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PF mira imóvel de R$ 2,5 mi em Salvador no caso Master

Operação Compliance Zero apura se apartamento no Poème Horto teria sido vantagem indevida ligada a Jaques Wagner.

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A Polícia Federal deflagrou em 18 de junho de 2026 a 9ª fase da Operação Compliance Zero para apurar eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do Sistema Financeiro Nacional. No centro da apuração está a suspeita de que um apartamento no empreendimento Poème Horto, em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões, tenha sido usado como vantagem econômica indevida ligada ao senador Jaques Wagner (PT-BA).

A operação cumpriu 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Também foram determinadas medidas cautelares, como proibição de contato entre investigados e suspensão de passaporte para alvos específicos, segundo a Polícia Federal.

Imóvel em Salvador é eixo da investigação da PF

A decisão do ministro André Mendonça, assinada em 17 de junho de 2026, trata da Petição 16.229/DF e afirma que a PF apura crimes financeiros, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos conexos atribuídos a gestores e operadores ligados ao Banco Master.

Segundo a decisão, a investigação aponta possível relação ilícita entre Augusto Ferreira Lima, Daniel Bueno Vorcaro e Jaques Wagner, com supostas vantagens econômicas recebidas direta ou indiretamente por familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo investigado.

Um dos três eixos descritos pela PF é a possível aquisição do apartamento nº 1.702 do Poème Horto, em Salvador, como vantagem econômica indevida ligada ao senador. A decisão afirma que, em 26 de novembro de 2024, Wagner encaminhou a Augusto Ferreira Lima dados do empreendimento, do corretor responsável e da unidade 1.702, avaliada em aproximadamente R$ 2,45 milhões.

Poème Horto, mercado imobiliário e a unidade 1.702

No dia seguinte ao envio dos dados do imóvel, conforme a decisão, Jaques Wagner encaminhou o livro digital do empreendimento. Augusto Ferreira Lima, por sua vez, repassou a Valério Marega Júnior dados do corretor, do empreendimento, da unidade e do valor.

A compra formal do apartamento teria sido feita pela Epítome S.A., representada por Luiz Antônio Lombardi, com recursos provenientes de estruturas de fundos vinculadas ao grupo econômico investigado. Para a PF, a dinâmica seria compatível com ocultação do beneficiário final.

O Poème Horto fica no Horto Florestal, em Salvador. O empreendimento tem 36 andares, duas unidades por pavimento, 72 unidades e apartamentos de 173,18 m² e 203,91 m², com quatro suítes. Embora o caso não trate de IPTU, a apuração chama atenção por envolver imóveis de alto padrão e estruturas societárias em uma investigação que alcança o mercado imobiliário da capital baiana.

Tratativas sobre o apartamento teriam continuado

A decisão afirma que as tratativas sobre o imóvel teriam continuado após a primeira fase da Compliance Zero. Segundo o documento, elas teriam ocorrido por meio de Guilherme Henrique Sodré Martins, David Lopes Monteiro, Daniel Lopes Monteiro, Márcio Domingues dos Santos e André Pissolito Campos.

O material citado na decisão menciona reuniões, chamadas, videoconferências, minutas contratuais e documentos de cessão de direitos aquisitivos. Esses elementos são apresentados pela investigação como parte da apuração sobre a unidade 1.702 e sua eventual destinação final.

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Outros eixos: pagamentos e atuação parlamentar

A decisão também descreve um segundo eixo de investigação envolvendo pagamentos à BN Financeira Ltda., empresa associada ao núcleo familiar de Jaques Wagner. Segundo o documento, a PF identificou transferência de R$ 3,5 milhões à BN Financeira Ltda. pela PKL One Participações S.A., pessoa jurídica vinculada ao núcleo de Augusto Ferreira Lima e dirigida por Andréa Lima Novaes.

Outro ponto citado pela decisão é que planilhas encontradas no aparelho de Daniel Lopes Monteiro registravam pagamentos a pessoa identificada como “Dudu”, apelido que a investigação associa a Eduardo Mendonça Sodré Martins. Os valores, segundo a decisão, superam R$ 2,34 milhões por estruturas societárias interpostas.

A PF também aponta como eixo investigativo possível atuação parlamentar de Jaques Wagner em temas de interesse do Banco Master, incluindo crédito consignado, limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e aquisição do Banco Master pelo BRB.

Medidas cautelares e respostas dos citados

Em relação a Jaques Wagner, André Mendonça determinou proibição de contato com investigados, salvo exceções familiares, proibição de contato com pessoas ligadas à Moura Dubeux e ao Poème Horto sobre a unidade 1.702, e proibição de atuação econômica com empresas vinculadas aos fatos investigados. A decisão excluiu o senador da suspensão de passaporte porque a PF não pediu essa cautelar contra ele.

O ministro também determinou a suspensão das atividades econômicas e financeiras de BN Financeira Ltda., BN Representações Tecnológicas Ltda. e Epítome S.A.

Jaques Wagner afirmou à CNN que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em processo relacionado aos fatos investigados. Ele negou atuação em favor do Banco Master e disse que o apartamento mencionado jamais integrou seu patrimônio.

À BandNews TV, segundo informou a Folha de S.Paulo, Wagner disse que nunca recebeu dinheiro do Banco Master, mas admitiu ter pedido a Augusto Lima para comprar um apartamento sob a condição de recomprá-lo posteriormente. A defesa de Augusto Lima afirmou à Folha que as diligências da PF eram desnecessárias, que ele está há seis meses à disposição das autoridades e que sempre atuou dentro dos limites da lei.

O que o caso pode revelar sobre imóveis e transparência

A investigação ainda está em andamento e, pelos dados disponíveis, trata de suspeitas descritas em decisão judicial e em informações oficiais da Polícia Federal. O ponto imobiliário do caso envolve a unidade 1.702 do Poème Horto, em Salvador, e a hipótese de que a compra formal por empresa interposta pudesse ocultar o beneficiário final.

Para o público que acompanha transparência, imóveis e mercado imobiliário, o caso reforça a importância de identificar quem efetivamente se beneficia de operações patrimoniais de alto valor, especialmente quando há agentes públicos, empresas e estruturas societárias citadas em uma apuração criminal.

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