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Luxo em Santo André (BA) expõe risco em FII que caiu 62%

Reserva Guaiú tem heliponto e VGV de R$ 473 milhões; no CACR11, queda das cotas veio após corte de dividendos e inadimplência em outro CRI.

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O contraste entre luxo imobiliário e estresse financeiro ficou explícito no CACR11, o Cartesia Recebíveis Imobiliários FII, fundo de recebíveis negociado na B3 como CARTESIA FII. Em 27 de maio de 2026, o fundo operava em queda de quase 12% por volta das 11h30 e acumulava baixa de 62% no ano, segundo publicação do Investidor10 com dados da B3.

No mesmo portfólio está o CRI Santo André, ligado ao Reserva Guaiú, empreendimento frente-mar de alto luxo na Praia do Guaiú, em Santo André (BA). O projeto prevê 25 casas em terreno de 210.000 m², heliponto, concierge, clube com academia e spa, área wellness com hammam, beach sports e beach club, conforme o relatório gerencial de abril de 2026 do CACR11.

FII CACR11: queda, dividendos e risco no mercado imobiliário

O CACR11 tem tese de investimento em ativos financeiros imobiliários, com foco em Certificados de Recebíveis Imobiliários, os CRIs. Em abril de 2026, o fundo informava patrimônio líquido de R$ 464.435.995,34, cota patrimonial de R$ 96,03, cota de mercado de R$ 81,33 e 4.836.324 cotas.

A pressão sobre as cotas ganhou força depois que a gestão informou, em 19 de maio de 2026, a suspensão temporária dos dividendos referentes a abril. A justificativa foi reforçar caixa, preservar liquidez e suportar obras dos empreendimentos investidos, segundo comunicado divulgado no FNET pela BRL Trust.

O relatório de abril registrou resultado mensal de R$ 1,24 por cota, mas distribuição de R$ 0,00 na data-base de 30 de abril de 2026. A gestora também informou que havia R$ 1,61 por cota distribuíveis no primeiro semestre de 2026, antes dos meses de maio e junho, e mencionou a obrigação de distribuição mínima de 95% do resultado de caixa no semestre.

Inadimplência citada não é do CRI Santo André (BA)

A inadimplência que apareceu nas notícias sobre o CACR11 está ligada ao CRI Helvetia, e não ao CRI Santo André. Segundo a Suno, a Bari Securitizadora reportou que a Helvetia 5 Administradora de Imóveis não honrou, em 22 de maio de 2026, obrigações de notas comerciais ligadas à operação, o que impediu o repasse aos detentores do CRI em 25 de maio de 2026.

O CRI Helvetia tinha saldo devedor de R$ 58.933.595,42, vencimento em março de 2027, remuneração de IPCA + 12,6825% ao ano e LTV atualizado de 51%. Esse saldo equivalia a cerca de 12,7% do patrimônio líquido informado pelo fundo em abril.

Na sessão de 26 de maio de 2026, a Suno informou que o CACR11 fechou a R$ 33,50, queda de 6,69% ante R$ 36,90 no dia anterior. Em 27 de maio, o fechamento foi a R$ 27,90, baixa de 16,72% no pregão. O Investidor10 também informou que, por volta das 11h30 daquele dia, o ativo era negociado abaixo de R$ 30 pela primeira vez na história.

Reserva Guaiú: imóveis de luxo e exposição relevante no CACR11

Embora a inadimplência citada seja de outro CRI, o projeto de Santo André (BA) chama atenção pelo peso no portfólio e pelo perfil de luxo. O CRI Santo André aparece no relatório do CACR11 com saldo devedor de R$ 127.928.957,40, vencimento em dezembro de 2028, remuneração de IPCA + 12,6835% ao ano e LTV atualizado de 34%.

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Esse saldo representava cerca de 27,5% do patrimônio líquido de R$ 464.435.995,34 informado no relatório de abril. O documento cita como garantias do CRI Santo André a alienação fiduciária do estoque, a cessão fiduciária da carteira de recebíveis, a alienação fiduciária de cotas da SPE e o aval da controladora.

O Reserva Guaiú é apresentado como empreendimento frente-mar de alto luxo, com casas de área privativa de cerca de 900 m² e plantas de 4 a 6 suítes. O VGV previsto é de R$ 473 milhões após redefinição da estratégia comercial e ajustes no projeto arquitetônico.

Santo André (BA), alto padrão e cronograma de vendas

O relatório informa que o projeto tem foco em público ultra-high net worth e que havia conversas em andamento com marcas globais de luxo para eventual embandeiramento. Também indica Canal como securitizadora, Trustee como agente fiduciário e Dexter como responsável por medição de obras no CRI Santo André.

No comunicado de 19 de maio, a gestora informou que o projeto Santo André tinha projeto ambiental e alvará de construção aprovados, em renovação junto aos órgãos locais competentes. A política de vendas seria baseada em tabela curta: 30% de sinal, 40% durante as obras e 30% nas chaves.

A mesma comunicação informou que, no projeto Santo André, as obras deveriam começar após cerca de 50% de vendas e teriam previsão de conclusão em 24 a 26 meses. Esses pontos ajudam a explicar por que liquidez, caixa e evolução das obras se tornaram variáveis centrais para acompanhar o fundo.

Dividendos voltam ao radar, mas desconto persiste

Depois da suspensão temporária dos dividendos referentes a abril, a Cartesia listou em 29 de maio de 2026 o documento “Distribuição de Dividendos – Mai/26” entre os documentos públicos do CACR11. O Status Invest registrou rendimento de R$ 0,23 por cota, com data-com em 29 de maio de 2026 e pagamento em 15 de junho de 2026.

Ainda assim, os indicadores disponíveis em 11 de junho mostravam a dimensão do desconto. O Status Invest informou que a cotação do CACR11 iniciou 2026 em R$ 74,81 e estava em R$ 22,71 na consulta. Já a página do Investidor10 informava valor da cota de R$ 20,97, valor patrimonial por cota de R$ 96,03, P/VP de 0,22 e patrimônio líquido de R$ 464,44 milhões.

O caso reúne, no mesmo fundo, um condomínio de ultra-alto padrão em Santo André (BA) e a deterioração de confiança típica de um FII exposto a crédito imobiliário. Para o mercado imobiliário, o ponto central não é apenas o luxo dos imóveis, mas a capacidade de transformar projetos, garantias e recebíveis em fluxo de caixa efetivo para os cotistas.

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