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Case-Shiller: imóveis nos EUA perdem da inflação pelo 10º mês

Preço nacional das casas subiu 0,7% em março, mas CPI avançou 3,3% em 12 meses; mais da metade dos grandes mercados caiu.

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O mercado imobiliário dos Estados Unidos entrou em março de 2026 no 10º mês consecutivo em que a valorização nacional dos imóveis ficou abaixo da inflação ao consumidor. O S&P Cotality Case-Shiller U.S. National Home Price NSA Index registrou alta anual nominal de 0,7%, abaixo dos 0,8% reportados no mês anterior.

A leitura transforma a aparente alta dos preços em perda real: segundo a S&P Dow Jones Indices, o CPI de março ficou 2,6 pontos percentuais acima da alta anual do índice nacional Case-Shiller. Em paralelo, o Bureau of Labor Statistics informou que o CPI-U subiu 3,3% nos 12 meses encerrados em março, depois de alta anual de 2,4% em fevereiro.

Imóveis nos Estados Unidos ficam atrás do CPI

O descompasso entre imóveis e inflação ganhou força em março. O CPI-U avançou 0,9% na comparação mensal dessazonalizada, enquanto o núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, subiu 0,2% no mês e 2,6% em 12 meses, de acordo com o BLS.

A pressão veio sobretudo da energia. O índice de energia avançou 10,9% em março e 12,5% em 12 meses. A gasolina subiu 21,2% no mês, na série dessazonalizada, e 18,9% nos 12 meses encerrados em março.

Para proprietários e investidores, o ponto central é que a alta nominal de 0,7% no preço nacional das casas não acompanhou a inflação medida no mesmo período. Para compradores, o quadro reforça a cautela em um mercado imobiliário no qual preços, juros e oferta passaram a se mover em direções menos favoráveis.

Mercado imobiliário dos EUA mostra fraqueza nas metrópoles

A desaceleração não ficou restrita ao índice nacional. Mais da metade dos 20 principais mercados metropolitanos acompanhados pelo Case-Shiller teve queda anual de preços em março de 2026, segundo a S&P DJI.

Chicago liderou os 20 mercados, com alta anual de 6,1%. Na sequência vieram New York, com 4,0%, e Cleveland, com 3,0%. No outro extremo, Seattle registrou a pior variação entre os mercados citados, com queda de 2,5%.

Também recuaram Denver, com queda de 2,0%; Tampa, com queda de 1,9%; Dallas, com queda de 1,7%; e Phoenix, com queda de 1,6%. Los Angeles caiu 1,6% na comparação anual, enquanto Washington teve queda de 0,1%.

Chicago e Seattle expõem distância entre mercados

A diferença entre o melhor e o pior desempenho metropolitano chegou a 8,6 pontos percentuais, de Chicago, com alta de 6,1%, a Seattle, com queda de 2,5%. O dado mostra que o mercado imobiliário dos Estados Unidos não se move como bloco único: algumas regiões ainda sustentam ganhos, enquanto outras já registram perdas anuais.

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Nos índices compostos, a desaceleração também apareceu. O 10-City Composite subiu 1,4% em 12 meses em março, abaixo da alta de 1,5% no mês anterior. O 20-City Composite avançou 0,8%, também abaixo dos 0,9% registrados antes.

Case-Shiller mostra queda após ajuste sazonal

Antes do ajuste sazonal, o índice nacional subiu 0,7% em março ante fevereiro. O 10-City Composite avançou 1,2% e o 20-City Composite subiu 1,0% na mesma comparação.

Depois do ajuste sazonal, porém, o quadro ficou mais fraco: o índice nacional e o 20-City Composite caíram 0,2% em março ante fevereiro, enquanto o 10-City Composite recuou 0,03%, segundo a S&P DJI.

O relatório também trouxe uma exceção rara para um índice de referência. A S&P DJI informou que não publicaria atualização válida de março de 2026 para Detroit por atrasos de transações no cartório de registros do condado de Wayne, apontado como o condado mais populoso da área metropolitana de Detroit. A instituição afirmou que havia dados suficientes para calcular uma atualização válida de fevereiro e que continuaria atualizando os valores de Detroit em meses com dados de vendas faltantes.

Juros, vendas e estoque pressionam o mercado de imóveis

O ambiente de financiamento também pesou sobre o mercado. A taxa média da hipoteca fixa de 30 anos nos EUA ficou em 5,98% na pesquisa da Freddie Mac divulgada em 26 de fevereiro de 2026, segundo publicação via Nasdaq. Na semana encerrada em 26 de março, a taxa subiu para 6,38%, ante 6,22% na semana anterior, conforme dados da Freddie Mac publicados via Investing.com.

Nas vendas de imóveis usados, a National Association of Realtors informou queda de 3,6% em março ante fevereiro, para uma taxa anualizada dessazonalizada de 3,98 milhões de unidades. O estoque representava 4,1 meses de oferta, acima de 3,8 meses em fevereiro e de 4,0 meses um ano antes.

O preço mediano dos imóveis usados foi de US$ 408.800 em março de 2026, segundo a NAR. No segmento de casas novas, o U.S. Census Bureau e o HUD estimaram vendas em taxa anualizada dessazonalizada de 663.000 unidades em março, com estoque de 481.000 casas, equivalente a 8,7 meses de oferta. O preço mediano das casas novas vendidas foi de US$ 391.100.

O fechamento de março deixa um sinal claro: nos Estados Unidos, os imóveis ainda subiam no índice nacional, mas subiam menos que a inflação. Com mais mercados metropolitanos em queda anual, juros hipotecários acima do patamar do fim de fevereiro e estoques maiores em partes do mercado, o Case-Shiller reforça a leitura de perda real no setor habitacional americano.

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