João Pessoa: vendas caem 13,8%, mas m² sobe 9,15%
Grande João Pessoa vendeu menos imóveis no 1º trimestre de 2026, enquanto o preço médio anunciado chegou a R$ 8.199/m² em maio.







O mercado imobiliário da Grande João Pessoa entrou em 2026 com um contraste claro: as vendas recuaram, mas os preços anunciados continuaram subindo. Segundo o CRECI-PB, João Pessoa e Cabedelo somaram 1.308 imóveis comercializados no 1º trimestre de 2026, queda de 13,8% ante as 1.517 unidades vendidas no mesmo período de 2025.
Ao mesmo tempo, o Índice FipeZAP de Venda Residencial de maio de 2026 apontou alta de 9,15% em 12 meses para João Pessoa, com preço médio residencial anunciado de R$ 8.199/m². O dado, calculado a partir de uma amostra de 21.334 anúncios, reforça a tensão entre menor ritmo de negócios fechados e valorização persistente do metro quadrado na capital paraibana.
Mercado imobiliário em João Pessoa vende menos no trimestre
O levantamento do CRECI-PB, identificado como Índice CRECI 360º, monitora indicadores do mercado imobiliário em João Pessoa e Cabedelo. No recorte mensal do 1º trimestre de 2026, foram 474 vendas em janeiro, 357 em fevereiro e 477 em março.
Março foi o melhor mês do trimestre, com 477 unidades comercializadas. O resultado superou janeiro por 3 unidades e fevereiro por 120 unidades. Ainda assim, o acumulado trimestral ficou 209 unidades abaixo do registrado no 1º trimestre de 2025.
Esse movimento indica desaceleração no volume vendido em relação ao ano anterior, sem que isso tenha interrompido a trajetória de valorização dos imóveis anunciados. Para compradores, vendedores e investidores, a leitura mais importante é que quantidade vendida e preço pedido não caminharam na mesma direção no início de 2026.
Preço do m² em João Pessoa sobe no FipeZAP
No Índice FipeZAP de maio de 2026, João Pessoa registrou alta de 1,46% no mês, 2,67% no acumulado de 2026 e 9,15% em 12 meses. O preço médio anunciado chegou a R$ 8.199/m².
A comparação com dezembro de 2025 mostra avanço nominal do preço médio anunciado de R$ 7.970/m² para R$ 8.199/m², acréscimo de R$ 229/m². Em dezembro de 2025, a cidade havia registrado alta mensal de 0,55%, valorização acumulada de 15,15% em 2025 e amostra de 24.915 anúncios.
O FipeZAP informa que suas variações de preços são calculadas com base em amostras de anúncios de imóveis para venda e locação nos portais Zap, Viva Real e OLX. Nos índices residenciais, o acompanhamento considera apartamentos prontos em até 56 cidades, incluindo 22 capitais.
João Pessoa supera a média nacional em valorização
O desempenho anual de João Pessoa ficou acima da média nacional do FipeZAP. No mesmo relatório de maio de 2026, o índice nacional avançou 0,42% no mês, 1,96% no acumulado de 2026 e 5,59% em 12 meses.
Entre as 22 capitais monitoradas pelo FipeZAP, João Pessoa ficou atrás de Fortaleza, Salvador, Vitória, Belém, Natal e Maceió na valorização acumulada em 12 meses até maio de 2026. Mesmo assim, a alta de 9,15% manteve a capital paraibana em um grupo de crescimento acima da média brasileira.
O retrato socioeconômico incluído no relatório também ajuda a dimensionar a base urbana da capital. João Pessoa aparece com população residente de 834 mil pessoas em 2022, área territorial de 210 km², 296 mil domicílios, 122 mil apartamentos e renda média domiciliar estimada de R$ 6.618 em 2023.
João Pessoa, Cabedelo e a dinâmica regional dos imóveis
Os dados do CRECI-PB tratam a Grande João Pessoa a partir de João Pessoa e Cabedelo. No IBGE, João Pessoa tinha 833.932 pessoas no Censo 2022, densidade demográfica de 3.970,27 hab/km² e população estimada de 897.633 pessoas em 2025.
Cabedelo, por sua vez, tinha 66.519 pessoas no Censo 2022, área territorial de 29,873 km², densidade demográfica de 2.226,73 hab/km² e população estimada de 70.734 pessoas em 2025. A combinação dos dois municípios ajuda a explicar por que os indicadores locais são acompanhados de forma integrada pelo conselho regional.
Juros e segmentos ajudam a compor o cenário
No plano nacional, os Indicadores ABRAINC-Fipe informaram alta de 19,3% nas unidades lançadas no acumulado de 12 meses encerrado em janeiro de 2026 e aumento de 4,1% no volume de unidades comercializadas entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026.
O mesmo levantamento apontou comportamentos diferentes por segmento: o Minha Casa, Minha Vida teve alta de 11,8% nas vendas em volume em 12 meses até janeiro de 2026, enquanto o Médio e Alto Padrão teve retração de 17,6% no volume vendido.
Outro dado relevante para o setor é a taxa básica de juros. O Banco Central informou que o Copom reduziu a Selic para 14,50% ao ano na 278ª reunião, em abril de 2026. A taxa influencia o custo do crédito imobiliário e, portanto, entra no radar de quem avalia comprar, vender ou financiar imóveis.
O que o paradoxo indica para o mercado imobiliário
O quadro de João Pessoa não autoriza uma conclusão simples. De um lado, a Grande João Pessoa vendeu menos imóveis no 1º trimestre de 2026 do que no mesmo período de 2025. De outro, os anúncios residenciais medidos pelo FipeZAP seguiram em valorização, com alta anual superior à média nacional.
Para o mercado imobiliário local, a leitura mais cautelosa é acompanhar simultaneamente volume de vendas, preço do m² e condições de financiamento. A queda de 13,8% nas unidades comercializadas mostra perda de tração no trimestre; a alta de 9,15% em 12 meses no preço anunciado mostra que o ajuste, até maio de 2026, não apareceu como queda no valor médio pedido em João Pessoa.
Fontes
- CRECI-PB - Mercado imobiliário da Grande João Pessoa no 1º trimestre de 2026
- FipeZAP - Índice de Venda Residencial, maio de 2026
- Fipe - Índice FipeZAP
- FipeZAP - Índice de Venda Residencial, dezembro de 2025
- IBGE Cidades - João Pessoa
- IBGE Cidades - Cabedelo
- ABRAINC-Fipe - Indicadores de mercado, abril de 2026
- Banco Central do Brasil - Comunicados do Copom



























