Terreno público valoriza 119% em permuta em Ribeirão Preto
Nova versão da troca com o Colégio Marista muda a conta: área municipal foi reavaliada em R$ 86,7 milhões.







A nova versão da permuta entre a Prefeitura de Ribeirão Preto e o Colégio Marista transformou a principal conta da negociação. O terreno público de 40.928,38 m² na região da avenida Braz Olaia Acosta, na Zona Sul, foi reavaliado em R$ 86.684.000 no Projeto de Lei Complementar nº 24/2026, enviado à Câmara em 1º de junho de 2026 pelo prefeito em exercício Alessandro Maraca (MDB), segundo o Tribuna Ribeirão.
Na avaliação anterior da Cati, usada no primeiro projeto, a mesma área municipal aparecia por R$ 39.617.035. A diferença é de R$ 47.066.965, uma alta de 118,80% sobre o valor anterior. A reviravolta recoloca no centro do debate público o valor dos imóveis envolvidos e a forma como o mercado imobiliário de Ribeirão Preto entra em negociações patrimoniais do município.
Permuta em Ribeirão Preto muda de sinal para o terreno público
No projeto anterior, o terreno municipal avaliado em R$ 39.617.035 ficava R$ 17.597.484,39 abaixo do imóvel do Marista, avaliado em R$ 57.214.519,39. Essa diferença negativa equivalia a 30,76% abaixo do valor atribuído ao prédio do colégio.
Na nova conta, o cenário se inverte. O imóvel do Colégio Marista, localizado na rua Bernardino de Campos nº 550, no Centro, tem 21.929,25 m² e permanece avaliado em R$ 57.214.519,39. Já o terreno público passou a valer R$ 29.469.480,61 a mais que o imóvel particular. A vantagem percentual da área municipal, segundo a publicação, chega a 51,51%.
O novo valor também altera a leitura por metro quadrado. Considerando a área de 40.928,38 m², o terreno público passou de aproximadamente R$ 967,96/m² para R$ 2.117,94/m². No caso do imóvel do Marista, a relação entre valor e área resulta em cerca de R$ 2.609,05/m².
Marista aceitaria pagar diferença de R$ 29,4 milhões
Segundo o projeto citado pelo Tribuna Ribeirão, o Colégio Marista teria aceitado pagar ao município a diferença de R$ 29.469.480,61 caso a Câmara aprove a permuta. Esse pagamento, conhecido como torna, é o ponto que diferencia a nova proposta da versão anterior, em que o particular abriria mão da diferença entre os imóveis.
A primeira proposta previa que o município receberia o imóvel do Marista, avaliado em R$ 57,2 milhões, e transferiria o terreno público avaliado em R$ 39,6 milhões, com o particular abrindo mão da diferença, conforme noticiou o Jornal Ribeirão em outubro de 2025. A finalidade declarada da troca é instalar a nova sede administrativa da Prefeitura no atual imóvel do colégio.
Naquele momento, a previsão divulgada era de ocupação do prédio do Marista pela Prefeitura a partir de julho de 2027. A Revide informou ainda que, se aprovado, o imóvel seria entregue ao Executivo até 31 de julho de 2027. O Marista deveria iniciar as obras da nova escola em até 12 meses após a escritura, com prazo máximo de 36 meses para conclusão.
Questionamentos sobre imóveis levaram a nova avaliação
A Prefeitura retirou o projeto anterior da Câmara após questionamentos de vereadores como Daniel Gobbi (PP), André Rodini (Novo) e Perla Müller (PT) sobre possível subavaliação da área municipal. Em 13 de novembro de 2025, o Jornal Ribeirão noticiou que o Executivo firmou acordo de cooperação com o Creci-SP para revisar os valores dos imóveis da permuta.
O acordo previa nova avaliação do terreno público de 41 mil m² na avenida Braz Olaia Acosta e do prédio do Marista na rua Bernardino de Campos. Segundo o Tribuna Ribeirão, o convênio entre Prefeitura e Creci-SP foi assinado em 14 de novembro de 2025 pelo prefeito Ricardo Silva e pelo presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, com presença do vice-prefeito Alessandro Maraca.
A Prefeitura informou que retirou a proposta porque a avaliação solicitada ao Creci-SP não ficaria pronta até o prazo regimental de votação, que venceria em 3 de dezembro de 2025. A Câmara entraria em recesso em 24 de dezembro de 2025 e voltaria a realizar sessões a partir de 1º de fevereiro de 2026, empurrando a análise de um novo projeto para 2026.
Patrimônio e mercado imobiliário entram no centro do debate
A audiência pública sobre a permuta foi realizada em 25 de novembro de 2025 pela Comissão Permanente de Administração, Habitação, Obras e Serviços Públicos. Além dos valores de mercado, o debate envolve o entorno de um bem protegido: a Capela do Colégio Marista teve tombamento provisório em 10 de novembro de 2010 e tombamento definitivo em 3 de julho de 2014 pelo Conppac de Ribeirão Preto.
A resolução nº 03/2022 do Conppac exige aprovação do conselho para intervenções em entorno de imóvel tombado a menos de 200 metros quando houver relevância histórica. Por isso, a discussão sobre a permuta combina três frentes: o destino administrativo da Prefeitura, a avaliação de imóveis públicos e privados e as regras de preservação aplicáveis ao conjunto urbano.
Com o PLC nº 24/2026, a Câmara passa a analisar uma proposta numericamente distinta daquela que saiu de pauta em 2025. A mudança central é objetiva: o terreno público que antes aparecia abaixo do valor do Marista agora supera o imóvel particular em R$ 29,4 milhões. O desfecho dependerá da tramitação legislativa e da aprovação ou não da permuta pelos vereadores.



























