Imóveis na Espanha sobem 12,9%, maior ritmo desde 2007
Alta no 1º trimestre de 2026 mantém pressão de dois dígitos no mercado imobiliário espanhol, segundo o INE.







O preço da habitação livre na Espanha subiu 12,9% no 1º trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Índice de Preços de Habitação publicado pelo Instituto Nacional de Estatística da Espanha em 8 de junho de 2026. A leitura repetiu a taxa anual registrada no 4º trimestre de 2025 e, de acordo com o El País, igualou o maior ritmo desde o começo de 2007, antes do estouro da bolha imobiliária espanhola.
Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, os preços da habitação livre avançaram 3,5% entre janeiro e março de 2026. O movimento reforça a pressão sobre imóveis no mercado imobiliário espanhol, com alta disseminada por todas as comunidades e cidades autônomas do país.
Mercado imobiliário da Espanha mantém alta de dois dígitos
O avanço foi mais intenso nos imóveis usados. A habitação de segunda mão subiu 13,5% em termos anuais no 1º trimestre de 2026, enquanto a habitação nova aumentou 9,1%, segundo o INE. A diferença entre os dois segmentos mostra que a pressão de preços não está concentrada apenas nos lançamentos, mas também no estoque já existente.
O indicador do INE acompanha a evolução dos preços de compra e venda de habitações livres adquiridas por famílias, novas e usadas. A metodologia ajusta mudanças de composição e qualidade por estratificação e regressão, e a amostra cobre cerca de 95% das compravendas de habitações realizadas no trimestre de referência.
A partir do 1º trimestre de 2026, o índice passou a ter base 2025. Segundo o INE, essa mudança não altera as taxas de variação retrospectivas do indicador, o que preserva a comparação histórica das altas divulgadas.
Alta de imóveis na Espanha alcança todas as regiões
Todas as comunidades e cidades autônomas espanholas tiveram taxas anuais positivas no 1º trimestre de 2026. As maiores altas foram registradas em Aragón e Región de Murcia, ambas com 15,6%, seguidas por Castilla y León e Ceuta, ambas com 14,9%.
Mesmo nas regiões com menor avanço, a valorização permaneceu em dois dígitos. O País Vasco teve alta anual de 10,3%, enquanto Cataluña e Comunidad Foral de Navarra registraram 10,5%, segundo o mesmo levantamento do INE.
Esse espalhamento regional é relevante para a leitura do mercado imobiliário da Espanha porque indica que a alta não se limita a poucos polos locais. A pressão aparece tanto nas áreas com maior aceleração quanto nas que tiveram os menores percentuais dentro do levantamento oficial.
Preço por metro quadrado e volume de compravendas
Outros indicadores divulgados no período apontam para o mesmo ambiente de valorização. A estatística de valor tasado informou que a habitação livre na Espanha alcançou 2.315,7 euros por metro quadrado no 1º trimestre de 2026, com alta anual de 13,9%, segundo o ISTAC/Gobierno de Canarias. A habitação protegida atingiu 1.223,1 euros por metro quadrado, com alta anual de 4,5%.
Na síntese de indicadores de 11 de junho de 2026, o Banco de España também registrou alta anual de 13,9% no preço médio por metro quadrado da habitação livre medido pelo MIVAU no 1º trimestre de 2026.
Do lado das transações, os Registradores de España informaram 178.096 compravendas de habitação no 1º trimestre de 2026. Desse total, 39.473 foram operações de habitação nova e 138.623 de habitação usada.
As compravendas acumuladas em 12 meses chegaram a 701.828 operações, o maior nível desde o 3º trimestre de 2007, segundo os Registradores. O Índice de Preços de Venda Repetida da entidade atingiu novo máximo histórico, com alta trimestral de 5,3%, alta anual de 17,6% e patamar 36,5% acima dos máximos de 2007.
Oferta restrita pesa sobre habitação na Espanha
A alta dos preços ocorre em um contexto de descompasso entre oferta e demanda. A CaixaBank Research informou que, em 2025, os vistos totais de obra nova chegaram a 162.200 unidades, alta de 6,9%, enquanto a criação líquida de domicílios foi de 226.000.
Em análise anterior, a CaixaBank estimou que o déficit acumulado de habitação entre 2021 e 2024 ficou entre 515.000 e 765.000 unidades, equivalente a 3% a 4% do parque de habitações principais.
Para os próximos períodos, a pressão ainda aparece nas projeções. O BBVA Research projetou alta de cerca de 12,0% nos preços da habitação em 2026 e de 5,7% em 2027.
O que observar no mercado de imóveis espanhol
A repetição da alta anual de 12,9% e a comparação com o começo de 2007 colocam o mercado imobiliário da Espanha sob atenção. Ainda assim, os dados disponíveis apontam para um quadro em que a oferta restrita e a demanda resistente ajudam a explicar a continuidade da valorização.
Para famílias, investidores e gestores públicos, a evolução dos imóveis na Espanha deve seguir como tema central. O ritmo de preços, o volume de compravendas e a capacidade de expansão da oferta serão os principais sinais para medir se a pressão atual começa a ceder ou se permanece como traço dominante do mercado residencial espanhol.
Fontes
- INE - Índice de Precios de Vivienda 1T 2026
- El País - La vivienda subió un 12,9% en el primer trimestre
- ISTAC/Gobierno de Canarias - Valor tasado de vivienda 1T 2026
- Banco de España - Síntesis de indicadores 11/06/2026
- Registradores de España - Estadística inmobiliaria 1T 2026
- CaixaBank Research - Escasez de vivienda nueva
- CaixaBank - Mercado inmobiliario español 2025
- BBVA Research - Situación España junio 2026



























