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Risco imobiliário Mogi Das Cruzes

Mogi derruba 6 imóveis irregulares em área de manancial

Operação em Taiaçupeba atingiu loteamentos clandestinos na APRM Alto Tietê Cabeceiras, que ocupa 49% do território de Mogi.

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Uma força-tarefa do Grupo de Fiscalização Integrada do Alto Tietê Cabeceiras demoliu, em 26 de maio de 2026, seis construções irregulares em Taiaçupeba, distrito de Mogi das Cruzes. Segundo a Prefeitura de Mogi das Cruzes, a operação mirou loteamentos irregulares em área de proteção de mananciais.

A ação coloca o mercado imobiliário local diante de um alerta objetivo: em Mogi das Cruzes, 49% do território municipal é formado por áreas de mananciais, com destaque para Quatinga, Barroso e Taiaçupeba. Nessas regiões, o avanço de loteamentos clandestinos envolve não apenas risco urbanístico e ambiental, mas também fiscalização integrada de órgãos municipais, estaduais e policiais.

Operação em Mogi das Cruzes atingiu loteamentos irregulares

De acordo com a Prefeitura, a operação saiu em comboio da sede da Secretaria Municipal do Clima e Meio Ambiente no período da manhã. Participaram funcionários municipais, estaduais e policiais, em uma atuação direcionada contra parcelamentos irregulares do solo na região sul de Mogi das Cruzes.

O Diário do Estado de São Paulo, em notícia publicada em 26 de maio de 2026, às 15h01, assinada por Raphael Nogueira Felix, também registrou que a operação resultou na demolição de seis construções em desacordo com a legislação ambiental e teve foco em loteamentos irregulares em Taiaçupeba.

Quem participou da fiscalização em área de manancial

A Prefeitura informou que a ação reuniu o Departamento de Licenciamento e Fiscalização Ambiental, a Polícia Militar Ambiental, a Delegacia de Investigação de Crimes Ambientais, a Patrulha Ambiental, o Departamento de Fiscalização de Posturas, o Departamento de Fiscalização de Obras, a Cetesb, o Creci e a Diretoria de Proteção e Fiscalização Ambiental do Estado.

A secretária municipal do Clima e Meio Ambiente, Patricia Cesare, acompanhou a operação ao lado do secretário municipal de Segurança, Gilberto Ito, do adjunto Reinaldo Nascimento e do diretor Felipe Harano, conforme a divulgação oficial do município.

Por que Taiaçupeba importa para imóveis e abastecimento

A região sul de Mogi das Cruzes onde atua o GFI-ATC abriga a Área de Proteção e Recuperação dos Mananciais do Alto Tietê Cabeceiras, a APRM-ATC. A área protege o Sistema Produtor do Alto Tietê, que reúne reservatórios de abastecimento de água da região.

A APRM-ATC foi criada pela Lei Estadual nº 15.913, de 2 de outubro de 2015, e regulamentada pelo Decreto Estadual nº 62.061, de 27 de junho de 2016, segundo o Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê. A área tem 1.258,57 km² e abrange territórios de Biritiba-Mirim, Mogi das Cruzes, Paraibuna, Ribeirão Pires, Salesópolis e Suzano.

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A Lei nº 15.913/2015 declara a APRM-ATC como manancial de interesse regional para abastecimento das populações atuais e futuras. A mesma lei define o Sistema Produtor Alto Tietê como o conjunto de reservatórios e estruturas hidráulicas situado na APRM-ATC para armazenamento de águas, controle de eventos hidrológicos e captação de água bruta destinada à produção de água potável para abastecimento público.

Sistema Alto Tietê abastece cerca de 4 milhões de pessoas

Segundo a SP Águas/DAEE, em atualização de 27 de maio de 2026, o Sistema Alto Tietê é composto pelos reservatórios Ponte Nova, Paraitinga, Biritiba, Jundiaí e Taiaçupeba, conectados por canais, túneis, estações elevatórias e adutoras. A água do sistema é captada na represa de Taiaçupeba e tratada na ETA Taiaçupeba.

O sistema abastece cerca de 4 milhões de pessoas na zona leste de São Paulo e nos municípios de Arujá, Itaquaquecetuba, Poá, Ferraz de Vasconcelos e Suzano, além de parte de Mogi das Cruzes e Guarulhos. Na atualização diária das 9h de 27 de maio de 2026, o Sistema Alto Tietê registrava 51,4% de volume útil, 287,74 hm³ de volume útil, 13,54 m³/s de vazão afluente, 17,25 m³/s de vazão defluente e 0,2 mm de chuva acumulada em 24 horas.

Na mesma atualização, a represa Taiaçupeba registrava 69,3% de volume útil e 59,00 hm³ de volume útil. A ETA Taiaçupeba registrava vazão média diária de 13,26 m³/s.

Fiscalização integrada eleva risco de loteamentos clandestinos

Os Grupos de Fiscalização Integrada têm a finalidade de sistematizar a atuação integrada de órgãos estaduais e municipais nas áreas de proteção e recuperação dos mananciais. Entre suas atribuições estão formular diagnósticos da situação geral e das áreas críticas para monitoramento e fiscalização das APRMs, conforme o Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê.

A Lei nº 15.913/2015 também inclui licenciamento, regularização, fiscalização e penalidades entre os instrumentos de planejamento e gestão da APRM-ATC. Já a Resolução SIMA nº 38/2020 estabelece normas e procedimentos de atuação conjunta do GFI da APRM Alto Tietê Cabeceiras, de acordo com a Lei nº 15.913/2015 e o Decreto nº 62.061/2016.

Para Mogi das Cruzes, o caso une duas agendas que costumam aparecer separadas: controle ambiental e segurança do mercado imobiliário. A demolição das seis construções em Taiaçupeba mostra que loteamentos clandestinos em áreas de manancial podem ser alvo de atuação coordenada, em um território que tem papel direto no abastecimento regional.

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