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JHSF expande “cidade privada” de imóveis em Porto Feliz

Complexo Boa Vista chega a 30 milhões de m², com lotes milionários, infraestrutura privada e operação imobiliária bilionária.

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Em Porto Feliz, no interior de São Paulo, a JHSF consolidou um dos projetos mais ambiciosos do mercado imobiliário de alta renda no Brasil: o Complexo Boa Vista, descrito pela BrazilValley em análise publicada em 15 de maio de 2026 como um conjunto de empreendimentos de 30 milhões de m², a cerca de uma hora da capital paulista, voltado a milionários e bilionários.

Segundo a publicação, o complexo funciona como um “ecossistema fechado” de alto padrão, com terrenos a partir de R$ 3.000 por m² e casas avaliadas em até R$ 300 milhões. A escala transforma o empreendimento em algo maior do que um condomínio de luxo: trata-se de uma estrutura urbana privada, com moradia, lazer, serviços e equipamentos planejados para uma clientela de ultra-alta renda.

Mercado imobiliário em Porto Feliz ganha escala de cidade privada

O núcleo original do complexo é a Fazenda Boa Vista, lançada no fim de 2007 no km 102,5 da Rodovia Castello Branco, em Porto Feliz. De acordo com a JHSF Conceito, o empreendimento tem 12 milhões de m², dos quais 3 milhões de m² são ocupados por matas nativas, lagos, bosque e jardins.

A infraestrutura divulgada pela JHSF inclui spa, centro equestre, dois campos de golfe, quadras de tênis, squash, beach tennis, quadras poliesportivas, campo de paintball, empório, Kids Club, Fazendinha, trilhas, centro ecumênico, Parque dos Esportes Clubhouse e academia. A empresa também apresenta a Fazenda Boa Vista como o único empreendimento no Brasil com dois campos de golfe de 18 buracos, atribuídos a Randall Thompson e Arnold Palmer.

O avanço do complexo ocorre em uma cidade de porte médio. Porto Feliz tinha 56.497 habitantes no Censo 2022 e área territorial de 556,706 km² em 2024, segundo o IBGE. Nesse contexto, a dimensão dos imóveis e dos equipamentos privados ajuda a explicar por que o projeto passou a ser observado como um caso singular de expansão urbana de alto padrão.

Boa Vista Estates mira 250 famílias no alto padrão

A nova etapa dessa expansão é o Boa Vista Estates, lançado pela JHSF em março de 2026 dentro do Complexo Boa Vista. Segundo a Forbes Brasil, o projeto ocupa 7 milhões de m² e foi planejado para apenas 250 famílias, com “estâncias” a partir de 20.000 m² e lotes a partir de 5.000 m².

Dos 7 milhões de m² do Boa Vista Estates, cerca de 4 milhões de m² serão destinados a ruas privadas, lagos, áreas de lazer e preservação de mata nativa. O empreendimento prevê campo de golfe de 18 buracos assinado por Greg Norman, country club com spa, quadras de tênis, padel, pickleball e beach tennis, campo de futebol, restaurante, centro equestre, picadeiros e campo de polo de padrão internacional.

O plano urbanístico também inclui parque linear, circuitos contínuos de corrida e ciclismo de 10 km cada e trilha de 15 km para passeios a cavalo, projetados sem cruzamentos, segundo a empresa. O master plan é assinado por Sig Bergamin e Murilo Lomas, com paisagismo de Maria João d’Orey, conforme informou o Money Report.

Imóveis, shoppings e serviços ampliam o Complexo Boa Vista

A estratégia da JHSF em Porto Feliz não se limita a lotes e casas. O Boa Vista Village Town Center consta no portfólio de shoppings em execução da companhia com 14.358 m² de ABL e 100% de participação da empresa. No release do 4T25, a JHSF informou que o centro comercial estava em fase final de obras e tinha previsão de abertura para meados de 2026.

A BrazilValley também informou que o Boa Vista Village, lançado em 2019, prevê para 2027 uma unidade do Colégio Visconde de Porto Seguro e um centro médico operado pelo Hospital Albert Einstein. A incorporação de serviços educacionais, médicos e comerciais reforça a lógica de um mercado imobiliário voltado a oferecer uma rotina quase completa dentro do próprio complexo.

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Na comparação com outros projetos de alto padrão, a BrazilValley citou a Fazenda da Grama, a futura Fazenda Vista Verde e a Fazenda Santa Pazenza. Esta última foi descrita como restrita a convidados da família Malzoni e com lotes a partir de 20.000 m².

Operação bilionária financia expansão da JHSF

A expansão imobiliária vem acompanhada de uma engenharia financeira de grande porte. Em dezembro de 2025, a JHSF concluiu a venda de estoques, lotes e produtos imobiliários por R$ 5,235 bilhões ao JHSF Capital Desenvolvimento Imobiliário Fundo de Investimento Imobiliário de Responsabilidade Limitada.

Segundo as demonstrações financeiras da companhia, o FII foi estruturado com JHSF Capital, Banco XP, Itaú BBA Assessoria Financeira e Banco Bradesco BBI, com a XP Investimentos como administradora fiduciária. Os ativos vendidos ao fundo estão localizados em Boa Vista Village, Boa Vista Estates, Reserva Cidade Jardim, São Paulo Surf Club Residences e Fazenda Santa Helena.

A empresa informou ter recebido R$ 3,491 bilhões em 15 de dezembro de 2025 e prevê receber R$ 1,744 bilhão em dezembro de 2026 como segunda tranche. Após a operação, reportou caixa líquido de R$ 2,303 bilhões em dezembro de 2025, ante dívida líquida de R$ 2,202 bilhões em setembro do mesmo ano.

Os números corporativos também cresceram. A JHSF encerrou 2025 com ativos de cerca de R$ 18,6 bilhões e patrimônio líquido de R$ 7,2 bilhões. Registrou lucro líquido de R$ 978,3 milhões no 4T25, alta de 138,1% sobre o 4T24, e lucro líquido anual de R$ 1,8685 bilhão em 2025, avanço de 116,9% sobre 2024.

No 1T26, segundo o Finance News, a JHSF reportou lucro líquido de R$ 371,6 milhões, alta anual de 9,3%; receita líquida de R$ 537,7 milhões, alta anual de 33,3%; e Ebitda ajustado de R$ 250,6 milhões, crescimento anual de 26,7%. A BrazilValley afirmou que as ações da companhia acumulavam valorização de 83% em 2026 na data da análise publicada em 15 de maio.

Licenciamento ambiental entrou em acordo com o MP

A Fazenda Boa Vista e o Boa Vista Estates também aparecem em uma Ação Civil Pública do Ministério Público de Porto Feliz que questionava fracionamento de estudos ambientais. A JHSF registrou em suas demonstrações que, em 5 de novembro de 2025, celebrou acordo com o Ministério Público e que o acordo manteve licenças existentes e processos de licenciamento em curso.

O caso de Porto Feliz resume uma mudança no topo do mercado imobiliário brasileiro: mansões e lotes de grandes dimensões passam a ser acompanhados por infraestrutura urbana privada, serviços especializados e financiamento via mercado de capitais. Para a cidade, o Complexo Boa Vista coloca imóveis de ultra-alta renda no centro da discussão sobre crescimento urbano, planejamento e uso do território.

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