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Mercado imobiliário Porto Alegre

Centro de Porto Alegre perde 22% dos moradores

Mesmo com o Centro+, bairro tem menos residentes que em 2010; prefeitura mira 90 mil moradores e discute incentivos para imóveis e retrofit.

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O Centro Histórico de Porto Alegre perdeu 8.585 moradores entre 2010 e 2022, uma retração de 21,93%, apesar das ações de revitalização lançadas pela Prefeitura a partir de 2021 com o programa Centro+. A população residente caiu de 39.154 pessoas no Censo 2010 para 30.569 no Censo 2022, segundo dados do ObservaPOA/Prefeitura de Porto Alegre.

O resultado expõe o principal desafio urbano e imobiliário da região mais simbólica da capital gaúcha: fazer com que obras, incentivos e novos projetos de imóveis se convertam em moradia efetiva. A meta atribuída ao Centro+ pela reportagem do Sul21 é elevar a população do Centro Histórico para 90 mil moradores.

Centro de Porto Alegre encolhe no Censo 2022

Em 2010, o Centro Histórico concentrava 39.154 moradores, equivalentes a 2,78% da população de Porto Alegre naquele censo. Em 2022, o bairro passou a ter 30.569 residentes, ou 2,29% da população municipal.

A queda calculada com base nos dois levantamentos oficiais foi de 8.585 pessoas, ou 21,93% sobre a população de 2010. Na prática, o Centro Histórico perdeu peso demográfico dentro da própria cidade, ao mesmo tempo em que seguiu no centro do debate sobre circulação, ocupação urbana, comércio, patrimônio e mercado imobiliário.

Centro+ tenta reverter esvaziamento do mercado imobiliário local

O programa Centro+ foi lançado em 2021 pela Prefeitura de Porto Alegre para melhorar a circulação, a ocupação e a revitalização do Centro Histórico. As ações abrangem ruas, edifícios e passeios, incluindo intervenções em áreas como o Viaduto Otávio Rocha, de acordo com a reportagem do Sul21.

A página oficial do programa define o Centro+ como um conjunto de ações públicas e parcerias privadas voltado a estimular a circulação de pessoas e medidas de desenvolvimento no Centro Histórico. O site também informa que a iniciativa foi organizada em cinco eixos: Recuperação Urbana, Economia e Inovação, Turismo e Eventos, Cultura e Patrimônio e Cuidados Integrais.

O desenho territorial do programa divide o Centro Histórico em três setores: Residencial, Comercial e Cultural/Institucional. Essa divisão mostra que a moradia é tratada como uma das frentes da estratégia municipal, mas os números do Censo indicam que a reversão do esvaziamento ainda não apareceu nos dados populacionais mais recentes.

Imóveis avançam, mas habite-se ainda é restrito

O paradoxo aparece nos dados de produção imobiliária reunidos pela reportagem. Entre 1º de janeiro de 2021 e 21 de junho de 2026, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade registrou 94 edificações no Centro Histórico.

Esses empreendimentos somavam 210.956,97 m² de área construída e capacidade para 3.344 unidades imobiliárias. Do total, porém, 347 unidades já tinham habite-se no período informado. O dado sugere uma distância entre o potencial construtivo registrado e a entrega efetiva de unidades aptas à ocupação.

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Em entrevista citada pelo Sul21, o prefeito Sebastião Melo afirmou que metas do Executivo para o Centro Histórico “não aconteceram” e disse estudar um pacote de isenções de tributos para tornar o retrofit mais atraente na região.

IPTU, ITBI e ISSQN entram na pauta de incentivos

A discussão sobre tributos ganhou forma em 2 de dezembro de 2025, quando a Prefeitura protocolou na Câmara Municipal um projeto de lei com incentivos fiscais para investimentos privados em construção, recuperação, renovação, reparo ou manutenção de imóveis no Centro Histórico.

Segundo a Câmara Municipal de Porto Alegre, a proposta abrange IPTU, ISSQN e ITBI. A renúncia fiscal prevista informada pela Câmara é de R$ 7 milhões em 2026, R$ 10,5 milhões em 2027 e R$ 11 milhões em 2028.

O projeto discutido no Legislativo prevê isenção de IPTU de até sete anos para novas edificações e de até dez anos para imóveis submetidos a retrofit no Centro. Também prevê redução de 30% do IPTU por um ano para prédios que usem empenas cegas ou fachadas para arte urbana e redução de 20% por dois anos para edificações que autorizem transformação para uso misto.

Retrofit no Centro Histórico mira ocupação, não só obras

O foco no retrofit é relevante porque o Centro Histórico combina patrimônio, edifícios antigos, áreas comerciais e potencial residencial. Pelos dados disponíveis, a Prefeitura tenta induzir o investimento privado em recuperação e adaptação de imóveis, enquanto busca aproximar a região da meta de 90 mil moradores.

O programa também está vinculado a uma agenda mais ampla de financiamento urbano. O site oficial do Centro+ informa que, em outubro de 2021, o Ministério da Economia aprovou cofinanciamento de US$ 152 milhões para Porto Alegre via BIRD e Agência Francesa de Desenvolvimento, com recursos destinados ao Centro Histórico, ao 4º Distrito e à Orla do Guaíba.

O desafio de Porto Alegre: transformar revitalização em moradia

Os dados reunidos mostram que a revitalização do Centro Histórico de Porto Alegre ainda enfrenta uma medida objetiva: moradores. A região recebeu programa específico, organização por eixos, projetos imobiliários registrados e proposta de incentivos fiscais, mas chegou ao Censo 2022 com 30.569 residentes.

Para o mercado imobiliário, a questão central é se os instrumentos em debate, especialmente os ligados a IPTU, ITBI, ISSQN e retrofit, conseguirão transformar área construída e imóveis recuperados em ocupação residencial. Até aqui, o balanço mostra um Centro com ambição de voltar a crescer, mas ainda distante da meta de 90 mil moradores atribuída ao Centro+.

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