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Setor Central de Goiânia salta 30,7% e desafia média da capital

FipeZAP de maio mostra Centro com maior alta entre recortes de Goiânia, apesar de preço por m² ainda abaixo de bairros mais caros.

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O Setor Central de Goiânia registrou valorização de 30,7% nos preços residenciais anunciados em 12 meses, segundo o Índice FipeZAP de Venda Residencial de maio de 2026. O avanço destoou da média da capital, que subiu 5,32% no mesmo período e chegou a R$ 8.280 por metro quadrado. No Centro, o preço médio ficou em R$ 6.228/m².

O dado coloca a região central como a maior alta entre os dez recortes mais representativos de Goiânia listados no informe. A diferença é expressiva: a valorização do Setor Central ficou 25,38 pontos percentuais acima da média da cidade, o equivalente a cerca de 5,8 vezes a variação geral da capital.

Mercado imobiliário em Goiânia: Centro sobe mais, mas ainda custa menos

O movimento chama atenção porque o Setor Central não está entre os endereços de maior preço médio da cidade no levantamento. O valor de R$ 6.228/m² ficou abaixo dos recortes Marista, Sul, Bueno, Jardim Goiás, Jardim América, Oeste, Pedro Ludovico/Bela Vista, Aeroporto e Nova Suíça.

Na comparação interna, Marista aparece com R$ 11.318/m² e alta de 3,7% em 12 meses. O Setor Sul teve R$ 10.802/m² e alta de 1,8%; Bueno, R$ 9.774/m² e alta de 3,1%; Jardim Goiás, R$ 9.474/m² e alta de 0,8%; Jardim América, R$ 8.538/m² e alta de 7,7%; Oeste, R$ 8.437/m² e alta de 5,4%; Pedro Ludovico/Bela Vista, R$ 8.216/m² e alta de 6,8%. Aeroporto teve R$ 6.500/m² e queda de 5,0%, enquanto Nova Suíça registrou R$ 6.464/m² e queda de 3,2%.

O contraste sugere uma reprecificação do Centro nos anúncios residenciais, mas exige cautela: o FipeZAP acompanha preços de imóveis anunciados na internet e não atribui causalidade direta ao movimento. A amostra de Goiânia no informe de maio de 2026 foi de 30.171 anúncios.

Preço dos imóveis em Goiânia no FipeZAP de maio

Em maio de 2026, Goiânia teve alta mensal de 0,66% no índice, acumulou 2,29% no ano e 5,32% em 12 meses. O preço médio residencial anunciado na capital foi de R$ 8.280/m².

No cenário nacional, o Índice FipeZAP avançou 0,42% em maio, acumulou 1,96% em 2026 e subiu 5,59% em 12 meses. O preço médio nacional foi de R$ 9.809/m², com base em anúncios de venda residencial em 56 cidades brasileiras.

Entre as 22 capitais monitoradas, Goiânia ficou abaixo de Vitória, Florianópolis, São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Maceió, Fortaleza, Belém, Recife, São Luís e Salvador. Ao mesmo tempo, superou João Pessoa, Manaus, Porto Alegre, Cuiabá, Campo Grande, Natal, Teresina e Aracaju.

Plano Diretor, IPTU e incentivos no Setor Central de Goiânia

A leitura dos preços ocorre em meio a instrumentos urbanos e propostas públicas voltadas ao Centro. A Lei Complementar nº 349, de 4 de março de 2022, instituiu o Plano Diretor de Goiânia. O texto define Área Adensável como unidade territorial destinada ao incentivo de maiores densidades habitacionais e alta concentração de atividades econômicas sustentadas pela rede viária e de transporte público.

O Plano Diretor também estabelece que o remembramento de imóveis no Setor Central, na unidade territorial denominada Área de Adensamento Básico, depende de manifestação prévia do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN. A mesma legislação excetua da cobrança de Outorga Onerosa do Direito de Construir novas edificações situadas no Setor Central voltadas ao uso habitacional com fachada ativa na tipologia de habitação coletiva.

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Centraliza mira requalificação e moradia no Centro

Outro ponto de contexto é o programa Centraliza, apresentado pela Prefeitura de Goiânia em documento publicado em 2024. A iniciativa é descrita como um programa de requalificação do Setor Central dividido em sete eixos temáticos, com objetivo de levar o goianiense de volta à região para morar, divertir, conhecer, trabalhar, estudar, investir, conviver e se desenvolver.

O documento identificou a necessidade de uma ação urgente de retomada econômica da região central para torná-la atrativa ao setor produtivo e estimular moradia. Entre os motivos associados à perda de investimento no Centro, a Prefeitura listou ausência de pessoas, problemas de circulação e mobilidade, problemas com equipamentos de bem-estar, lazer e convivência, segurança pública, infraestrutura, ambulantes e falta de atrativos.

As metas do Centraliza incluem atração de novos moradores, fomento a novas atividades econômicas, valorização das atividades existentes, requalificação de espaços e mobiliários, estímulo à mobilidade urbana, valorização do patrimônio histórico-cultural, combate à criminalidade, empreendedorismo e desenvolvimento de arte, cultura, lazer, bem-estar, turismo e esporte.

Retrofit, fachada e novas atividades econômicas

No eixo de habitação e atividades econômicas, o Centraliza cita projetos catalisadores, avanços no planejamento urbano específico para o Centro, aumento da fiscalização de postura, criação de departamentos específicos, conselho gestor, benefícios fiscais para novos negócios e linha de crédito em parceria com o Sicoob.

No eixo de patrimônio, o programa menciona benefícios fiscais para revitalização de fachadas e retrofit de imóveis em Art Déco, requalificação dos mercados municipais e PPP para gestão e revitalização do Pathernon Center.

Morar no Centro entra no radar do mercado imobiliário

A Lei Orçamentária Anual de Goiânia de 2026 registrou dotação de R$ 24.000.000 para o “Programa Morar no Centro”, dentro de Habitação Urbana e Programa Morar Bem, conforme anexo da LOA 2026.

O projeto do Programa Morar no Centro chegou à Câmara Municipal e foi lido em plenário em 31 de março de 2026, como primeira etapa de tramitação. Segundo a Câmara Municipal de Goiânia, a proposta anunciada pelo prefeito Sandro Mabel previa atrair cerca de 10 mil novos moradores para a região central com pagamento de 50% do aluguel por até três anos.

Em 20 de maio de 2026, a Câmara informou que o projeto de lei que cria o programa, de autoria da Prefeitura, já havia sido aprovado em primeira votação e seguia em tramitação. Na mesma data, o Legislativo registrou que a proposta previa incentivos para ampliar a ocupação residencial no Centro por meio de subsídios de aluguel e estímulos à requalificação urbana, com intenção de atrair cerca de 9 mil novos moradores, incentivar o aproveitamento de imóveis ociosos e fortalecer atividades econômicas, culturais e gastronômicas.

A Câmara também informou que critérios como regiões contempladas, valores dos subsídios, reajuste dos aluguéis e parâmetros de implementação ainda deveriam ser regulamentados posteriormente pelo Executivo por decretos. Por isso, embora os dados do FipeZAP mostrem uma alta relevante no preço anunciado dos imóveis do Setor Central, a relação entre valorização, políticas urbanas, ocupação residencial e novos investimentos ainda depende de acompanhamento nos próximos informes e na tramitação das medidas públicas.

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