Imóveis em Belo Horizonte: Camargos sobe 60,2%, mas m² avança 8,4%
Área média dos imóveis anunciados no bairro cresceu 47,1%. Levantamento da Loft mostra por que a alta do preço pedido exige uma leitura cuidadosa.







O preço médio dos imóveis anunciados no Camargos, em Belo Horizonte, subiu 60,2% entre os terceiros trimestres de 2025 e 2026 e chegou a R$ 594.943. A alta, porém, veio acompanhada de uma mudança importante na oferta: a área média das unidades anunciadas cresceu 47,1%, enquanto o preço por metro quadrado avançou 8,4%.
Os dados são de um levantamento da Loft, publicado pelo Diário do Comércio em 14 de outubro de 2026. A pesquisa comparou anúncios de casas e apartamentos em 127 bairros da capital nos períodos de julho a setembro dos dois anos. O contraste entre os indicadores ajuda a dimensionar o que efetivamente mudou nos preços pedidos.
Camargos: imóveis maiores ajudam a explicar a alta
O aumento de 60,2% descreve a mudança no valor médio do conjunto de imóveis disponíveis nos anúncios. Não significa que uma mesma casa ou um mesmo apartamento tenha se valorizado nessa proporção. No Camargos, a expansão da área média mostra que as unidades ofertadas no período mais recente eram, em média, maiores.
Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, relaciona as maiores altas à presença de imóveis maiores nos anúncios, segundo o Diário do Comércio. Essa mudança na composição da oferta ajuda a explicar por que o preço total pode crescer muito mais do que o valor por metro quadrado.
A leitura dos dois indicadores em conjunto é, portanto, essencial. O preço médio informa quanto se pede, em média, pelos imóveis anunciados; o preço por m² acrescenta a dimensão da área à comparação. Nenhum deles, isoladamente, comprova a valorização de um imóvel específico.
Letícia e Cidade Jardim também mostram diferenças nos preços
O Camargos não foi o único bairro de Belo Horizonte a apresentar distância entre a variação do preço total e a do metro quadrado. No Letícia, o valor médio anunciado chegou a R$ 649.949, com aumento de 51,1%. Já o preço por m² avançou apenas 1,5% no mesmo intervalo.
No Cidade Jardim, os indicadores caminharam em direções distintas. O preço médio cresceu 38,8%, para R$ 1,42 milhão, enquanto o metro quadrado recuou 3,7%. Ao mesmo tempo, a área média anunciada aumentou 56,9%. O resultado evidencia que uma alta no valor total pode coexistir com uma queda no preço por unidade de área.
Outro exemplo aparece no Diamante: a média dos imóveis anunciados atingiu R$ 735.953, crescimento de 37,4%, mas o m² subiu 0,9%. Assim como nos demais casos, a diferença recomenda cautela ao interpretar a variação do preço médio como medida direta de valorização.
Mercado imobiliário de Belo Horizonte teve alta em 122 bairros
No conjunto da pesquisa, houve aumento do preço médio anunciado em 122 dos 127 bairros analisados. A média municipal alcançou R$ 1,01 milhão, avanço de 8,3% entre julho e setembro de 2025 e o mesmo período de 2026, conforme o levantamento divulgado pelo Diário do Comércio.
Esse resultado oferece contexto para as variações locais, mas não elimina as diferenças na composição dos anúncios de cada bairro. O caso do Camargos mostra por que uma alta muito superior à média de Belo Horizonte precisa ser examinada também à luz do tamanho das unidades ofertadas.
Preço anunciado não é valor de venda dos imóveis
A principal ressalva para quem acompanha o mercado imobiliário é o alcance da pesquisa: os números representam preços pedidos por casas e apartamentos, e não valores de negócios fechados. Conforme a fonte, os montantes anunciados estão sujeitos a diferenças em relação aos efetivamente negociados.
Para interpretar o levantamento, o ponto central é distinguir a mudança no conjunto de imóveis ofertados da valorização de uma unidade. No Camargos, o salto do preço médio veio acompanhado de imóveis maiores nos anúncios e de uma alta mais moderada no m². É essa combinação que dá sentido ao resultado do bairro.



























