Corretor em São Paulo mira R$ 270 mil contra CLT de R$ 2,36 mil
Dados do CAGED mostram média CLT de R$ 2.357,80; no mercado imobiliário de São Paulo, renda depende de vendas e honorários.







O contraste entre salário formal e renda variável resume uma das tensões do mercado imobiliário em São Paulo. Levantamento nacional do Portal Salário, com base no CAGED/MTE, atualizado em 4 de junho de 2026, mostra que corretores de imóveis com carteira assinada ganharam em média R$ 2.357,80 por mês entre maio de 2025 e abril de 2026. A mediana foi de R$ 2.070, o piso de R$ 1.918,44 e o teto de R$ 3.248,52, em uma amostra de 3.765 profissionais.
Na outra ponta, a meta de R$ 270 mil ao ano em honorários brutos equivale a R$ 22,5 mil por mês. Pela tabela referencial do CRECISP, que indica honorários de 6% a 8% para venda de imóveis urbanos, esse valor anual exigiria R$ 4,5 milhões em vendas se calculado integralmente pela taxa de 6%.
Salário CLT de corretor de imóveis e o retrato nacional
O CAGED é uma fonte mensal de informações sobre admissões e dispensas de trabalhadores regidos pela CLT, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. No recorte usado pelo Portal Salário para o CBO 3546-05, a jornada média do corretor de imóveis aparece em 44 horas semanais.
O mesmo levantamento aponta salário líquido estimado de R$ 1.886 e custo empresa estimado de R$ 4.008. Também registra saldo de -25 vagas, rotatividade de 50,3% e índice de contratação de 0,99, classificado como “mais desligamentos”. Ainda assim, São Paulo aparece como a cidade com mais contratações para corretor de imóveis no recorte nacional.
A renda anual bruta de R$ 270 mil equivale a cerca de 114,5 salários médios mensais CLT de R$ 2.357,80 apurados no levantamento. A comparação, portanto, não mede remunerações equivalentes: de um lado está o salário formal mensal; de outro, uma meta de honorários brutos vinculada ao volume de transações.
Mercado imobiliário em São Paulo dá escala, mas não garante renda
O tamanho do mercado ajuda a explicar por que São Paulo concentra atenção dos corretores. Em abril de 2026, a cidade vendeu 9.588 unidades residenciais novas, com VGV de R$ 4,9 bilhões, segundo a Pesquisa do Mercado Imobiliário do Secovi-SP citada pela Exame. No acumulado de 12 meses até abril de 2026, foram 114,8 mil unidades vendidas e R$ 59,1 bilhões em VGV.
A divisão do VGV de abril pelo número de unidades vendidas indica preço médio aproximado de R$ 511 mil por unidade nova vendida no mês. Nove vendas nesse preço médio, se remuneradas integralmente a 6%, gerariam cerca de R$ 276 mil em honorários brutos. O cálculo ilustra a meta de renda, mas depende de condições que podem variar, como tipo de imóvel, acordo de honorários e participação de mais de um corretor.
A tabela do CRECISP prevê, por exemplo, que quando a transação envolve mais de um corretor, o pagamento deve ser feito a todos os participantes em partes iguais, salvo ajuste contrário por escrito. Para empreendimentos imobiliários, a referência de honorários é de 4% a 6%, também segundo a tabela do conselho.
Imóveis novos, Minha Casa Minha Vida e preço por metro quadrado
Os dados de oferta também mostram um mercado em movimento. Em abril de 2026, São Paulo lançou 11.620 unidades residenciais novas, queda de 20,9% ante março e alta de 45,7% ante abril de 2025, segundo dados do Secovi-SP reproduzidos pelo SindusCon-SP. Em 12 meses até abril de 2026, os lançamentos somaram 141,8 mil unidades, alta de 18% sobre as 119,8 mil do período imediatamente anterior.
O Minha Casa, Minha Vida teve peso relevante no mês: respondeu por 69% das vendas de imóveis novos em São Paulo em abril de 2026, segundo a pesquisa do Secovi-SP citada pela Exame. O Ministério das Cidades informou, em maio de 2026, que a Faixa 4 do programa subiu para renda mensal de até R$ 13 mil e que o valor máximo dos imóveis dessa faixa passou de R$ 500 mil para R$ 600 mil.
No preço anunciado, São Paulo seguiu entre as capitais mais caras monitoradas pelo FipeZAP. Em maio de 2026, a cidade teve variação mensal de 0,22%, alta acumulada de 1,25% no ano, avanço de 4,23% em 12 meses e preço médio residencial anunciado de R$ 12.045 por metro quadrado. Entre 22 capitais, ficou com o terceiro maior preço médio, atrás de Vitória e Florianópolis.
CRECI, função do corretor e o risco da renda variável
A profissão é regulamentada pela Lei nº 6.530, de 12 de maio de 1978, que permite o exercício ao possuidor de título de Técnico em Transações Imobiliárias e atribui ao corretor a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis. A descrição CBO 3546-05 também registra atividades como solicitar documentação, entrevistar clientes, pesquisar mercado e captar imóveis.
Segundo a descrição de formação e experiência da CBO, o exercício da ocupação exige curso técnico de nível médio e registro no CRECI. No Estado de São Paulo, o CRECISP informou ter mais de 300 mil corretores de imóveis inscritos e 9.283 novos profissionais ingressando no mercado entre janeiro e junho de 2025, ante 8.487 no mesmo período de 2024, alta aproximada de 9,4%.
O retrato final é de uma carreira com duas leituras simultâneas. A CLT mostra remuneração média mensal modesta no recorte nacional e saldo negativo de vagas. Já a atuação autônoma em São Paulo pode mirar honorários muito superiores, mas depende de vendas, preço dos imóveis, regras de comissão e divisão entre profissionais. Para quem entra no mercado imobiliário, a promessa de R$ 270 mil ao ano é menos um salário previsível e mais uma meta comercial bruta.
Fontes
- Portal Salário/CAGED - Corretor de Imóveis CBO 3546-05
- Ministério do Trabalho e Emprego - O que é CAGED
- COFECI - Lei nº 6.530/1978
- CBO/MTE via Ocupações - Corretor de Imóveis
- CRECISP - Número de inscritos cresce quase 10%
- CRECISP - Tabela referencial de honorários
- Exame - Venda de imóveis em SP somou R$ 5 bi em abril
- SindusCon-SP - Abril registra mais lançamentos que vendas
- FipeZAP - Índice residencial de venda, maio de 2026
- Ministério das Cidades - Minha Casa Minha Vida Faixa 4



























