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Evergrande leva risco bilionário à PwC em Hong Kong

Liquidadores cobram 57 bilhões de yuans de entidades da PwC por auditorias da incorporadora chinesa, em caso de alto impacto jurídico.

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Os liquidadores da China Evergrande Group pediram, em 18 de maio de 2026, 57 bilhões de yuans, cerca de US$ 8,4 bilhões, contra PricewaterhouseCoopers International Ltd., PwC Hong Kong e a afiliada da PwC na China continental em um processo em Hong Kong. A cobrança, descrita pela Bloomberg como uma das maiores reivindicações corporativas já feitas na cidade, acusa negligência e má representação no trabalho de auditoria da PwC para a incorporadora.

O caso transformou a liquidação da Evergrande em uma disputa com potencial de contágio para o mercado imobiliário, para auditorias de grandes companhias e para o patrimônio de sócios da PwC. Em 11 de junho de 2026, a Bloomberg informou que vários sócios atuais das afiliadas da PwC em Hong Kong e na China continental avaliavam estratégias para proteger patrimônio pessoal diante do risco de custos legais ou financeiros ligados ao processo.

Evergrande, PwC e o risco no mercado imobiliário de Hong Kong

Do total pedido pelos liquidadores, 38 bilhões de yuans foram reivindicados contra as três entidades em conjunto. Outros 19 bilhões de yuans foram reivindicados apenas contra as entidades de Hong Kong e da China continental. A ação original foi apresentada em março de 2024 por Edward Middleton e Tiffany Wong, da Alvarez & Marsal, cerca de dois meses depois da ordem de liquidação da incorporadora.

A Alta Corte de Hong Kong colocou a China Evergrande Group em liquidação em 29 de janeiro de 2024 e nomeou Middleton e Wong, diretores-gerentes da Alvarez & Marsal Asia Limited, como liquidadores. As ações da Evergrande foram suspensas na Bolsa de Hong Kong às 10h18 do mesmo dia. Depois, a Bolsa de Hong Kong cancelou a listagem da companhia a partir das 9h de 25 de agosto de 2025, após a empresa não cumprir a orientação de retomada de negociação até 28 de julho de 2025.

Auditorias da Evergrande estão no centro da disputa

A ação citada pela Bloomberg diz respeito a relatórios de auditoria da PwC sobre demonstrações financeiras da Evergrande de 2017 e do primeiro semestre de 2018. A PricewaterhouseCoopers International tenta sair do processo, argumentando que não presta serviços de contabilidade a clientes e que responde apenas por seus próprios atos ou omissões.

O pano de fundo regulatório também é pesado. Em 23 de abril de 2026, o Accounting and Financial Reporting Council de Hong Kong sancionou a PwC e dois ex-sócios responsáveis registrados, Cheung Siu Cheong e Chow Sai Keung, por má conduta em auditorias ligadas à Evergrande. O regulador aplicou multa total de HK$310 milhões: HK$300 milhões contra a PwC e HK$5 milhões contra cada um dos dois ex-sócios.

O AFRC também impôs limitação imediata de seis meses que proíbe a PwC de aceitar, executar ou emitir relatórios para novos clientes de auditoria de entidades de interesse público. Segundo o regulador, a PwC atuou como contadora responsável pelo IPO da Evergrande em 2009 e foi auditora do grupo desde a listagem até o início de 2023.

Sócios da PwC em Hong Kong avaliam proteção de patrimônio

A Bloomberg informou que, em Hong Kong, firmas de auditoria costumam ser registradas como parcerias ilimitadas, como ocorreu com a afiliada local da PwC. Nessa estrutura, sócios compartilham lucros e passivos. A situação foi descrita como especialmente sensível para sócios de auditoria com participação societária listados na PwC Hong Kong entre 2017 e 2020, período atingido pela ação dos liquidadores.

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Segundo a reportagem de 11 de junho de 2026, um sócio chegou a cogitar divórcio para proteger patrimônio, outro reduziu orçamento de educação dos filhos, e ex-líderes seniores da afiliada de Hong Kong também avaliavam proteção de ativos. A mesma apuração informou que seguros de responsabilidade profissional podem cobrir parte das reivindicações, mas valores acima dos limites de seguro poderiam recair sobre as firmas de auditoria, com possível chamada de capital dos sócios com participação.

A PwC decidiu reter recursos de uma venda de unidade de negócios de 2022, após três anos de distribuições que seriam pagas a membros da parceria, para usar os fundos em operações e investimento da firma. A decisão reforça como o processo da Evergrande saiu do campo estritamente contábil e passou a envolver liquidez interna, governança e exposição patrimonial.

Reguladores miram demonstrações de 2019 e 2020

O AFRC afirmou que a PwC emitiu opiniões de auditoria sem ressalvas sobre demonstrações consolidadas da Evergrande apesar de deficiências graves, incluindo reconhecimento prematuro de receita e ajustes contábeis de consolidação sem suporte. A Evergrande reportou receitas superiores a RMB477 bilhões em 2019, receitas superiores a RMB507 bilhões em 2020, lucros superiores a RMB33 bilhões em 2019, lucros superiores a RMB31 bilhões em 2020 e ativos totais superiores a RMB2,2 trilhões em 31 de dezembro de 2020.

No mesmo dia 23 de abril de 2026, a Securities and Futures Commission de Hong Kong anunciou acordo pelo qual a PwC Hong Kong reservou HK$1 bilhão para compensar acionistas minoritários independentes elegíveis da China Evergrande por demonstrações falsas de 2019 e 2020. Na China continental, reguladores anunciaram em 13 de setembro de 2024 penalidades de 441 milhões de yuans contra a PricewaterhouseCoopers Zhong Tian LLP, suspensão de seis meses de suas atividades e fechamento da filial de Guangzhou por auditorias de 2018 a 2020 da Hengda Real Estate, principal subsidiária da Evergrande.

O que o caso Evergrande sinaliza para imóveis e auditoria

A disputa em Hong Kong testa até onde auditores podem responder por falhas ligadas à crise de uma incorporadora de grande porte. Para o mercado imobiliário chinês, a liquidação da Evergrande já havia se tornado um marco. Agora, a cobrança bilionária contra entidades da PwC amplia o alcance do caso para seguros, responsabilidade profissional, estrutura de parcerias e governança das firmas que auditam empresas com forte presença em imóveis.

O desfecho ainda depende do processo em Hong Kong. Mas os fatos já documentados mostram uma mudança de escala: a crise de uma incorporadora passou a envolver uma das maiores redes globais de auditoria, reguladores de Hong Kong e da China continental, acionistas minoritários e sócios que avaliam proteger patrimônio pessoal.

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