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Mercado imobiliário China

Revenda de imóveis na China acelera queda em 100 cidades

Preços de imóveis usados caíram 0,42% em junho, enquanto unidades novas subiram 0,16%, expondo a fragilidade do mercado imobiliário chinês.

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O mercado imobiliário da China voltou a mostrar perda de fôlego em junho de 2026. O preço médio de imóveis residenciais usados em 100 cidades chinesas ficou em 12.639 yuan por metro quadrado, com queda de 0,42% ante maio e retração anual de 7,68%, segundo a China Index Academy.

A baixa mensal acelerou em relação à queda de 0,32% registrada em maio, ampliando o ritmo de retração em 0,10 ponto percentual. Das 100 cidades monitoradas, 88 tiveram queda mensal nos preços de imóveis usados em junho, enquanto 12 registraram alta.

Imóveis usados na China caem, mas unidades novas sobem

O contraste central do levantamento está no comportamento dos imóveis novos. Nas mesmas 100 cidades, o preço médio das moradias residenciais novas foi de 17.184 yuan por metro quadrado em junho, com alta mensal de 0,16% e avanço anual de 2,00%.

A China Index Academy publicou em 2 de julho de 2026 o relatório China Real Estate Index System 100-City Price Index Report, June 2026, com resumo apontando exatamente essa divergência: alta mensal de 0,16% em moradias novas e queda mensal de 0,42% em moradias usadas.

Para o mercado imobiliário, a diferença importa porque a revenda costuma refletir com mais rapidez a disposição de compradores e vendedores em fechar negócios. A queda disseminada entre imóveis usados indica que a confiança segue pressionada, mesmo quando o segmento de unidades novas mostra alta média de preços.

Mercado imobiliário da China tem sinais mistos nas grandes cidades

Entre as maiores cidades, o quadro não foi uniforme. Em junho, Xangai registrou alta mensal de 0,10% no preço listado de imóveis usados, e Shenzhen teve avanço de 0,03%, segundo a China Index Academy citada pelo Securities Times. Pequim e Guangzhou, porém, ainda tiveram pequenas quedas mensais.

Os volumes de transações também mostram bolsões de reação. Em Pequim, foram 17 mil transações de imóveis usados em junho, alta anual de 9,8%. A cidade alcançou o terceiro mês consecutivo no maior nível para o mesmo período em cinco anos.

Em Shenzhen, o mês teve 5.093 transações de imóveis usados. Após a otimização de políticas imobiliárias no fim de abril de 2026, a cidade registrou crescimento anual superior a 10% nas transações de maio e junho.

Cidades de segunda linha vendem mais, mas preços ainda cedem

Entre cidades de segunda linha citadas pela China Index Academy, Chengdu registrou 21 mil transações de imóveis usados em junho, alta anual de 8,0%. Hangzhou teve 5.840 transações, avanço anual de 5,8%, e Nanjing somou 7.542 negócios, alta de 1,1%.

Mesmo com volumes maiores em algumas praças, os preços anuais de imóveis usados continuavam em baixa em junho. Hangzhou caiu 6,24%, Nanjing recuou 11,45%, Wuhan teve queda de 10,89%, Chongqing caiu 8,70% e Tianjin recuou 9,11%.

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Dados oficiais reforçam pressão sobre imóveis e construção

Nos dados oficiais mais recentes disponíveis do National Bureau of Statistics, referentes a maio de 2026, os índices de preços de imóveis usados em 70 cidades usam base mês anterior igual a 100 e mesmo mês do ano anterior igual a 100. Pequim apareceu em 100,1 no mês e 93,5 no ano; Tianjin, em 99,6 no mês e 94,0 no ano; Wuhan, em 99,6 no mês e 91,2 no ano; e Xiamen, em 100,1 no mês e 94,2 no ano.

O NBS informa que sua pesquisa oficial cobre áreas urbanas municipais de 70 cidades médias e grandes, excluindo condados. Para imóveis usados, a metodologia combina pesquisa de unidades principais, pesquisa típica, informações de corretoras ou plataformas de serviços habitacionais e coleta presencial por pesquisadores.

A pressão aparece também no investimento. De janeiro a maio de 2026, o investimento em desenvolvimento imobiliário na China somou 3,0356 trilhões de yuan, queda anual de 16,2%. O investimento residencial foi de 2,3426 trilhões de yuan, recuo de 15,6%.

No mesmo período, a área vendida de novos imóveis comerciais foi de 313,20 milhões de metros quadrados, queda anual de 10,8%, e o valor vendido chegou a 2,9366 trilhões de yuan, baixa de 13,5%.

Políticas tentam sustentar demanda e oferta na China

A construção nova também encolheu. De janeiro a maio de 2026, a área de novas construções iniciadas por incorporadoras foi de 179,29 milhões de metros quadrados, queda anual de 22,6%. Nas novas construções residenciais iniciadas, a área foi de 130,84 milhões de metros quadrados, recuo de 23,4%.

Os recursos captados por incorporadoras para investimento imobiliário somaram 3,2756 trilhões de yuan no período, queda anual de 19,0%. Empréstimos domésticos caíram 28,7%, adiantamentos e depósitos recuaram 16,1%, e hipotecas individuais diminuíram 28,0%.

A resposta de política pública tem sido intensa. Segundo a China Index Academy, governos locais chineses lançaram mais de 560 medidas de otimização imobiliária no primeiro semestre de 2026, sendo mais de 360 no segundo trimestre e mais de 300 relacionadas a fundos de previdência habitacional.

Para o segundo semestre de 2026, a instituição espera políticas tanto do lado da demanda quanto da oferta, incluindo otimização de fundos de previdência habitacional, programas de troca de moradia, subsídios à compra, controle de nova oferta, padronização da oferta de terrenos, ativação de estoques e aquisição de imóveis comerciais ou terrenos ociosos.

O sinal de junho, portanto, é de um mercado imobiliário chinês ainda dividido: imóveis novos sustentam alta média, algumas cidades mostram mais transações, mas a revenda segue com queda ampla de preços. Enquanto a confiança não se recompõe de forma mais uniforme, a recuperação tende a depender da combinação entre demanda efetiva, crédito e políticas locais.

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