Itapema mira topo do m² com alargamento da Meia Praia
Obra estimada em R$ 60 milhões deve ampliar faixa de areia em até 60 m e reacende disputa imobiliária com Balneário Camboriú.







Itapema, no litoral de Santa Catarina, recebeu em 6 de maio de 2026 a Licença Ambiental de Instalação para a alimentação artificial da Meia Praia, etapa decisiva para uma obra estimada em aproximadamente R$ 60 milhões. O projeto prevê alargar a faixa de areia em trechos que podem chegar a 60 metros e reforça a ambição da cidade de ultrapassar Balneário Camboriú no ranking nacional do metro quadrado residencial.
A licença foi concedida pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina e entregue em cerimônia com a presença do governador Jorginho Mello, do presidente do IMA, Josevan Carmo da Cruz Junior, e do prefeito Alexandre Xepa. Segundo o órgão ambiental, a intervenção alcança cerca de 4,75 km de orla, entre os molhes dos rios Perequê e Taboleiro das Oliveiras.
Alargamento da Meia Praia em Itapema: o que prevê a obra
O projeto de alimentação artificial da Meia Praia prevê o lançamento de 416 mil a 498 mil m³ de areia, com dragagem de uma jazida situada a cerca de 19 km da costa. A largura da faixa de areia deve aumentar entre 20 m e 60 m, conforme o trecho da praia.
De acordo com o IMA, a licença prevê quatro meses de obras, execução em etapas e liberação gradual dos trechos. A imprensa local registrou que, com a LAI, a prefeitura poderia avançar para a publicação do edital de licitação da obra.
A previsão divulgada em maio de 2026 era de início dos trabalhos em agosto de 2026, após a temporada de pesca da tainha, com conclusão estimada antes da temporada de verão. O custo de R$ 60 milhões foi descrito como dividido igualmente entre o município e o governo estadual, com R$ 30 milhões de cada ente.
Mercado imobiliário de Itapema encosta em Balneário Camboriú
A disputa pelo metro quadrado mais caro do país já aparece nos números. No Índice FipeZAP de Venda Residencial de abril de 2026, Balneário Camboriú liderava com preço médio de R$ 15.185/m². Itapema vinha logo atrás, com R$ 15.179/m². A diferença entre a primeira e a segunda colocada era de apenas R$ 6/m².
No mesmo informe, Itapema registrava alta mensal de 0,70%, avanço acumulado de 2,15% em 2026 e valorização de 8,10% em 12 meses. A proximidade no ranking ajuda a explicar por que a nova orla é tratada pela prefeitura como uma peça central para o mercado imobiliário local.
“O metro quadrado mais valorizado do Brasil”, afirmou o prefeito Alexandre Xepa ao tratar da expectativa para Itapema após o alargamento, segundo registro do IMA-SC.
Em entrevista citada pelo Portas, Xepa projetou valorização superior a 30% nos imóveis com a nova orla e a Avenida Beira-Mar. A estimativa reforça a aposta de que a requalificação da praia terá impacto direto sobre os ativos à beira-mar e sobre o segmento de luxo.
Imóveis de luxo e valorização do metro quadrado
A escalada de Itapema não começou com a licença ambiental. A cidade acumulou alta de 114% no preço médio do metro quadrado em cinco anos, passando de R$ 6.547/m² em 2020 para R$ 14.026/m² em abril de 2025. No mesmo período, Balneário Camboriú teve alta de 99,5%.
Em abril de 2025, Itapema já tinha o segundo metro quadrado mais valorizado do Brasil, atrás de Balneário Camboriú, que registrava R$ 14.698/m². O desempenho ajuda a consolidar a cidade como uma das principais vitrines do litoral catarinense para imóveis de alto padrão.
Outro dado reforça o peso do município no setor. A plataforma DWV apontou Itapema como líder nacional em Valor Geral de Vendas em 2025, com R$ 4,1 bilhões em negociações, em levantamento que analisou mais de 111 mil propriedades comercializadas no ano.
A força regional também é expressiva. Segundo dados da DWV divulgados pela Exame, Balneário Camboriú, Itapema, Itajaí e Porto Belo somaram R$ 13,47 bilhões em VGV em 2025 em uma faixa territorial de 490 km² no litoral norte catarinense.
Itapema cresce em população, densidade e pressão urbana
Os dados demográficos mostram a dimensão urbana por trás da valorização imobiliária. Itapema tinha 75.940 habitantes no Censo 2022 e população estimada de 86.116 pessoas em 2025, segundo o IBGE. A área territorial é de 58,21 km², com densidade demográfica de 1.304,59 hab/km² no Censo 2022.
O prefeito registrado pelo IBGE para 2025 é Carlos Alexandre de Souza Ribeiro, nome civil de Alexandre Xepa. É sob essa gestão que a obra da Meia Praia entra em fase de licenciamento para instalação e se torna um dos principais vetores de expectativa do mercado imobiliário local.
O que observar no mercado imobiliário de Itapema
Com a licença concedida, o ponto de atenção passa a ser a execução: edital, contratação, início previsto após a pesca da tainha, cumprimento das etapas e liberação gradual dos trechos. Para compradores, incorporadoras e investidores, o dado central é que Itapema chega a essa fase já colada em Balneário Camboriú no preço médio do metro quadrado.
A obra não garante, por si só, o topo do ranking. Mas os números disponíveis mostram uma cidade que combina valorização recente, alto volume de vendas e uma intervenção urbana de grande escala na praia mais associada ao mercado de luxo local. É nesse cruzamento entre orla, imóveis e infraestrutura que Itapema tenta transformar 60 metros a mais de areia em liderança nacional do m².



























