Imóveis no Centro de Goiânia sobem 43,9%, mas seguem entre mais baratos
Metro quadrado anunciado no Setor Central custa R$ 6.928; avanço supera a média municipal enquanto programa prevê auxílio ao aluguel e isenção de IPTU.







Os preços anunciados de venda de apartamentos no Setor Central de Goiânia subiram 43,9% nos 12 meses encerrados em agosto de 2026, segundo o FipeZAP. Apesar do avanço, o bairro apresentou o segundo menor valor por metro quadrado entre as dez regiões destacadas no levantamento: R$ 6.928, diante de R$ 8.482 na média da capital.
O contraste aparece enquanto a cidade discute a reocupação da região. Em 8 de setembro, a Câmara Municipal aprovou o programa Morar no Centro, que prevê auxílio ao aluguel e benefícios de IPTU. Os dados, porém, não permitem atribuir a alta ao programa nem assegurar que o bairro se tornará um endereço de alto padrão.
Centro de Goiânia ainda tem imóveis abaixo da média
Entre as regiões destacadas, apenas Nova Suíça apresentou preço anunciado inferior ao do Centro, com R$ 6.808/m². Na outra ponta, o Setor Marista registrou R$ 11.414/m², seguido pelo Setor Sul, com R$ 10.946/m². O recorte reúne regiões representativas do índice e não equivale a um ranking completo dos bairros de Goiânia.
Calculadas sobre os valores publicados, as diferenças deixam o Centro 18,32% abaixo da média municipal e 39,30% abaixo do Marista. Essas distâncias comparam indicadores de anúncios: não representam descontos obtidos por compradores em negociações.
Mercado imobiliário: alta do Centro supera a de Goiânia
Goiânia acumulou aumento de 7,18% em 12 meses, de 4,79% no ano e de 0,77% em agosto. A variação anual do Centro superou a municipal em 36,72 pontos percentuais. No conjunto das 56 cidades monitoradas pelo FipeZAP, a alta em 12 meses foi de 5,49%, com preço médio de R$ 9.954/m².
A amostra de Goiânia reuniu 30.544 anúncios. Os números ajudam a dimensionar a diferença entre o movimento do bairro e o da cidade, mas não explicam, isoladamente, as causas do salto no Setor Central.
O que os preços anunciados dos imóveis mostram
O FipeZAP utiliza anúncios dos portais ZAP, Viva Real e OLX. No segmento residencial, acompanha apartamentos prontos. Portanto, o indicador mede preços pedidos, e não valores efetivamente pagos, além de não abranger indistintamente todos os tipos de imóvel.
A referência dos preços é agosto de 2026. A data de 20 de setembro corresponde à publicação da reportagem do Portal 6 que apresentou a comparação. Essa distinção evita tratar a divulgação como um novo período de medição.
Morar no Centro prevê auxílio ao aluguel e IPTU
De autoria da Prefeitura, o Morar no Centro foi apresentado como Projeto de Lei Complementar 10/2026. Na justificativa divulgada pela Câmara, o Executivo apontou esvaziamento populacional e imóveis subutilizados, embora a região disponha de transporte coletivo, comércio, serviços e infraestrutura urbana.
A comunicação oficial da aprovação final descreveu pagamento de metade do aluguel por até três anos e isenção de IPTU para imóveis participantes. A proposta inclui imóveis desocupados há pelo menos um ano e quartos de hotel adaptados para moradia.
Segundo o detalhamento publicado pelo GYN Notícias, o auxílio terá prazo inicial de até 24 meses, prorrogável por 12, com pagamento ao proprietário. As prioridades incluem mulheres responsáveis pela família, idosos, pessoas com deficiência e famílias com crianças ou adolescentes. O município não será fiador.
Regulamentação e serviços são desafios para a reocupação
Em 8 de setembro, conforme o GYN Notícias, ainda não havia inscrições disponíveis. Perímetro, critérios de renda, documentação, valor do auxílio e procedimentos de adesão dependiam de regulamentação. Esse registro não comprova implantação posterior.
A infraestrutura também entrou no debate. Em audiência pública realizada em maio, foram levantadas necessidades de planejamento de saúde, educação infantil e assistência social, além da acessibilidade das calçadas e da possibilidade de um Plano de Bairro com participação popular.
Valorização e acesso à moradia no Centro de Goiânia
O quadro reúne preços ainda inferiores à média da capital, forte alta nos anúncios e uma proposta de incentivo à ocupação. A questão é se a reocupação ampliará o acesso à moradia ou será acompanhada por um encarecimento que limite esse objetivo.
Para avaliar o resultado, será necessário acompanhar a execução do programa e a evolução do mercado imobiliário. As informações disponíveis não sustentam a previsão de que o Centro se transformará em área nobre nos próximos cinco anos.
Fontes
- FipeZAP — Informe de venda residencial de agosto de 2026
- Fipe — Metodologia e descrição do Índice FipeZAP
- Portal 6 — Preços dos imóveis em Goiânia, 20 de setembro de 2026
- Câmara Municipal de Goiânia — Proposta do programa Morar no Centro e justificativa, 13 de maio de 2026
- Câmara Municipal de Goiânia — Aprovação final do Morar no Centro, 8 de setembro de 2026
- GYN Notícias — Benefícios e regulamentação do Morar no Centro, 8 de setembro de 2026
- Câmara Municipal de Goiânia — Audiência pública sobre o Morar no Centro, publicação de 20 de maio de 2026



























