China mantém juro hipotecário no piso em meio à crise imobiliária
LPR de 5 anos, referência para hipotecas, fica em 3,5% pelo 13º mês, enquanto vendas e investimentos em imóveis seguem em queda.







A China manteve em 22 de junho de 2026 a Loan Prime Rate de 1 ano em 3,0% e a LPR acima de 5 anos em 3,5%, informou o Banco Popular da China ao autorizar a publicação das taxas pelo National Interbank Funding Center. A taxa acima de 5 anos, usada por muitos bancos chineses como referência para hipotecas, permaneceu inalterada em relação ao mês anterior e vale até a próxima divulgação mensal.
A decisão confirmou a expectativa do mercado. Segundo a Reuters, todos os 30 participantes de sua pesquisa esperavam a manutenção das duas taxas, que ficaram paradas pelo 13º mês consecutivo. Para o mercado imobiliário da China, o sinal é relevante: mesmo com juros de referência em patamar baixo, os indicadores de imóveis, crédito e demanda doméstica continuam pressionados.
Juro hipotecário na China fica em 3,5% pelo 13º mês
A LPR é formada a partir de cotações de 20 bancos, enviadas antes das 9h no dia 20 de cada mês, ou no dia útil seguinte quando há feriado. A metodologia exclui a maior e a menor cotação, calcula a média aritmética e arredonda o resultado para múltiplos de 0,05 ponto percentual.
No caso das hipotecas, a referência central é a LPR acima de 5 anos. A manutenção em 3,5% ocorre depois de medidas já adotadas para aliviar o financiamento habitacional. Em maio de 2024, a China cancelou o piso nacional para taxas comerciais de hipotecas de primeira e segunda moradia e reduziu os pagamentos mínimos de entrada para 15% na primeira moradia e 25% na segunda.
Imóveis na China seguem com queda em investimento e vendas
Os dados oficiais mais recentes mostram que a crise imobiliária ainda pesa sobre a economia. De janeiro a maio de 2026, o investimento em desenvolvimento imobiliário somou 3,0356 trilhões de yuans, queda anual de 16,2%. O investimento residencial, dentro desse total, chegou a 2,3426 trilhões de yuans, recuo de 15,6%.
A retração também aparece nas obras. No mesmo período, a área em construção por incorporadoras caiu 12,3% em termos anuais, para 5,48775 bilhões de metros quadrados. A área iniciada caiu 22,6%, para 179,29 milhões de metros quadrados, segundo o National Bureau of Statistics of China.
As vendas de imóveis comerciais novos somaram 313,20 milhões de metros quadrados entre janeiro e maio de 2026, queda anual de 10,8%. Em valor, essas vendas atingiram 2,9366 trilhões de yuans, baixa de 13,5%. O conjunto dos dados indica que o custo do financiamento, isoladamente, não tem sido suficiente para reativar a compra de imóveis.
Crédito imobiliário e hipotecas ainda mostram fraqueza
A pressão sobre incorporadoras também aparece na captação de recursos. Entre janeiro e maio de 2026, os recursos recebidos por empresas para investimento imobiliário somaram 3,2756 trilhões de yuans, queda anual de 19,0%. Dentro desse total, empréstimos domésticos caíram 28,7%, para 487,5 bilhões de yuans, e hipotecas individuais recuaram 28,0%, para 406,6 bilhões de yuans.
No sistema financeiro mais amplo, o estoque de financiamento social agregado da China era de 458,81 trilhões de yuans no fim de maio de 2026, alta anual de 7,7%. O M2 somava 353,67 trilhões de yuans, avanço de 8,6%. Ainda assim, nos primeiros cinco meses de 2026, os empréstimos de médio e longo prazo a famílias aumentaram apenas 62,8 bilhões de yuans, enquanto os empréstimos de curto prazo a famílias caíram 694,2 bilhões de yuans.
Em maio de 2026, a taxa média ponderada de novos empréstimos corporativos ficou em torno de 3,0%, cerca de 25 pontos-base abaixo de um ano antes. A taxa média ponderada de novas hipotecas pessoais ficou em torno de 3,1%, abaixo da LPR de referência de mais de 5 anos, conforme dados divulgados pela CCTV.
Mercado imobiliário pesa sobre a demanda doméstica
O enfraquecimento dos imóveis se soma a sinais mistos da economia chinesa. O investimento fixo total, excluindo domicílios rurais, somou 17,8512 trilhões de yuans entre janeiro e maio de 2026, queda anual de 4,1%. Sem o desenvolvimento imobiliário, o investimento fixo caiu 1,2%.
Em maio de 2026, as vendas no varejo de bens de consumo somaram 4,1090 trilhões de yuans, recuo anual de 0,6%, enquanto a produção industrial de empresas acima do tamanho designado cresceu 4,5%. O NBS registrou que havia desequilíbrio doméstico “agudo” entre oferta forte e demanda fraca, além de pressão operacional sobre algumas empresas.
Política monetária e meta de crescimento da China
No Fórum de Lujiazui de 2026, o governador do PBOC, Pan Gongsheng, afirmou que a taxa de recompra reversa de 7 dias havia funcionado como referência de preço e que o banco central estreitaria a banda da facilidade overnight para 50 pontos-base, definida como essa taxa mais ou menos 25 pontos-base.
Pan também disse que, em 2025, empréstimos responderam por 45% do novo Aggregate Financing to the Real Economy, enquanto financiamento por títulos e ações respondeu por 47% e superou empréstimos pela primeira vez. Segundo ele, na última década, a fatia dos novos empréstimos direcionada a desenvolvimento imobiliário e infraestrutura caiu de mais de 60% para cerca de 10%.
A meta oficial de crescimento econômico da China para 2026 é de 4,5% a 5,0%. Nesse contexto, a manutenção da LPR mostra uma autoridade monetária cautelosa: o juro hipotecário segue no piso recente, mas os dados de imóveis, vendas e crédito indicam que a recuperação do mercado imobiliário ainda depende de uma melhora mais ampla da demanda.
Fontes
- Banco Popular da China, 22/06/2026
- People’s Daily/Xinhua, 22/06/2026
- The Business Times/Reuters, 22/06/2026
- China Foreign Exchange Trade System/NIFC
- Gov.cn/Xinhua, 17/05/2024
- National Bureau of Statistics of China, 17/06/2026
- National Bureau of Statistics of China, 16/06/2026
- CCTV, 12/06/2026
- Xinhua Finance, 12/06/2026
- PBOC, 17/06/2026
- Gov.cn/Xinhua, 05/03/2026



























