Barueri: Tamboré no mapa da lavagem milionária do PCC
Prisão de Deolane Bezerra em mansão de Alphaville expõe imóveis de luxo, fintechs e empresas de fachada sob investigação da Operação Vérnix.







A prisão da advogada e influenciadora Deolane Bezerra dos Santos, em 21 de maio de 2026, colocou Tamboré e Alphaville, em Barueri, no centro de uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro atribuída ao PCC. A Operação Vérnix, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público de São Paulo, resultou em bloqueio judicial de R$ 327 milhões, sequestro de 17 automóveis e quatro imóveis vinculados aos investigados, segundo informações da Radioagência Nacional/Agência Brasil.
Deolane foi presa em Barueri, região metropolitana de São Paulo, em uma mansão em Alphaville, área descrita pela Agência Brasil como concentradora de condomínios luxuosos. O endereço de alto padrão não é apenas cenário: na apuração, imóveis, carros de luxo, empresas de fachada e pessoas usadas como “laranjas” aparecem como peças de uma engrenagem investigada por lavagem de dinheiro.
Operação Vérnix em Barueri mira imóveis e patrimônio de luxo
O juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara do Foro de Presidente Venceslau, determinou o bloqueio de R$ 327 milhões em ativos financeiros e bens imóveis, incluindo carros de luxo de Deolane e de aliados investigados, de acordo com o UOL/Agência Estado. O montante específico confiscado de Deolane foi de R$ 27.002.774,72.
Esse valor inclui recursos ligados a Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda., Bezerra Produções Artísticas Ltda. e Deolane Bezerra Holding Participações Ltda. A mesma reportagem informa que a investigação apontou 35 empresas de fachada controladas por Deolane e registradas no mesmo endereço em Martinópolis, a 550 km da capital paulista.
Para o mercado imobiliário de Barueri, o caso desloca o foco do luxo visível para a origem dos recursos usados na composição patrimonial. A pauta deixa de ser apenas a valorização dos imóveis em Alphaville e Tamboré e passa a envolver rastreabilidade financeira, blindagem de bens e escrutínio judicial sobre patrimônio de alto padrão.
Como a apuração conecta fintechs, empresas e o PCC
A Polícia Civil atribuiu a origem dos valores à Lopes Lemos Transportes Ltda., também chamada Lado a Lado, empresa sediada em Presidente Venceslau e apontada como controlada pela cúpula do PCC, segundo o UOL/Agência Estado. A apuração começou após bilhetes com ordens internas do PCC serem apreendidos em 2019 em um presídio de Presidente Venceslau.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que esses bilhetes não mencionavam Deolane, mas levaram a investigações sobre repasses de uma transportadora criada pelo PCC. A Agência Brasil informou ainda que duas contas em nome de Deolane aparecem na apuração como receptoras de valores repassados para dificultar o rastreamento.
Segundo a Polícia Civil, foram analisadas movimentações financeiras de Deolane entre 9 de julho de 2022 e 9 de maio de 2024. Nesse período, a investigação identificou ingresso de mais de R$ 30 milhões provenientes de empresas de meios de pagamento e fintechs, informou o UOL/Agência Estado.
Malha financeira e transferências investigadas
Laudo citado pela Polícia Civil apontou uma “malha financeira” envolvendo pessoas físicas e jurídicas interligadas em torno de Deolane, com movimentação global superior a R$ 140 milhões em créditos e débitos. A polícia também citou transferências superiores a R$ 5,7 milhões feitas por PagFast Cobrança e Serviços em Tecnologia Ltda., Lucas Cosméticos Ltda. e Jarinu Anúncios do Brasil Ltda. para Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda.
Foram alvos da operação Marco Herbas Camacho, o Marcola; Alejandro Camacho; Paloma Sanches Herbas Camacho; Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho; Everton de Souza, conhecido como “Player”; e Deolane Bezerra. A Polícia Federal e o Ministério Público auxiliaram buscas internacionais, e investigados ligados à Itália, Espanha e Bolívia entraram na Lista Vermelha da Interpol, segundo a Agência Brasil.
Mercado imobiliário de Barueri já estava no topo dos preços
O contexto imobiliário ajuda a dimensionar por que a presença de imóveis de luxo na investigação ganhou peso público. Barueri registrou preço médio de venda residencial de R$ 12.027 por metro quadrado em abril de 2026, com alta mensal de 1,28%, alta acumulada de 3,19% em 2026 e valorização de 8,46% em 12 meses, conforme o Índice FipeZAP.
No mercado de locação, Barueri aparecia em dezembro de 2025 como a cidade com aluguel mais caro do país no Índice FipeZAP, a R$ 70,35 por metro quadrado. O UOL associou esse patamar aos condomínios de luxo da região de Alphaville.
Esse pano de fundo não transforma o mercado imobiliário local em suspeito. Mas explica por que a combinação entre mansões, condomínios fechados, carros de luxo e estruturas empresariais sob investigação tem impacto além do caso policial. Em cidades de alta renda imobiliária, a transparência sobre origem de recursos passa a ser tema central para compradores, incorporadores, corretores, administradores e órgãos públicos.
Defesa nega culpa; investigação continua
Em 23 de maio de 2026, a Polícia Civil informou ter encontrado na residência de Everton de Souza uma máquina de contar dinheiro e uma caixa com cerca de R$ 50 mil em espécie com o nome “Dra Deolane” gravado na tampa, segundo o UOL/Agência Estado. A defesa de Deolane alegou inocência após a prisão, e o Estadão informou que ela foi transferida para a Penitenciária de Tupi Paulista.
Até aqui, a Operação Vérnix mostra como uma investigação criminal pode atravessar o mercado de imóveis de luxo de Barueri sem se limitar ao endereço da prisão. O caso Tamboré/Alphaville expõe uma pergunta que tende a acompanhar transações de alto valor: não apenas quanto vale o patrimônio, mas como ele foi formado, registrado e movimentado.
Fontes
- UOL/Agência Estado, 21/05/2026 — Caso Deolane e fintechs
- Agência Brasil, 21/05/2026 — Prisão de Deolane em Barueri
- Radioagência Nacional/Agência Brasil, 21/05/2026 — Operação e bloqueios
- UOL/Agência Estado, 21/05/2026 — Bloqueio de R$ 327 milhões
- Agência Brasil, 21/05/2026 — Bilhetes e alvos da operação
- UOL/Agência Estado, 23/05/2026 — Dinheiro e defesa de Deolane
- FipeZAP, abril/2026 — Venda residencial
- UOL, 15/01/2026 — Barueri e aluguel mais caro do país



























