Permuta do Marista em Ribeirão Preto opõe imóveis de R$ 86,6 mi e R$ 57,2 mi
Prefeitura quer trocar terreno na Braz Olaia Acosta por prédio do Colégio Marista para instalar Centro Administrativo; Câmara cobra estudos.







A Prefeitura de Ribeirão Preto tenta aprovar o Projeto de Lei Complementar nº 24/2026 para permutar uma área municipal na região da avenida Braz Olaia Acosta pelo imóvel do Colégio Marista, no Centro, onde o Executivo pretende instalar um futuro Centro Administrativo Municipal. A nova proposta coloca frente a frente um terreno público avaliado em R$ 86.684.000 e o prédio escolar estimado em R$ 57.214.519,39, com pagamento de R$ 29.469.480,61 ao município pela instituição de ensino.
A discussão ganhou novo capítulo após audiência pública realizada na terça-feira, 16 de junho de 2026. Ao fim do debate, Daniel Gobbi, presidente da Câmara, solicitou ao Poder Executivo a retirada do projeto. Segundo a Câmara de Ribeirão Preto, a justificativa foi a ausência de estudos técnicos sobre a viabilidade e a ocupação do imóvel para instalação do futuro Centro Administrativo Municipal. O PLC nº 24/2026 seguia em tramitação e sem data definida para votação em plenário.
Imóveis em Ribeirão Preto têm avaliações distantes na permuta
Na versão mais recente do projeto, a área pública na região da avenida Braz Olaia Acosta tem 40.928,38 m². Já o imóvel do Colégio Marista, localizado na rua Bernardino de Campos nº 550, tem 21.929,25 m². A diferença entre os valores dos dois imóveis é a base da compensação financeira prevista na proposta.
O ponto mais sensível do debate é a mudança na avaliação do terreno municipal. A cotação atual, de R$ 86.684.000, é R$ 47.066.965 superior à avaliação anterior feita pela Comissão de Avaliação Técnica de Imóveis, a CATI, que havia fixado a área pública em R$ 39.617.035. Segundo a Tribuna Ribeirão, a alta foi de 118,80%, e a nova cotação contou com consultoria do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo.
A contestação não começou agora. Em outubro de 2025, a Câmara informou que o vereador Daniel Gobbi, do PP, havia questionado a avaliação de aproximadamente R$ 39,6 milhões para a área institucional da avenida Braz Olaia Acosta e oficiado o Creci para colaborar com uma análise independente. Na ocasião, Gobbi afirmou que a redação do projeto dava a entender que o município teria vantagem de cerca de R$ 17 milhões, pois a área central do Marista havia sido avaliada em pouco mais de R$ 57,2 milhões.
Mercado imobiliário, Centro Administrativo e dúvidas técnicas
A audiência pública sobre a permuta foi conduzida pela Comissão de Administração, Planejamento, Habitação, Obras e Serviços Públicos, presidida pela vereadora Perla Muller, do PT, e contou com a presença do vice-prefeito Alessandro Maraca, do MDB. O encontro ocorreu no auditório do Sincomerciários, nos Campos Elíseos, porque o prédio da Câmara passava por reforma.
Durante o debate, foram citadas dúvidas sobre quais secretarias ocupariam o prédio, quantas pessoas seriam alocadas, qual seria o impacto no trânsito da região e como seriam feitas reformas em razão da capela tombada no complexo. A CBN Ribeirão também registrou questionamentos de vereadores e moradores sobre reavaliação dos imóveis, custos de adaptação do prédio, trânsito, estacionamento e permanência temporária do colégio após a negociação.
A Prefeitura defende que a mudança pode gerar economia, centralizar serviços públicos e contribuir para a revitalização do Centro de Ribeirão Preto. Em novembro de 2025, a Revide informou que o objetivo declarado do Executivo era reunir secretarias e gabinete em um único endereço. A publicação também registrou que o gabinete funcionava na rua Américo Brasiliense após a desocupação do Palácio Rio Branco por problemas estruturais.
Emendas miram uso do dinheiro, estudos e aluguel do Marista
Daniel Gobbi e Perla Müller apresentaram três emendas modificativas ao PLC nº 24/2026. Uma delas prevê a criação de conta vinculada para depósito dos R$ 29.469.480,61 e destinação exclusiva do recurso à reforma, modernização e adequação do prédio do futuro Centro Administrativo Municipal.
Outra emenda estabelece que o Colégio Marista protocole pedidos de aprovação de projeto arquitetônico, alvará de construção, Estudo de Impacto de Vizinhança, diretrizes de água e esgoto e Estudo de Impacto Viário em até 90 dias após a assinatura da escritura de permuta. A terceira cria a possibilidade de cobrança de aluguel do Colégio Marista enquanto a escola continuar usando o prédio no Centro após a permuta.
Segundo a Tribuna Ribeirão, o texto do projeto não previa cobrança de aluguel durante o período de permanência da escola no imóvel central. A mesma reportagem informou que o projeto prevê que o Colégio Marista continue ocupando o prédio até 31 de janeiro de 2028, por 18 meses. Perla Müller afirmou à Tribuna Ribeirão que o aluguel de um imóvel no mesmo local e com o mesmo tamanho do prédio do Marista seria de R$ 300 mil por mês.
Próximos passos da permuta em Ribeirão Preto
O histórico recente mostra que a proposta já passou por recuo do Executivo. Em 1º de dezembro de 2025, o prefeito Ricardo Silva, do PSD, retirou da Câmara o projeto de permuta então em tramitação. À época, a Prefeitura informou que a retirada era temporária para conclusão de avaliações complementares solicitadas ao Creci-SP. O projeto anterior havia sido encaminhado em regime de urgência, com tramitação restrita a 45 dias.
Agora, com o PLC nº 24/2026 ainda sem data definida para votação, a permuta do Marista segue como uma das principais discussões sobre imóveis públicos e mercado imobiliário em Ribeirão Preto. De um lado, a Prefeitura sustenta a centralização administrativa e a revitalização do Centro; de outro, vereadores e moradores cobram estudos, transparência sobre custos e regras para a transição do colégio no prédio que o município pretende receber.



























