Casa Bola em São Paulo vai ao mercado por R$ 18 milhões
Imóvel de Eduardo Longo no Jardim Guedala tem 328 m², IPTU mensal de R$ 3.363,71 e reacende interesse por casas-ícone.







Uma segunda Casa Bola atribuída ao arquiteto Eduardo Longo foi colocada à venda em São Paulo por R$ 18 milhões. O imóvel fica no Jardim Guedala, na Zona Sudoeste, e foi noticiado em 3 de junho de 2026 pelo Seu Dinheiro.
A residência tem 328 m² de área privativa, quatro dormitórios, duas suítes, anexo com ateliê, churrasqueira, lavanderia, dependências de serviço e garagem para quatro veículos. Além da venda, a reportagem informa aluguel pedido de R$ 15 mil por mês e IPTU mensal de R$ 3.363,71.
Casa Bola no mercado imobiliário de São Paulo
A singularidade do imóvel está na forma: trata-se de uma residência esférica suspensa sobre um único pilar, implantada em um terreno inclinado no Jardim Guedala. A casa integra o portfólio do PilarHomes e tem comercialização conduzida pela Nobile Casas, segundo o Seu Dinheiro.
O preço pedido equivale a aproximadamente R$ 54.878 por m², considerando os R$ 18 milhões divididos pelos 328 m² informados. Esse valor coloca a Casa Bola em uma faixa incomum mesmo dentro do mercado imobiliário de alto padrão de São Paulo, sobretudo por associar metragem, autoria arquitetônica e caráter experimental.
Preço dos imóveis e comparação com o FipeZAP
Em maio de 2026, o preço médio de venda residencial em São Paulo no Índice FipeZAP foi de R$ 12.045 por m². Na comparação direta, o preço pedido da Casa Bola do Jardim Guedala, de cerca de R$ 54.878 por m², corresponde a aproximadamente 4,56 vezes essa média da cidade.
A locação mostra outra leitura. O aluguel pedido de R$ 15 mil por mês equivale a aproximadamente R$ 45,73 por m² ao mês. Em março de 2026, São Paulo tinha o maior preço médio de locação residencial entre as 22 capitais monitoradas pelo FipeZAP, com R$ 63,63 por m². Por esse critério, o valor de locação pedido para a Casa Bola fica abaixo da média de locação residencial medida pelo índice.
IPTU, aluguel e rendimento do imóvel
O IPTU mensal informado, de R$ 3.363,71, soma R$ 40.364,52 em 12 parcelas. Já o aluguel anual pedido, de R$ 180 mil, representa 1,0% do preço de venda de R$ 18 milhões, antes de custos, impostos e vacância.
Esses números ajudam a explicar por que o caso extrapola uma transação imobiliária comum. A avaliação do imóvel não se limita ao custo por metro quadrado: envolve uma obra arquitetônica reconhecível, uma tipologia rara e uma localização específica dentro de São Paulo.
Arquitetura experimental e a Casa Bola original
A pauta é distinta da Casa Bola original, situada no Itaim Bibi/Faria Lima. Segundo a ABERTO, a casa original de Eduardo Longo foi construída manualmente entre 1974 e 1979. A ABERTO5 ocorreu entre 8 de março e 31 de maio de 2026 e ocupou a Casa Bola original pela primeira vez com visitação pública.
A exposição reuniu cerca de 60 obras de arte e design de mais de 50 artistas brasileiros e internacionais nos aproximadamente 1.000 m² da casa e em pontos da Avenida Faria Lima. A curadoria foi de Filipe Assis, Claudia Moreira Salles e Kiki Mazzucchelli, com seção de arquitetura dedicada a Eduardo Longo sob curadoria convidada de Fernando Serapião.
Interesse cultural por imóveis fora do padrão
O Seu Dinheiro afirma que a Casa Bola original recebeu cerca de 20 mil visitantes ao longo de dois meses de exposição. Esse dado reforça a demanda cultural por casas-ícone e ajuda a contextualizar a entrada da segunda Casa Bola no mercado imobiliário.
Há registros diferentes sobre a cronologia do imóvel do Jardim Guedala: o Seu Dinheiro informa que a residência à venda foi construída em 1980 e representa uma evolução do conceito da Casa Bola original; a Pilar publicou no LinkedIn que a casa foi encomendada pelos pais de Eduardo Longo e inaugurada em 1983.
O que a venda sinaliza para São Paulo
A oferta da Casa Bola do Jardim Guedala por R$ 18 milhões recoloca a arquitetura experimental brasileira dentro do mercado de imóveis de alto padrão em São Paulo. Para compradores, investidores e observadores do setor, o caso combina preço, IPTU, locação e valor simbólico em um ativo difícil de comparar com residências convencionais.
O desfecho da venda ainda dependerá do mercado, mas a exposição recente da Casa Bola original e a repercussão da residência do Jardim Guedala mostram que imóveis autorais continuam capazes de produzir interesse público para além da metragem e da localização.



























