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Investimento Minas Gerais

Em Minas Gerais, venda de lotes sobe 40,9% no 1º trimestre

Mercado imobiliário mineiro vendeu 2.958 lotes, mas lançamentos e VGL recuaram, indicando migração para produtos de menor tíquete.

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O mercado de loteamentos em Minas Gerais vendeu 2.958 unidades entre janeiro e março de 2026, alta de 40,9% sobre o 1º trimestre de 2025, quando foram comercializados 2.100 lotes. O avanço, porém, veio acompanhado de uma queda relevante nos lançamentos e no valor dos novos projetos, criando um retrato de demanda aquecida, mas oferta mais limitada e concentrada em imóveis de menor tíquete.

O levantamento foi produzido pela Brain Inteligência Estratégica a pedido da Aelo-MG, do Sinduscon-MG e do Secovi-MG. A pesquisa cobre municípios responsáveis por 41% da população e 57% do potencial de consumo de Minas Gerais, o que dá escala estadual ao diagnóstico sobre o mercado imobiliário de loteamentos.

Mercado imobiliário em Minas Gerais cresce em lotes vendidos

O principal motor da alta foram os loteamentos abertos. Esse segmento passou de 596 unidades vendidas no 1º trimestre de 2025 para 1.538 unidades no 1º trimestre de 2026, crescimento de 170,3%. Já os loteamentos fechados tiveram movimento oposto: recuaram de 1.531 unidades vendidas para 1.420 unidades no mesmo intervalo, queda de 7,3%.

A combinação mostra que o volume vendido cresceu, mas com mudança de composição. Segundo a divulgação setorial, o Valor Geral de Vendas caiu de R$ 1,02 bilhão no 1º trimestre de 2025 para R$ 664 milhões no 1º trimestre de 2026, enquanto o aumento em unidades foi associado a produtos de menor ticket.

Lançamentos de imóveis caem e VGL recua 63,6%

Do lado da oferta, o quadro é mais restritivo. O volume total de lançamentos caiu 15,2%, saindo de 2.557 unidades no 1º trimestre de 2025 para 2.168 unidades no 1º trimestre de 2026. A queda foi mais forte nos loteamentos fechados, que passaram de 2.141 unidades lançadas para 792, retração de 63%.

Nos loteamentos abertos, houve crescimento de 230,8% nos lançamentos, de 416 para 1.376 unidades. Mesmo assim, o Valor Geral de Lançamentos caiu 63,6%, de R$ 1,253 bilhão para R$ 457 milhões. A queda do VGL foi associada principalmente à retração de 80,4% no VGL dos loteamentos fechados, enquanto o VGL dos abertos avançou 234,4% no período.

Na comparação com o 4º trimestre de 2025, o VGL do 1º trimestre de 2026 caiu 53%, sinalizando ritmo menor de novos projetos no mercado mineiro. Para o comprador, esse cenário combina mais vendas no curto prazo com alerta sobre reposição de estoque.

Preços dos lotes mostram migração para menor tíquete

Nos loteamentos abertos, a oferta se concentra nas faixas entre R$ 150 mil e R$ 200 mil, com 40,5% do total, e acima de R$ 200 mil, com 28%. Os lotes de até R$ 80 mil representam 7,4% da oferta. Em área, os produtos de 201 m² a 300 m² são a maior concentração, com 50,9%.

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Nos loteamentos fechados, os produtos entre R$ 150 mil e R$ 300 mil concentram 51,8% da oferta. A faixa entre R$ 300 mil e R$ 500 mil soma 28,5%, e os lotes acima de R$ 500 mil representam 17,6% do mercado. Nesse segmento, a maior concentração de área está entre 251 m² e 500 m², com 62,3% dos produtos disponíveis.

Grande BH, Triângulo, Sul de Minas e Montes Claros aparecem como polos

Gustavo Amorim, presidente da Aelo-MG e diretor da área de loteamentos do Sinduscon-MG, atribuiu a redução dos lançamentos ao ritmo de aprovação de novos projetos, que limita a entrada de produtos e reduz o estoque disponível. Ele citou Grande BH, Triângulo Mineiro, Sul de Minas e Montes Claros como polos de vetores de crescimento do mercado mineiro de loteamentos.

O estoque de lotes em Belo Horizonte e cidades do entorno foi estimado em 10 meses, segundo Amorim. A Aelo-MG informou que trabalha para reduzir o prazo médio de aprovação de projetos de 4 anos para 2 anos junto à Copasa, à Secretaria de Meio Ambiente e à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais.

Histórico recente reforça pressão sobre a oferta

O pano de fundo já vinha de um setor com demanda relevante e estoque apertado. Em 2024, os loteamentos em Minas Gerais alcançaram R$ 3 bilhões em VGV, alta de 20% sobre 2023, segundo estudo encomendado pela Aelo-MG. No mesmo ano, foram lançadas 9.943 unidades, abaixo das 11.165 unidades lançadas em 2023.

No 4º trimestre de 2024, as vendas de lotes cresceram 54% e movimentaram cerca de R$ 748 milhões. Em abril de 2025, o estoque estadual foi estimado em 8 meses, abaixo dos 14 meses considerados ideais pela fonte setorial citada pelo Diário do Comércio. Naquele mês, o preço médio de lote em condomínio fechado em Minas Gerais ultrapassava R$ 361,7 mil, enquanto o preço médio em bairros abertos superava R$ 160 mil.

Juros e investimento em imóveis em Minas Gerais

O ambiente macroeconômico também pesa nas decisões de compra e lançamento. O Copom reduziu a meta Selic para 14,50% ao ano na 278ª reunião, em 29 de abril de 2026, com vigência a partir de 30 de abril de 2026. No comunicado da reunião, o Banco Central informou que as expectativas de inflação da pesquisa Focus estavam em 4,9% para 2026 e 4,0% para 2027, acima da meta de inflação.

Para o mercado imobiliário de Minas Gerais, os dados apontam uma leitura dupla: há compradores absorvendo lotes, sobretudo em empreendimentos abertos, mas a queda do VGV vendido e do VGL mostra que o crescimento em unidades não se traduz automaticamente em expansão financeira equivalente. O próximo teste será a capacidade de aprovar novos projetos, recompor estoques e sustentar a oferta em regiões de expansão urbana.

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