Fed mantém juros e hipoteca nos EUA fica perto de 6,5%
Decisão unânime do Fed preserva aperto monetário enquanto taxas de hipoteca seguem altas e imóveis mostram sinais mistos nos EUA.







O Federal Reserve manteve em 17 de junho de 2026 a meta dos Fed funds em 3,50% a 3,75%, por decisão unânime de 12 a 0, preservando uma política monetária restritiva que continua pesando sobre o mercado imobiliário dos EUA. Uma semana depois, a Freddie Mac informou que a hipoteca fixa média de 30 anos estava em 6,49% em 25 de junho, praticamente estável ante 6,47% na semana anterior e abaixo dos 6,77% registrados um ano antes.
Para compradores de imóveis, o recado é direto: o custo do financiamento segue elevado, mesmo sem nova alta de juros pelo Fed. A taxa fixa média de 15 anos também avançou levemente, para 5,84% em 25 de junho, ante 5,81% na semana anterior e 5,89% um ano antes, segundo o mesmo levantamento.
Juros do Fed nos EUA mantêm pressão sobre hipotecas
No comunicado de 17 de junho, o Fed afirmou que a economia dos EUA seguia em expansão em ritmo sólido, que os ganhos de emprego acompanhavam a força de trabalho, que a taxa de desemprego havia mudado pouco e que a inflação permanecia elevada em relação à meta de 2%. A decisão, segundo o banco central americano, apoia seu duplo mandato.
As projeções econômicas publicadas no mesmo dia reforçaram a leitura de cautela. A mediana para os Fed funds no fim de 2026 subiu para 3,8%, acima dos 3,4% projetados em março de 2026. A rodada também apontou mediana de inflação PCE de 3,6% em 2026, núcleo do PCE de 3,3%, crescimento real do PIB de 2,2% e desemprego de 4,3% no quarto trimestre de 2026.
O ambiente de inflação ajuda a explicar por que a autoridade monetária manteve o aperto. O índice PCE de preços subiu 0,4% em maio de 2026 ante abril e 4,1% em relação a maio de 2025, enquanto o núcleo do PCE avançou 0,3% no mês e 3,4% em 12 meses, segundo o BEA.
Hipoteca de 30 anos perto de 6,5% afeta imóveis nos EUA
A Freddie Mac informa que seu levantamento PMMS usa taxas coletadas de milhares de pedidos de empréstimo submetidos ao Loan Product Advisor por credores dos EUA. O resultado semanal reflete taxas oferecidas de quinta-feira a quarta-feira antes da divulgação.
Outra fotografia do crédito veio da MBA, em dados publicados pela HousingWire para a semana encerrada em 19 de junho de 2026. Os pedidos totais de financiamento subiram 1,0% em termos ajustados, mas o índice de compra ajustado sazonalmente caiu 1%, enquanto o índice de refinanciamento avançou 3%.
Na mesma semana, a taxa contratual média da hipoteca fixa de 30 anos com saldo conforme caiu de 6,60% para 6,59%, e a taxa de jumbo de 30 anos recuou de 6,62% para 6,52%. O rendimento do Treasury de 10 anos, referência acompanhada pelo mercado, estava em 4,40% em 25 de junho de 2026, ante 4,41% no dia 24 e 4,50% no dia 23, conforme a série DGS10 do Federal Reserve republicada pelo FRED.
Mercado imobiliário dos EUA tem sinais mistos em vendas
Nas vendas de imóveis usados, a NAR reportou 4,17 milhões de vendas anualizadas dessazonalizadas em maio de 2026, alta de 3,2% no mês e também de 3,2% em 12 meses. O estoque de imóveis usados foi de 1,55 milhão de unidades, avanço de 3,3% ante abril e de 0,6% ante maio de 2025, equivalente a 4,5 meses de oferta.
O preço mediano nacional dos imóveis usados chegou a US$ 429.300 em maio, alta anual de 1,3%. O índice de affordability da NAR marcou 105,6, acima dos 97,5 de um ano antes, sinal de melhora relativa, embora as hipotecas ainda permaneçam em patamar alto para a capacidade de compra.
Casas novas ampliam estoque no mercado imobiliário
Nas vendas de casas novas, o Census Bureau e o HUD reportaram 580.000 unidades anualizadas dessazonalizadas em maio de 2026, queda de 7,3% ante abril, quando a taxa revisada foi de 626.000. O estoque de casas novas à venda no fim de maio foi estimado em 496.000 unidades, alta de 2,3% ante abril.
Esse volume equivalia a 10,3 meses de oferta no ritmo corrente de vendas. O preço mediano das casas novas vendidas em maio foi de US$ 424.900, enquanto o preço médio foi de US$ 540.600.
O que observar no mercado de imóveis dos EUA
O congelamento dos juros pelo Fed não reduziu de imediato o custo das hipotecas. Para o mercado imobiliário dos EUA, o quadro combina financiamento caro, inflação ainda acima da meta, vendas de usados em alta e perda de força nas casas novas.
Enquanto as projeções do Fed apontarem juros ainda elevados e as taxas de hipoteca permanecerem próximas de 6,5%, a compra de imóveis tende a continuar condicionada pela capacidade de pagamento das famílias. Para investidores, compradores e vendedores, a leitura central é que a estabilidade da taxa básica não equivale, por si só, a alívio no financiamento habitacional.
Fontes
- Federal Reserve - FOMC statement, 17/06/2026
- Federal Reserve - Economic Projections, 17/06/2026
- Freddie Mac - Primary Mortgage Market Survey
- HousingWire/MBA - Mortgage applications rise
- NAR - Existing-Home Sales Report, May 2026
- U.S. Census Bureau/HUD - New Residential Sales
- BEA - Personal Income and Outlays, May 2026
- FRED/Federal Reserve - Market Yield on U.S. Treasury Securities at 10-Year Constant Maturity



























