Casa Bola entra na reta final de visitação em São Paulo
Residência esférica de Eduardo Longo fica aberta ao público na ABERTO5 só até 31 de maio, no entorno da Faria Lima.







A Casa Bola, residência esférica projetada por Eduardo Longo em São Paulo, entrou na reta final de sua visitação pública inédita. O imóvel está aberto dentro da ABERTO5 até 31 de maio de 2026, em uma mostra que ocupa a própria casa e pontos da avenida Faria Lima. A visitação ocorre de quarta a domingo, das 10h às 19h, com última entrada às 18h30, e ingressos a R$ 75 inteira e R$ 37,50 meia-entrada.
Construída manualmente entre 1974 e 1979, a Casa Bola se tornou um caso raro no mercado imobiliário e na arquitetura de São Paulo: uma moradia experimental, de forma esférica, implantada no Itaim Bibi, em endereço informado como Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2889. A abertura ao público foi anunciada pela organização da ABERTO como a primeira da casa.
Casa Bola em São Paulo: imóvel experimental na Faria Lima
A relevância da Casa Bola está menos na metragem isolada e mais na maneira como ela tensiona a ideia convencional de imóveis urbanos. Segundo a ArchDaily, a estrutura tem 8 metros de diâmetro, fica suspensa sobre a laje de cobertura da residência de Longo no Itaim Bibi e foi moldada em ferrocimento sobre uma malha de tubos de aço reciclados.
O projeto é descrito como protótipo da visão utópica de habitação esférica de Eduardo Longo. No interior, a ArchDaily aponta uma estrutura contínua, integrando paredes, mobiliário embutido, luminárias e elementos sanitários. A casa, portanto, não se organiza como um apartamento ou sobrado tradicional: seus ambientes arredondados e soluções sob medida fazem parte da própria arquitetura.
Pesquisa publicada nos anais do Centro Universitário Belas Artes registra que Eduardo Longo nasceu em São Paulo em 26 de junho de 1942 e iniciou arquitetura na FAU-Mackenzie em 1961. O mesmo levantamento afirma que o processo construtivo da Casa Bola levou cerca de seis anos, que o diâmetro original de 10 metros foi reduzido para 8 metros por causa de recuos exigidos pela legislação e que a casa foi concluída em 1979 com 100 m² de piso.
Como é o interior da Casa Bola e por que ela chama atenção
A divisão interna descrita no levantamento acadêmico inclui sala de estar, lavabos, três dormitórios com banheiros, sala de jantar, cozinha, quarto de empregada e lavanderia. No resumo da pauta, a casa aparece ainda associada a três pavimentos, móveis sob medida e cerca de 40 anos de uso familiar, reforçando a singularidade de uma estrutura esférica usada como residência.
Para o público interessado em imóveis, mercado imobiliário e formas alternativas de morar em São Paulo, a Casa Bola funciona como um contraponto ao padrão dominante de incorporação urbana. Não há, nas fontes consultadas, dados de preço de venda, IPTU ou avaliação patrimonial do imóvel; o que a mostra oferece é a chance de observar uma experiência arquitetônica construída e habitada durante décadas.
ABERTO5 reúne arte, design e arquitetura em São Paulo
A ABERTO5 ocorre de 8 de março a 31 de maio de 2026 e marca o retorno da plataforma a São Paulo após uma edição internacional em Paris. Segundo a organização, a edição reúne cerca de 60 obras de arte e design, assinadas por mais de 50 artistas brasileiros e internacionais, em aproximadamente 1.000 m² distribuídos entre a Casa Bola e pontos do entorno urbano.
A curadoria da ABERTO5 é assinada por Filipe Assis, Claudia Moreira Salles e Kiki Mazzucchelli, com núcleo de arquitetura sob curadoria de Fernando Serapião. A Forbes Brasil informou que a ABERTO foi fundada pelo empreendedor cultural Filipe Assis e que sua premissa é investigar relações entre arquitetura, arte e design. A mesma publicação registrou que a edição de 2026 é a quinta e a mais abrangente da plataforma desde sua criação, em 2022.
The Art Newspaper informou que a ABERTO5 envolve seis galerias e mais de 50 artistas, com participação de Fortes D’Aloia & Gabriel, Mendes Wood DM, Luisa Strina, Nara Roesler, Almeida & Dale e Gladstone Gallery. A publicação também registrou que, por limitações de espaço na Casa Bola, a casa aparece na exposição como obra em si e que a mostra principal ocupa um galpão adjacente de três pavimentos.
Mostra também ocupa a avenida Faria Lima
Além da residência, a edição inclui a ABERTO Rua, frente de intervenções artísticas na avenida Faria Lima. O site da ABERTO lista essa ocupação urbana ao longo da via, entre a Alameda Gabriel Monteiro da Silva e a Rua Adolfo Tabacow.
A programação inclui ainda um núcleo dedicado à trajetória de Eduardo Longo, com projetos, desenhos, obras, fotografias e maquetes de diferentes décadas de sua produção. A edição apresenta uma cadeira inédita de Longo em parceria com a ETEL, além do relançamento das poltronas Siri, de Claudia Moreira Salles em colaboração com Luísa Matsushita, e a mesa de apoio ABERTO.
Entre os artistas listados pela ABERTO estão Adriano Costa, Claudio Tozzi, Daniel Steegmann Mangrané, Erika Verzutti, Janaina Tschäpe, Laís Amaral, Laura Lima, Leonor Antunes, Luiz Zerbini, Marepe, Marina Perez Simão, Rubens Gerchman, Sarah Lucas, Tomás Saraceno e Vivian Caccuri.
Reta final para visitar a Casa Bola
Com encerramento marcado para 31 de maio de 2026, a visitação da Casa Bola cria uma janela curta para ver por dentro uma das experiências residenciais mais incomuns de São Paulo. Em uma cidade em que imóveis, legislação urbana e mercado imobiliário costumam ser discutidos pela escala dos grandes empreendimentos, a casa de Eduardo Longo recoloca no centro do debate uma pergunta simples e radical: até onde pode ir a forma de morar?



























