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Palácio Rio Branco vira hotel de R$ 250 mi em Salvador

Obras começaram em 1º de junho para converter edifício histórico no Hotel Allard, com 90 suítes e concessão de 35 anos.

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O Palácio Rio Branco, na Praça Tomé de Souza, no Centro Histórico de Salvador, entrou em obras em 1º de junho de 2026 para ser restaurado e convertido no Hotel Allard, empreendimento anunciado com investimento de R$ 250 milhões e “classificação seis estrelas”. A ordem de serviço para início imediato foi assinada pela Secretaria de Turismo da Bahia, pela Mata Holding e pela construtora André Guimarães, indicada pelo governo estadual como executora do projeto, segundo a Secom Bahia.

O plano prevê 90 suítes, sendo 27 dentro do edifício histórico e as demais em área anexa ao palácio. A estrutura divulgada inclui piscina com vista para a Baía de Todos-os-Santos, spa internacional, três restaurantes e academia. Para o mercado imobiliário de Salvador, a intervenção desloca um imóvel público simbólico para uma operação hoteleira de alto padrão no coração do Centro Histórico.

Hotel seis estrelas em Salvador terá 90 suítes e concessão pública

A modelagem oficial descrita pela BahiaInveste é de concessão onerosa de uso de bem público para recuperação, revitalização e operação do Palácio Rio Branco com finalidade de empreendimento hoteleiro de nível superior. A mesma síntese informa prazo de 35 anos, outorga de R$ 22.222.221, estruturação por Manifestação de Interesse Privado e entrada do projeto em carteira em 12 de dezembro de 2019.

A licitação lançada em janeiro de 2022 tinha valor referencial de R$ 26.581.505,88, composto por R$ 25.593.505,88 relativos à concessão do Palácio Rio Branco e R$ 988.000,00 referentes a terreno anexo, conforme o Metro1. Segundo o Movimento Econômico, a BM Varejo Empreendimentos venceu a licitação pública para a concessão de 35 anos do imóvel.

Prazo das obras no Palácio Rio Branco e impacto no mercado imobiliário

O governo da Bahia informou previsão de 2,5 mil empregos diretos gerados pelas obras do empreendimento. A imprensa local divulgou prazo contratual de 36 meses para conclusão, enquanto investidores citados pelo Alô Alô Bahia estimam entrega em aproximadamente dois anos.

Daniel Sande, CEO da André Guimarães, afirmou à Secom Bahia que a expectativa da empresa é concluir a obra entre 18 e 24 meses, “respeitando o tempo e os cuidados” de restauro do edifício. A diferença entre as estimativas evidencia que, embora o cronograma esteja em execução, o prazo efetivo depende do ritmo das intervenções em um bem histórico.

A conversão também se insere em uma estratégia estadual de uso turístico de imóveis públicos no Centro Antigo, de acordo com declaração do secretário Maurício Bacelar registrada pela Secom Bahia. Para Salvador, o projeto combina restauração patrimonial, hotelaria de luxo e reposicionamento de ativos imobiliários públicos em uma área de grande visibilidade histórica e turística.

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História do imóvel público no Centro Histórico de Salvador

O Palácio Rio Branco começou a ser construído por Thomé de Souza, primeiro governador-geral do Brasil, em meados do século XVI, para ser centro da administração portuguesa, segundo registro da Secom Bahia. O edifício também teve funções como quartel e prisão e abrigou Dom Pedro II em visita à Bahia em 1859.

Em 10 de janeiro de 1912, o palácio foi atingido pelo bombardeio de Salvador ordenado pelo presidente Hermes da Fonseca, ficou em ruínas, foi reconstruído e reinaugurado em 1919 com o nome Rio Branco. Após restauração concluída em 2010, o IPAC informou que o prédio tinha seis mil metros quadrados de área construída e registrou investimento de R$ 7,03 milhões naquela intervenção.

Patrimônio mundial, visitação pública e controle da concessão

O Centro Histórico de Salvador foi inscrito como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1985, com área de propriedade de 200 hectares e zona de amortecimento de 452 hectares. A UNESCO descreve Salvador como primeira capital do Brasil de 1549 a 1763 e registra que o Centro Histórico conserva espaços públicos do século XVI, incluindo a Praça Municipal.

A UNESCO também afirma que o Centro Histórico é protegido por normas federais, estaduais e municipais, entre elas o Decreto-Lei 25/1937, a Lei estadual 3660/1978 e a Lei municipal 3289/1983. Nesse contexto, o projeto prevê o Memorial dos Governadores do Estado como museu de acesso público com acervo de valor histórico, conforme a BahiaInveste.

Maurício Bacelar afirmou ao BNews que o contrato prevê manutenção do Memorial dos Governadores com acesso livre e gratuito para baianos e turistas. Em 2022, o MP-BA acompanhava o processo de concessão e apurava a regularidade de possíveis intervenções físicas no palácio, segundo o Metro1; a promotora Rita Tourinho questionou o prazo de 35 anos, o modelo de concessão de uso e a necessidade de esclarecimentos sobre o destino do bem após o contrato.

Na mesma reportagem, o governo estadual declarou que o projeto havia sido submetido previamente ao IPHAN e que o instituto teria dado parecer favorável. Com as obras iniciadas, o Hotel Allard passa a ser um teste relevante para Salvador: recuperar um marco da administração colonial e, ao mesmo tempo, operar um imóvel público como ativo turístico de alto luxo sob regras de concessão.

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