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Brasil: imóveis de R$ 500 mil a R$ 2 milhões perdem espaço

Faixa intermediária representa 18,9% dos lançamentos nas capitais; juros, custos de construção e renda comprometida pesam nas decisões das incorporadoras.

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Os imóveis de R$ 500 mil a R$ 2 milhões representam 18,9% dos lançamentos e 24,1% das vendas nas capitais brasileiras, segundo levantamento da Brain Inteligência Imobiliária divulgado pelo Estadão/Broadcast e publicado pelo InfoMoney em 13 de setembro de 2026. O resultado evidencia a perda de participação da oferta intermediária no mercado imobiliário do Brasil.

Segundo a reportagem do Estadão Conteúdo publicada pelo InfoMoney, o segmento perde espaço há quatro anos consecutivos. O presidente da Brain, Fábio Tadeu Araújo, classificou o patamar como recorde de baixa. A publicação, porém, não especifica o período de coleta nem apresenta a série histórica completa dos percentuais.

Imóveis intermediários recuam nos planos das incorporadoras

A mudança aparece nas decisões das empresas. Bianca Setin, vice-presidente da Setin, informou à reportagem que a incorporadora interrompeu o desenvolvimento de novos projetos de R$ 600 mil a R$ 800 mil, com dois ou três dormitórios, em São Paulo.

No Nordeste, Diego Villar, presidente da Moura Dubeux, relatou a redução dos empreendimentos da marca Mood, destinada a imóveis de R$ 500 mil a R$ 1 milhão, para aproximadamente 20% dos negócios. Os entrevistados associaram essas decisões aos juros elevados, aos custos de produção e ao comprometimento da renda familiar.

Mercado imobiliário no Brasil cresce com outro perfil

A perda de participação da faixa intermediária ocorre em um cenário de crescimento das vendas no levantamento nacional da CBIC e da Brain. Nesse estudo, que abrange 221 cidades, foram vendidos 226.536 imóveis residenciais novos no primeiro semestre de 2026, alta de 5,4% sobre o mesmo período de 2025. Os lançamentos somaram 211.651 unidades, queda de 0,3%, conforme os Indicadores Imobiliários Nacionais divulgados pela CBIC.

Os dois levantamentos têm abrangências distintas: os percentuais da faixa de R$ 500 mil a R$ 2 milhões se referem às capitais, enquanto os números da CBIC cobrem um conjunto mais amplo de municípios. Por isso, não devem ser tratados como partes de uma mesma base estatística.

Minha Casa, Minha Vida concentra lançamentos de imóveis

Na pesquisa das 221 cidades, o Minha Casa, Minha Vida respondeu por 58% dos lançamentos no segundo trimestre de 2026, maior participação desde o início da série, em 2019. Foram 62.129 unidades do programa, ante 45.032 dos demais padrões. Nas vendas, o MCMV somou 58.392 unidades, equivalentes a 51% das 113.676 comercializadas.

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A presença do programa nos lançamentos variou entre as regiões: 68% no Norte, 66% no Sudeste, 60% no Nordeste, 52% no Centro-Oeste e 29% no Sul. No conjunto do levantamento, o preço médio dos imóveis vendidos ficou em R$ 581,9 mil, redução de 10,3% em relação ao segundo trimestre de 2025. Esse indicador não mede isoladamente os preços da faixa intermediária.

Custos da construção pressionam o mercado imobiliário

O avanço dos custos ajuda a contextualizar as dificuldades relatadas pelas incorporadoras. Segundo os resultados do Sinapi, do IBGE, a construção registrou alta de 0,44% em agosto de 2026, acumulando 5,41% no ano e 7,03% em 12 meses. O custo médio nacional alcançou R$ 1.993,76 por metro quadrado.

Os componentes do índice também mostravam ritmos diferentes no fechamento do primeiro semestre. Em junho, os materiais acumulavam aumento de 3,39% no ano, enquanto a mão de obra subia 5,96%, conforme a divulgação do IBGE sobre o Sinapi de junho.

Financiamento alcança parte da faixa intermediária

As condições oficiais do MCMV Classe Média abrangem uma parcela do segmento analisado. Segundo o Ministério das Cidades, a modalidade atende famílias com renda mensal de até R$ 13 mil e permite financiar imóveis de até R$ 600 mil, com juros nominais de 10% ao ano. O prazo máximo dos financiamentos do programa é de 35 anos.

A contratação depende da aprovação de crédito por instituição financeira habilitada. Assim, embora o programa alcance imóveis no início da faixa de R$ 500 mil a R$ 2 milhões, seu teto não cobre todo esse intervalo. A retração identificada nas capitais expõe justamente a dificuldade relatada pelas empresas para manter novos projetos destinados a essa parcela do mercado.

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