Casa de Vidro vira ativo cultural no mercado imobiliário de São Paulo
Residência de Lina Bo Bardi no Morumbi recebe Poetic Living até 11 de julho e reforça o peso cultural de imóveis tombados na cidade.







A Casa de Vidro, no Morumbi, em São Paulo, recebe até 11 de julho de 2026 a exposição Poetic Living, de Jean-Michel Othoniel, em uma agenda que recoloca a antiga moradia de Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi no centro da discussão sobre patrimônio, imóveis e mercado imobiliário cultural. O endereço é a Rua General Almério de Moura, 200, sede do Instituto Bardi/Casa de Vidro.
As visitas ocorrem de quinta a sábado, às 10h, 11h30, 14h e 15h30. Segundo informações publicadas sobre a programação, os percursos são guiados por educadores, duram cerca de 50 minutos e têm ingressos de R$ 58,00, com meia-entrada de R$ 29,00.
Casa de Vidro em São Paulo: de moradia a imóvel cultural
Projetada por Lina Bo Bardi em 1950 para ser residência do casal, a Casa de Vidro foi concluída em 1951, de acordo com a página institucional do Instituto Bardi. A própria instituição informa que este foi o primeiro projeto construído da arquiteta e que o imóvel serviu de residência aos Bardi por mais de 40 anos.
O terreno escolhido ficava no antigo Jardim Morumby, resultante do loteamento da Fazenda de Chá Muller Carioba. Os dois primeiros lotes foram comprados pelo casal em 1949. Hoje, o conjunto soma quase 7.000 m² de terreno e inclui a casa principal, a casa do caseiro, a garagem e o estúdio.
Na leitura urbana, a trajetória do imóvel ajuda a mostrar como uma residência privada pode mudar de função sem perder sua relevância arquitetônica. A casa principal ocupa a parte mais alta do terreno, avança sobre pilares cilíndricos delgados e tem três faces envidraçadas de piso a teto na sala de estar. O jardim, planejado e plantado por Lina, ocupa grande parte do terreno e transformou a vegetação rasteira em uma floresta particular com trilhas de pedras e cacos de cerâmica.
Patrimônio, tombamento e mercado imobiliário no Morumbi
A conversão da Casa de Vidro em ativo cultural não se apoia em valor de mercado divulgado, mas em uma sequência documentada de proteção, acervo e uso público. O tombamento estadual pelo Condephaat foi solicitado pelo próprio casal Bardi em 1987 e aprovado no mesmo ano, abrangendo a casa e bens móveis.
Em 8 de maio de 2024, o Conselho Consultivo do Iphan aprovou a rerratificação da Casa de Vidro. A decisão redefiniu a poligonal de tombamento e incluiu residência, acervo, jardim, casa do caseiro, muros e espelho d’água nos livros do Tombo de Belas Artes e do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico.
Esse tipo de proteção altera a forma como imóveis históricos entram no debate sobre cidade. Em vez de serem tratados apenas como ativos fundiários, passam a reunir arquitetura, memória, visitação e programação cultural. No caso da Casa de Vidro, o Instituto informa que o imóvel passou a ser aberto à visitação pública em 2015, após ações físicas e institucionais de adaptação da residência como sede cultural.
Instituto Bardi e acervo ampliam o valor público do imóvel
O Instituto Bardi foi fundado em 3 de maio de 1990 por Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi como organização da sociedade civil sem fins lucrativos dedicada à arquitetura, urbanismo, design e artes. Em 1995, Pietro Maria Bardi doou a Casa de Vidro ao Instituto.
O acervo é uma dimensão central desse patrimônio. O Instituto informa reunir mais de 40 mil itens. O Fundo Lina Bo Bardi inclui 11.500 documentos ligados à atividade profissional da arquiteta e 15.000 fotografias de projetos realizados ao longo de sua vida.
A conservação também tem registro internacional. A Getty Foundation lista o Plano de Gestão e Conservação da Casa de Vidro como publicação de 2020, com 239 páginas, arquivo PDF de 47,42 MB, grant year 2016 e organização beneficiária Instituto Lina Bo e P.M. Bardi.
Exposição Poetic Living ocupa a Casa de Vidro até julho
A mostra Poetic Living apresenta obras de Jean-Michel Othoniel criadas para dialogar com a arquitetura e a produção de Lina Bo Bardi. Segundo o Instituto Bardi, o conjunto inclui esculturas, aquarelas, Tribute easels to Lina Bo Bardi, Liseron, luminárias em vidro Murano, Mirror Necklace e tamboretes Midnight Souls.
O texto institucional da exposição afirma ainda que a mostra reabre o caminho para o ateliê de Lina após anos fechado aos visitantes. A curadoria e o texto curatorial são de Bruno Simões, diretor do Instituto Bardi. Reportagem da Viagem e Turismo descreveu a programação como a primeira exposição institucional de Othoniel no Brasil.
O artista nasceu em 27 de janeiro de 1964 em Saint-Étienne, na França. De acordo com a Peggy Guggenheim Collection, trabalhou com instalação, filme, escultura e fotografia, participou da Documenta de Kassel e da Bienal de Istambul em 1992 e, a partir de meados dos anos 1990, passou a colaborar com o C.I.R.V.A. de Marselha e mestres vidreiros de Murano.
Serviço: visitação, ingressos e meia-entrada
Durante a exposição, a agenda informada para a Casa de Vidro funciona de quinta a sábado, nos horários de 10h, 11h30, 14h e 15h30. A meia-entrada vale para estudantes, idosos acima de 60 anos, professores e pessoas com deficiência. Crianças de até 10 anos têm entrada gratuita.
Para São Paulo, o caso sintetiza um ponto sensível do mercado imobiliário: imóveis podem acumular camadas que vão além do uso residencial. Na Casa de Vidro, arquitetura moderna, tombamento, acervo, jardim e exposição temporária fazem do endereço no Morumbi um patrimônio visitável, com função pública e peso cultural mensurável por sua agenda, sua preservação e sua permanência na cidade.
Fontes
- Instituto Bardi - Sobre o Instituto
- Instituto Bardi - A Casa dos Bardi
- Instituto Bardi - A Casa Hoje
- Iphan - Conselho Consultivo aprova pareceres de tombamento
- Instituto Bardi - Plano de Gestão e Conservação
- Instituto Bardi - Sobre o Acervo
- Getty Foundation - Casa de Vidro report library
- Instituto Bardi - Exposição Poetic Living
- Viagem e Turismo - Casa de Vidro recebe Poetic Living
- ArchDaily Brasil - Jean-Michel Othoniel na Casa de Vidro
- Peggy Guggenheim Collection - Jean-Michel Othoniel
- MoMA - Le Grand Collier



























