 2026, com base em 56 cidades. Em São Paulo, a variação foi de +0,22% no mês, +1,25% no acumulado de 2026 e +4,23% em 12 meses.
O preço médio na capital paulista foi de R$ 12.045 por metro quadrado em maio de 2026. No levantamento, a média nacional ficou em R$ 9.809 por metro quadrado, e São Paulo apareceu atrás de Vitória, com R$ 14.965 por metro quadrado, e Florianópolis, com R$ 13.288 por metro quadrado, entre as capitais listadas.
Para quem observa a carreira, os dados mostram uma profissão com média mensal definida nas plataformas de emprego, mas com remuneração final fortemente ligada à intermediação de vendas e locações. Em São Paulo, o alto volume de imóveis negociados e o preço elevado do metro quadrado ampliam as oportunidades, mas não eliminam a instabilidade: sem negócios fechados, a comissão não entra.
Fontes
- Indeed - Salários de corretor de imóveis em São Paulo
- Indeed - Salários de corretor de imóveis no Brasil
- Planalto - Lei nº 6.530/1978
- Planalto - Código Civil, Lei nº 10.406/2002
- Cade - Processo Administrativo nº 08700.004974/2015-71
- CRECISP - Tabela Referencial de Honorários
- Imobisoft - Comissão de corretor de imóveis
- Imobisoft - Corretor de imóveis: profissão
- Exame - Venda de imóveis em SP com dados Secovi-SP
- FipeZAP - Índice de Venda Residencial, maio de 2026



























