Hipoteca nos EUA sobe a 6,56% e pressiona compra de imóveis
Taxa fixa de 30 anos atinge maior nível em sete semanas; pedidos de hipoteca caem 2,3% e ARMs ganham espaço.







A taxa média contratual da hipoteca fixa de 30 anos para saldos conforming nos EUA subiu de 6,46% para 6,56% na semana encerrada em 15 de maio de 2026, segundo a Mortgage Bankers Association, a MBA. O avanço de 10 pontos-base levou o financiamento imobiliário ao maior nível em sete semanas e veio acompanhado de queda de 2,3% no volume total de pedidos de hipoteca.
O movimento reacende a pressão sobre quem tenta comprar imóveis nos EUA em um mercado imobiliário já sensível ao custo do crédito. A Reuters informou que a taxa ficou apenas 1 ponto-base abaixo do pico registrado após a guerra no Irã começar a elevar os preços do petróleo em março de 2026.
Hipoteca nos EUA e demanda por imóveis perdem fôlego
A alta da taxa apareceu rapidamente nos indicadores de demanda. Na semana encerrada em 15 de maio de 2026, os pedidos totais de hipoteca caíram 2,3%; sem ajuste sazonal, a queda foi de 3%. O índice de compra recuou 4% na comparação semanal ajustada sazonalmente, de acordo com dados da MBA publicados pela HousingWire.
Nos pedidos de compra sem ajuste, a baixa foi de 5% na semana. Ainda assim, esse indicador ficou 8% acima do mesmo período de 2025. Já o índice de refinanciamento caiu 0,1% na semana, mas permaneceu 35% acima do nível de um ano antes.
Mercado imobiliário dos EUA vê mais procura por taxa ajustável
Com o financiamento fixo mais caro, os tomadores passaram a buscar alternativas. A participação das hipotecas de taxa ajustável, conhecidas como ARMs, subiu para 9,6% do total de pedidos, a maior desde outubro de 2025. O motivo principal foi o diferencial de custo: a taxa média dos ARMs estava cerca de 80 pontos-base abaixo da taxa fixa de 30 anos.
Mesmo nesse segmento, as taxas também avançaram. A média dos 5/1 ARMs subiu de 5,70% para 5,76% na semana. A taxa de hipotecas jumbo de 30 anos passou de 6,48% para 6,58%, enquanto a taxa FHA de 30 anos avançou de 6,16% para 6,24%.
Treasuries, petróleo e inflação pesam sobre o crédito imobiliário
Joel Kan, vice-presidente e economista-chefe adjunto da MBA, atribuiu a alta das taxas hipotecárias a preocupações persistentes com inflação provocada por custos mais altos de combustível e a receios relacionados à dívida pública global, fatores que elevaram os yields dos Treasuries nos EUA e no exterior.
Segundo Kan, houve “preocupações contínuas com inflação por custos mais altos de combustível”.
A Reuters também relacionou a pressão sobre os Treasuries à inflação ligada ao petróleo e à incerteza sobre a guerra no Irã. No movimento da semana, a agência informou que o yield do Treasury de 30 anos atingiu o maior nível em 19 anos e o yield do Treasury de 10 anos chegou ao maior patamar desde janeiro de 2025.
Yields dos Treasuries ajudam a explicar a alta das hipotecas
Os dados do FRED, do St. Louis Fed, mostram a tensão nas taxas longas. O yield do Treasury de 10 anos estava em 4,59% em 15 de maio, 4,61% em 18 de maio, 4,67% em 19 de maio e 4,57% em 20 e 21 de maio de 2026. No Treasury de 30 anos, o rendimento foi de 5,12% em 15 de maio, 5,14% em 18 de maio, 5,18% em 19 de maio, 5,11% em 20 de maio e 5,10% em 21 de maio.
A série semanal da Freddie Mac também apontou encarecimento do financiamento. A hipoteca fixa de 30 anos ficou em 6,51% em 21 de maio de 2026, acima dos 6,36% da semana anterior e abaixo dos 6,86% de um ano antes. A hipoteca fixa de 15 anos ficou em 5,85%, ante 5,71% na semana anterior e 6,01% um ano antes.
Inflação de energia entra no radar do mercado de imóveis
O pano de fundo macroeconômico reforça a cautela. O CPI-U dos EUA subiu 0,6% em abril de 2026, depois de avançar 0,9% em março, e acumulou alta de 3,8% em 12 meses. O índice de energia do CPI subiu 3,8% no mês e respondeu por mais de 40% da alta mensal do índice cheio. Em 12 meses, energia avançou 17,9% e gasolina subiu 28,4%.
No atacado, o PPI de demanda final subiu 1,4% em abril de 2026 e acumulou alta de 6,0% em 12 meses. A energia de demanda final avançou 22,7% no período de 12 meses, segundo o Bureau of Labor Statistics.
Compra da casa nos EUA segue sob teste
No mercado de casas existentes, as vendas de abril de 2026 ficaram em ritmo anualizado de 4,02 milhões, alta de 0,2% ante março. O preço mediano foi de US$ 417.800, com 4,4 meses de estoque, de acordo com a National Association of Realtors.
O próximo retrato desse segmento virá com o relatório de vendas de casas existentes de maio de 2026, previsto pela NAR para 9 de junho de 2026 às 10h ET. Até lá, a combinação de hipoteca mais cara, Treasuries elevados e inflação de energia continuará no centro da leitura sobre acessibilidade e demanda no mercado imobiliário dos EUA.
Fontes
- HousingWire/MBA - Mortgage applications fall as rates rise
- Reuters via Investing.com - US mortgage rates rise to 6.56%, MBA says
- FRED/St. Louis Fed - 10-Year Treasury Constant Maturity Rate
- FRED/St. Louis Fed - 30-Year Treasury Constant Maturity Rate
- Freddie Mac - Primary Mortgage Market Survey
- FRED/St. Louis Fed - 30-Year Fixed Rate Mortgage Average in the United States
- BLS - Consumer Price Index, April 2026
- BLS - Producer prices up 6.0 percent, energy up 22.7 percent
- NAR - Existing-Home Sales



























