Empresa de Ciro Nogueira concentra imóveis de luxo em São Paulo
Polícia Federal investiga compra de mansões e apartamentos por companhia ligada ao senador durante supostos repasses mensais do Banco Master.







Uma empresa ligada ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) adquiriu duas mansões e dois apartamentos de luxo em São Paulo entre 2024 e 2025. Segundo investigações da Polícia Federal (PF) reveladas pela Folha de S.Paulo, as compras no mercado imobiliário ocorreram no mesmo período em que a companhia recebia supostos repasses mensais do Banco Master.
A empresa investigada, denominada CNLF, leva as iniciais do senador (Ciro Nogueira Lima Filho) e é administrada por seu irmão. A PF apura se as movimentações financeiras para aquisição de imóveis e outros negócios empresariais estão ligadas à atuação do parlamentar no Senado em favor da instituição financeira.
Imóveis de luxo e o mercado imobiliário em São Paulo
O principal ativo no portfólio da CNLF é uma mansão de 878 m² localizada no Jardim Europa. Para a aquisição desta propriedade, foi dado como pagamento um triplex de 514 m² na Rua Oscar Freire. Comprado originalmente por R$ 22 milhões em julho de 2024, o triplex alcançou um valor estimado de R$ 30 milhões, segundo declarações de Ciro Nogueira ao portal Metrópoles.
Outra propriedade de destaque é uma mansão de 587 m² no Condomínio Village Cidade Jardim, adquirida em outubro de 2025 por R$ 5 milhões. O imóvel foi registrado com divisão igualitária: 50% para a empresa de Ciro e 50% para o médico Pedro de Brito, que é genro do parlamentar. Em sua defesa à imprensa, o senador afirmou que a casa foi comprada para sua filha e que o pai de seu genro foi o responsável pelo pagamento da outra metade.
As transações incluem ainda um apartamento de 105 m² na Rua Oscar Freire, comprado por R$ 660 mil em agosto de 2024 para a ex-mulher e sócia de Ciro, Iracema Portela. Em outra operação, um apartamento no Itaim Bibi foi adquirido pela CNLF por R$ 650 mil e vendido por R$ 1,35 milhão para outra empresa do próprio senador — uma valorização justificada por ele como decorrente de reforma.
Venda para offshore e opacidade patrimonial
O mercado imobiliário paulistano também serviu para movimentação de alto valor envolvendo capital estrangeiro. Em abril de 2025, a CNLF vendeu um apartamento no Jardim Paulista por R$ 6,5 milhões para a Aliqum Participações. A operação chamou a atenção devido à estrutura societária da compradora: a empresa pertence à offshore Tedax Partners, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, cujo beneficiário final não é identificável.
Ciro Nogueira declarou à Folha que os recursos originados desta venda para a offshore ajudaram a viabilizar a compra do triplex que, posteriormente, garantiu a aquisição da mansão no Jardim Europa. O parlamentar reiterou que todos os imóveis foram adquiridos com recursos próprios de suas empresas, sem qualquer relação com o Banco Master.
Operação Compliance Zero e repasses sob investigação
O Supremo Tribunal Federal (STF) apontou, em decisão assinada pelo ministro André Mendonça, indícios de um "arranjo funcional" entre Ciro e Daniel Vorcaro, executivo do Banco Master. A Polícia Federal aponta que ocorreram pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, transferidos de uma empresa de Felipe Vorcaro para a CNLF.
O inquérito destaca a elaboração de uma emenda parlamentar à PEC 65/2023. O texto, que visava ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, teria sido redigido pela assessoria do banco e apresentado na íntegra pelo senador, mas não foi aprovado por resistência do Banco Central e de outros parlamentares.
Investigações do Ministério da Justiça e liquidação pelo Banco Central
O cenário do Banco Master tem sido alvo de escrutínio pelas autoridades em diferentes frentes. O Ministério da Justiça informou que investigações iniciadas em 2024 apontam que o Banco Master teria criado carteiras de crédito sem lastro, vendidas ao Banco de Brasília (BRB) e substituídas por ativos sem avaliação técnica adequada após fiscalização do Banco Central.
De forma independente e no âmbito de suas atribuições regulatórias, o Banco Central decretou, em 18 de novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master S.A. e de outras corretoras do grupo, além de estabelecer um Regime Especial de Administração Temporária para o Banco Master Múltiplo S.A.
A ofensiva mais recente ocorreu no início de maio de 2026, com a 5ª fase da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca, apreensão e prisão para aprofundar as apurações sobre organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, além de realizar o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens dos investigados.



























