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Bastidores Porto Velho

Golpe de R$ 2 mi em Porto Velho alerta imóveis de leilão

Caso Rafa Meny expõe riscos de ofertas abaixo do mercado imobiliário; CRECI-RO abriu rito ético contra corretora citada.

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Um suposto golpe milionário em Porto Velho colocou em alerta compradores interessados em imóveis de leilão e oportunidades abaixo do mercado. O influenciador digital Rafa Meny declarou ter sofrido prejuízo superior a R$ 2 milhões em negociações de imóveis apresentados como leilões e bons negócios, segundo reportagem do Portal SGC publicada em 18 de maio de 2026.

O caso ganhou dimensão institucional depois que o CRECI-RO formalizou o recebimento de denúncia contra a corretora Amanda Vaz de Oliveira e iniciou um rito ético-disciplinar, conforme informou o presidente do conselho, Júlio César, ao SGC em 19 de maio de 2026. A apuração administrativa, porém, não substitui as esferas cível e criminal para eventual recuperação de valores.

Mercado imobiliário em Porto Velho: o que dizem as apurações

De acordo com o SGC, parte dos pagamentos teria sido feita por Pix para contas ligadas à intermediação da compra dos imóveis. Em matéria posterior, o portal identificou Amanda Vaz de Oliveira como a corretora citada e informou que, segundo o relato do influenciador, parte dos Pix teria sido direcionada a contas pessoais dela.

O Portal Eu Ideal publicou que o boletim de ocorrência menciona R$ 2.598.064,08 em transferências ligadas a compra de imóveis, investimentos e supostos leilões imobiliários. A mesma reportagem identificou Amanda Vaz de Oliveira como corretora com registro CRECI 1863/RO.

Entre os negócios citados pelo Eu Ideal em 18 de maio de 2026 aparecem um prédio com 10 apartamentos por R$ 440 mil, uma casa no bairro Nova Porto Velho por R$ 165 mil, uma vila de apartamentos na Rua Santa Catarina por R$ 369 mil, uma reforma em imóvel no condomínio Bosques do Madeira por R$ 280 mil e um prédio comercial na Avenida Rafael Vaz e Silva por R$ 1,1 milhão.

Polícia Civil investiga denúncia de golpe com imóveis

A Polícia Civil informou que investiga a denúncia de suposto golpe milionário envolvendo negociações imobiliárias em Porto Velho, segundo reportagem do Rondonotícias com crédito ao g1 RO, publicada em 23 de maio de 2026.

A reportagem afirma que Rafa Meny disse ter conhecido a investigada em 2023 e que, após negócios iniciais concluídos, passou a confiar no trabalho dela. Ainda segundo a publicação, os imóveis prometidos envolveriam leilões judiciais e rendimentos mensais de aluguel, mas contratos definitivos, escrituras e documentos não foram apresentados.

A defesa do influenciador afirmou à reportagem que houve contrato de confissão de dívida no valor de R$ 2.598.064,08. O montante, conforme a defesa, inclui transferências, rendimentos e aluguéis prometidos.

CRECI-RO apura conduta ética da corretora citada

No rito descrito pelo SGC, o CRECI-RO prevê tentativa de conciliação. Se não houver acordo, a apuração segue para a Comissão de Fiscalização Profissional, com coleta de provas, defesa técnica e parecer para a Turma Julgadora do conselho.

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Júlio César afirmou ao portal que o CRECI-RO julga a ética profissional e pode aplicar multa, suspensão ou cancelamento. A recuperação de valores, segundo ele, cabe à esfera judicial.

A profissão de corretor de imóveis é regulamentada pela Lei nº 6.530, de 12 de maio de 1978, que disciplina o funcionamento dos órgãos de fiscalização da categoria. O Código Civil, no artigo 723, prevê que o corretor deve prestar ao cliente esclarecimentos sobre segurança, risco, alterações de valores e fatores que influenciem o negócio, sob pena de perdas e danos.

Imóveis de leilão: documentos que devem existir

Em leilão judicial, o Código de Processo Civil exige edital com descrição do bem, matrícula e registros do imóvel, valor de avaliação, preço mínimo, condições de pagamento e comissão do leiloeiro, quando houver. O mesmo código considera preço vil o valor inferior ao mínimo fixado pelo juiz no edital e, se não houver preço mínimo, o valor inferior a 50% da avaliação.

A Junta Comercial de Rondônia mantém uma lista pública de leiloeiros oficiais com matrícula, cidade, contatos, site e situação regular ou irregular. Para imóveis da Caixa, a instituição informa que a proposta é feita pelo site da Caixa e, nos casos de leilão ou licitação aberta, no site do leiloeiro indicado no edital.

Pix, boletos e recuperação de valores

A Caixa informa ainda que, em compra direta de imóveis Caixa, o corretor credenciado pode auxiliar o comprador e que o custo da corretagem é pago exclusivamente pela instituição. Em alerta sobre golpes, a Caixa afirma que não envia boletos para compra de seus imóveis e que o boleto de pagamento da proposta é obtido somente pelo login no Portal de Vendas de Imóveis Caixa.

Para vítimas de falso Pix, o Ministério da Justiça orienta registrar boletim de ocorrência presencialmente na Polícia Civil ou eletronicamente pela delegacia virtual do estado. O Procon-SP informou em fevereiro de 2026 que a contestação de Pix pelo Mecanismo Especial de Devolução não garante devolução, porque depende da comprovação da fraude e da existência de saldo na conta recebedora.

O caso de Porto Velho, ainda tratado nas reportagens como denúncia e suposto golpe, expõe uma fragilidade recorrente em ofertas de imóveis com promessa de preço muito abaixo do mercado: sem edital, matrícula, documentos definitivos, canal oficial de pagamento e identificação formal de quem intermedeia a operação, a oportunidade pode se transformar em disputa policial, ética e judicial.

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