Wellness vira aposta bilionária no luxo imobiliário no Brasil
Empreendimentos em Curitiba e São Paulo mostram como spas, piscinas de recovery e serviços de hotelaria elevam o padrão do luxo residencial.







O mercado imobiliário de luxo no Brasil entrou em uma nova fase: a das áreas de wellness operadas como infraestrutura residencial de alto padrão. Em vez de apenas piscina e academia, empreendimentos em Curitiba e São Paulo passaram a combinar spa, saunas, salas de massagem, piscinas especiais, concierge e serviços de governança em projetos com VGV bilionário ou próximo disso.
O movimento acompanha uma tendência global. O Global Wellness Institute define wellness real estate como ambientes construídos, projetados e operados para apoiar a saúde holística de ocupantes, visitantes e comunidade. Segundo o instituto, esse mercado chegou a US$ 876 bilhões em 2025 e tem projeção de alcançar US$ 1,8 trilhão em 2030.
Mercado imobiliário de luxo no Brasil incorpora wellness
A pauta ganhou força em lançamentos recentes. Em Curitiba, o Ícaro Casa-Térrea, da AG7, foi lançado em 2024 com VGV estimado em cerca de R$ 600 milhões, segundo a Forbes Brasil. O projeto reúne 38 residências em quatro torres, em um terreno de 20 mil m².
A AG7 informa que o empreendimento fica no Novo Ecoville e tem unidades de 490 m² a 1.450 m², com 4 ou 5 suítes, 6 a 10 vagas e varandas de até 300 m². A lista de wellness inclui haloterapia, sala de massagem com jacuzzi, tanque de contraste, piscina de longevidade, ducha sensorial e sauna seca e úmida.
O diferencial não está apenas na estrutura física. A operação residencial do Ícaro Casa-Térrea inclui concierge bilíngue 24 horas, agendamento de spa em casa, governança durante viagens, gestão de fornecedores, aplicativo de condomínio, segurança 24 horas, carregamento de carro elétrico e apoio a entregas.
Imóveis com spa, concierge e serviços de hotelaria
Em São Paulo, a Forbes informou que o novo Edifício Adolpho Lindenberg em Moema prevê VGV de R$ 1,2 bilhão, 75 unidades de 330 m² a 875 m² e preços a partir de R$ 14 milhões. Documentos financeiros da Construtora Adolpho Lindenberg, por sua vez, registram o lançamento do Lindenberg Moema no 4T25, com torre única, 61 unidades de alto padrão, VGV total de R$ 671,8 milhões e participação de 30% da companhia.
No 1T26, a Lindenberg informou que o Lindenberg Moema tinha 70,5% das unidades vendidas, estoque de 18 unidades e R$ 226,5 milhões em estoque total. A companhia também informou que iniciou a obra do empreendimento no 1T26, com 61 unidades e 33,5 mil m² de área total.
Outro exemplo em São Paulo é o São Paulo Surf Club, da JHSF, integrado ao São Paulo Surf Club Residences. A empresa informa que o projeto fica na Avenida Duquesa de Goiás, 571, no Real Parque, e reúne piscina de surfe com tecnologia PerfectSwell, spa, academia, quadras de tênis, quadras de beach tennis, pickleball e squash.
A página oficial do São Paulo Surf Club informa piscina de surfe de 220 metros e ondas de até 22 segundos. Segundo a Forbes, os apartamentos associados ao clube são distribuídos em três torres, têm entrega prevista para 2029, variam de 181 m² a 258 m² e custam entre R$ 6 milhões e R$ 9 milhões.
Wellness pode gerar prêmio de preço nos imóveis
O apelo comercial desse tipo de produto aparece também nos dados globais. Segundo análise do Global Wellness Institute, imóveis residenciais focados em wellness, nos segmentos médio e alto, podem obter prêmio de preço de 10% a 25% em relação a produtos comparáveis.
O instituto também informa que o wellness real estate cresceu, em média, 23,6% ao ano entre 2019 e 2025. No mesmo período, mental wellness, o segundo setor de wellness que mais cresceu, avançou 12,4% ao ano.
Dados do luxo ajudam a explicar a estratégia
O contexto brasileiro reforça por que incorporadoras têm buscado diferenciação em imóveis de alto padrão. Nas 10 maiores cidades brasileiras analisadas pela Abrainc, o segmento luxo representou média de 28% do VGV lançado nos três semestres encerrados no 1º semestre de 2024, embora tenha respondido por média de 5% das unidades lançadas.
No 1º semestre de 2024, São Paulo teve R$ 3,829 bilhões em VGV de lançamentos de luxo, Curitiba teve R$ 1,345 bilhão e Rio de Janeiro teve R$ 1,161 bilhão entre as 10 maiores cidades analisadas. No mesmo período, o valor médio do m² de luxo foi de R$ 28,6 mil em São Paulo, R$ 23,3 mil no Rio de Janeiro e R$ 20,7 mil em Curitiba.
Em 2025, o Anuário DataZAP 2026 registrou preço médio de lançamento de R$ 24.018/m² para imóveis de luxo na cidade de São Paulo, com alta de 5% ante 2024.
Luxo residencial no Brasil muda de patamar
Os dados mostram uma mudança de posicionamento: no topo do mercado imobiliário, o lazer deixou de ser tratado como conjunto de amenidades genéricas e passou a funcionar como parte da proposta central do produto. O comprador de imóveis de luxo encontra, cada vez mais, projetos que combinam arquitetura, serviços recorrentes e estruturas voltadas à saúde, recuperação e conveniência.
Para incorporadoras, o wellness real estate cria uma nova régua de comparação entre empreendimentos. Para o consumidor, amplia o peso de itens operacionais, como concierge, spa e governança, na avaliação de valor. No Brasil, projetos em Curitiba e São Paulo indicam que a disputa no luxo residencial já não se limita à metragem, localização e acabamento: ela passa também pela capacidade de entregar uma experiência cotidiana próxima à hotelaria.
Fontes
- Global Wellness Institute - Wellness Lifestyle Real Estate & Communities
- Global Wellness Institute - Wellness Real Estate Market Reaches $876 Billion
- Forbes Brasil - Mercado imobiliário de luxo e wellness
- AG7 - Ícaro Casa-Térrea
- Construtora Adolpho Lindenberg - Prévia Operacional 4T25
- Construtora Adolpho Lindenberg - Prévia Operacional 1T26
- Construtora Adolpho Lindenberg - Relatório de Resultados 1T26
- JHSF - São Paulo Surf Club
- São Paulo Surf Club/JHSF - Página oficial
- Abrainc - Estudo Mercado Imobiliário de Luxo
- DataZAP - Anuário DataZAP 2026



























