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São Paulo mira leilão de ícones do Centro para moradia

Governo Tarcísio planeja vender Cine Marrocos, Hotel Esplanada e antigo Banco de São Paulo após mudança de secretarias.

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O governo Tarcísio de Freitas planeja vender edifícios históricos e tombados no Centro de São Paulo, incluindo o Cine Marrocos, o Hotel Esplanada e o antigo Banco de São Paulo, informou reportagem do Estadão republicada pela ABECIP em 8 de junho de 2026. A medida está ligada à futura transferência de 26 secretarias estaduais, hoje distribuídas em 40 endereços, para o novo Centro Administrativo nos Campos Elíseos.

A intenção declarada é repassar esses imóveis à iniciativa privada para retrofit e conversão em novos usos. Segundo a reportagem, o foco envolve polos de moradia, lazer e hotelaria. O secretário estadual de Projetos Estratégicos, Guilherme Afif Domingos, afirmou que a proposta combina “hotelaria, moradia, espaço de lazer e até corporativo” e que a prioridade é transformar o que for possível em uso residencial.

Leilão de imóveis no Centro de São Paulo mira retrofit

A primeira leva citada para leilão reúne três endereços simbólicos do Centro: Cine Marrocos, Hotel Esplanada e antigo Banco de São Paulo. Todos foram classificados na reportagem como prédios históricos e tombados. A estratégia coloca o mercado imobiliário diante de ativos de grande valor arquitetônico, mas também sujeitos a regras de preservação.

No caso de bens tombados na área do Vale do Anhangabaú, a Resolução CONPRESP nº 37/1992 estabelece que restauração, reciclagem, revitalização e reformas dependem de aprovação prévia do conselho. A mesma norma diferencia níveis de proteção: o Nível de Proteção 3 preserva características externas, enquanto o Nível de Proteção 2 preserva características externas e alguns elementos internos.

Novo Centro Administrativo desloca secretarias para Campos Elíseos

O plano de venda dos prédios aparece no contexto da PPP do Novo Centro Administrativo. Em 26 de fevereiro de 2026, o consórcio MEZ-RZK Novo Centro venceu o leilão na B3 com desconto de 9,62% sobre a contraprestação pública mensal máxima de R$ 76,6 milhões. O consórcio Acciona-Construcap apresentou desconto de 5%.

Segundo a Agência SP, o projeto oficial prevê investimento estimado em R$ 6 bilhões, sete edifícios e dez torres nos Campos Elíseos. O complexo deve abrigar o gabinete do governador, secretarias e órgãos estaduais hoje espalhados por mais de 40 endereços na cidade de São Paulo, com capacidade para cerca de 22 mil servidores.

A nova estrutura também deverá contar com teatro, auditórios, salas multiuso e outros espaços. O projeto inclui restauro de 17 imóveis tombados, ampliação superior a 40% das áreas verdes do Parque Princesa Isabel, 25 mil m² para comércio e serviços e construção de um novo terminal de ônibus.

Transporte, áreas verdes e empregos no entorno

O novo terminal substituirá o Terminal Princesa Isabel e será construído próximo ao futuro complexo estadual nos Campos Elíseos, na região da Luz, com integração a metrô e CPTM. De acordo com a Agência SP, as obras do terminal estão previstas para começar no primeiro ano da concessão e terminar no segundo ano do contrato.

O Parque Princesa Isabel foi doado pela Prefeitura ao Governo do Estado pela Lei nº 18.176, promulgada em 25 de julho de 2024. O Governo de SP também informou que o projeto deve gerar 38 mil empregos durante as obras e 2,8 mil vagas formais no comércio e serviços locais.

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IPTU e incentivos ao mercado imobiliário no Centro

A possível venda dos imóveis ocorre em uma área onde a Prefeitura de São Paulo já mantém instrumentos para estimular retrofit. O Programa Requalifica Centro foi criado pela Lei nº 17.577/2021 para incentivar a requalificação de prédios antigos na região central por meio de incentivos fiscais e edilícios.

O programa se aplica a edificações construídas até 23 de setembro de 1992 ou licenciadas com base na Lei nº 11.228/1992, dentro de perímetro estimado em 6,4 km² da região central. Entre os incentivos estão remissão de créditos de IPTU, isenção de IPTU nos três primeiros anos após a conclusão da obra, redução de ISS para 2% em serviços de requalificação, isenção de ITBI e isenção de taxas municipais por cinco anos.

Em balanço divulgado pela Prefeitura em 2025, havia 30 edifícios em processo de requalificação urbana no Centro. Desse total, 24 projetos estavam aprovados pelo Requalifica Centro e 15 empreendimentos estavam credenciados nos editais de Subvenção Econômica; 9 participavam de ambos os programas. O mesmo balanço registrou 20 empreendimentos residenciais, 4 comerciais, 5 prédios com retrofit concluído, 2.214 unidades residenciais aprovadas e 38 processos em análise.

Hotel Esplanada, Cine Marrocos e Banco de São Paulo

O Hotel Esplanada, atual Edifício Ermírio de Moraes, fica na Praça Ramos de Azevedo nº 254. Segundo o Arquivo Arq, teve projeto de Joseph Gire, construção entre 1921 e 1923, sete pavimentos e uso atual institucional. O Portal de Investimentos do Turismo lista o prédio como propriedade do Governo do Estado de São Paulo, com possibilidade de venda principalmente para hotelaria, área de 16.857,48 m² e capacidade operacional para mais de 300 quartos em hotel de uso misto.

O mesmo cadastro turístico vincula ao projeto do Esplanada um anexo na Rua Conselheiro Crispiniano nº 344 descrito como “Marrocos building” para retrofit, com 18.244 m², 12 andares e teatro de 2.500 lugares.

O antigo Banco de São Paulo fica na Praça Antônio Prado nº 9 e na Rua 15 de Novembro nº 347. De acordo com material do NURAP, o edifício foi tombado pelo CONDEPHAAT em 2003 por importância histórico-arquitetônica e foi projetado por Álvaro de Arruda Botelho. Construído entre 1935 e 1938, tem dois blocos interligados, 13 mil m² construídos, 12 pavimentos no bloco voltado à Rua São Bento e 16 pavimentos no bloco voltado à Praça Antônio Prado.

O mesmo levantamento registra que, em 1973, o Banco de São Paulo foi vendido ao Banespa e o prédio tornou-se patrimônio público, com uso posterior como sede de secretaria estadual. Agora, com a reorganização administrativa prevista para os Campos Elíseos, esses imóveis entram no centro de uma disputa urbana: preservar patrimônio, atrair investimento privado e ampliar moradia no Centro de São Paulo sem perder de vista as exigências de tombamento.

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